Caneta Alheia #1: Leaving Las Vegas

Caneta Alheia #1: Leaving Las Vegas

O Arte-Factos faz-se a muitas mãos e na essência do verdadeiro espírito de equipa, contando também com a colaboração dos nossos estimados leitores! João Narciso é um dos nossos seguidores que decidiu (em muito boa hora) estrear a nossa nova rubrica – Caneta Alheia – com uma bonita reflexão acerca do filme “Leaving Las Vegas” (1995), um drama protagonizado por Nicolas Cage e Elisabeth Shue.

Fica o nosso agradecimento ao João e o convite a todos os que quiserem contribuir. Estamos à vossa espera em info@arte-factos.net.
De quem é a próxima Caneta Alheia?

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Leaving Las Vegas é um filme de Mike Figgis, realizado em 1995, e que valeu o único e muito merecido Óscar a Cage – sobrinho de Francis Ford Copolla fiquem sabendo. «I’m not sure if I lost my family because of my drinking, or if I’m drinking because I lost my family», é desta forma que Ben (interpretado por Nicolas Cage) se refere ao facto de se ter afastado da família, razão pela qual desistiu de viver.

A história é sobre duas almas, Ben e Sera (Elisabeth Shue), um argumentista de cinema e uma prostituta, que se apaixonam na cidade do jogo. O primeiro desistiu de viver, a segunda acredita no amor e não se interessa pelo estado de Ben, mas apenas se preocupa em amar enquanto for possível. O filme vive quase apenas da presença deste dois grandes desempenho, apesar de Julian Sands (proxeneta de Sera) também ter uma boa performance.

Os diálogos são fascinantes, e o que mais me impressionou foi a pureza e genuinidade das personagens, que sem nada a perder nesta vida, se entregam um ao outro de forma apaixonada. Ben apenas exige que Sera não lhe peça para deixar de beber, ao que replica que não o fará, mais uma prova de amor por Ben. Nunca chegamos a perceber o que ela vê nele, um alcoólico em perfeito estado de destruição, que escolheu a “cidade do pecado” para gozar os últimos dias da sua vida. A banda sonora é fabulosa, constituindo-se Sting como o nome de vulto da mesma.

Leaving Las Vegas é um dos melhores filmes da década de 1990, merecendo as várias nomeações aos Óscares que teve. Um filme que, apesar de tudo, é sobre esperança seja no amor, seja numa vida melhor – um sentimento materializado na personagem de Sera, pois Ben decidiu o seu destino logo no início do filme.

Acabo com uma citação minha: “Por detrás daquilo que fazemos na vida, está aquilo que nós somos na realidade”.

Texto de João Narciso
Caneta Alheia #1, Janeiro 2016

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