Flashback: Efeito Borboleta (The Butterfly Effect)

Flashback: Efeito Borboleta (The Butterfly Effect)

The Butterfly Effect
Lembram-se quando Ashton Kutcher era considerado um dos mais promissores actores de Hollywood e um modelo para os mais jovens? Não? Ok, se calhar só aconteceu comigo. A verdade é que, há quase 20 anos e de modo totalmente involuntário, acompanhei as primeiras aparições de Kutcher. “That 70’s Show”, que passava por cá a horas impróprias, era a minha série de referência; “Dude Where’s My Car” – a par de “American Pie” – a grande comédia do momento e, uns anos depois, The Butterfly Effect, o único em relação ao qual consigo manter uma opinião semelhante à que tinha naquela altura. Conseguem ver a relação entre coisas de que eu gostava e Ashton Kutcher? Não me orgulho.

Agora que já tirámos isto do caminho, passemos ao filme de Eric Bress e J. Mackye Gruber. Os filmes que exploram as várias possibilidades ao longo de várias realidades alternativas não começaram, nem acabaram, em The Butterfly Effect, com vários filmes do género a surgirem até hoje, dos quais tenho também de destacar “Mr. Nobody” de Jaco Van Dormael, obrigatório dentro do género. O que distingue o bom do mau, neste campo, é tanto a credibilidade dos mecanismos criados para tornar possível a exploração da linha temporal como o que se decide explorar nessa linha.

thebutterflyeffect

Não é tudo perfeito aqui e este não é, nem de perto, a autoridade no género. O protagonista, Evan, que tem o “dom” de voltar atrás no tempo em momentos específicos que possam ser activados por memórias visuais, procura corrigir uma situação marcante que acontece aos 7 anos de idade, ao mesmo tempo que tenta conquistar a miúda da zona, Kayleigh. Sim, acabei de simplificar e banalizar em demasia o argumento do filme, mais ou menos da mesma forma como a maior parte dos realizadores faz filmes actualmente. O que interessa reter aqui é que cada vez que Evan tenta corrigir uma situação, acaba por torna-la pior para alguém e repete a experiência.

Porque é que tudo isto é fascinante o suficiente para eu achar que merece ser destacado nesta rubrica? Pelas possibilidades. Há um único momento do filme que o protagonista pretende corrigir e a parte interessante é a quantidade de cenários que são explorados a partir daí. Do mesmo modo que temos filmes de ficção científica e com elementos fantásticos, aqui temos um filme que explora várias possibilidades de uma única situação, algo que, tanto quanto sei hoje, em 2016, não é possível fazer. O modo como o argumento se desenrola, sendo que a cada momento parece menos possível um final feliz para toda a história, acaba por justificar um pouco a indecisão dos argumentistas em escolher um final, atirando as opções descartadas para extra em DVD. As prestações dos actores não são brilhantes, mas bastam para perceber as emoções fortes que sentem. Esta parte é importante para o filme não morrer à nascença.

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É verdade, o filme não é nenhuma obra-prima, mas entretém e cumpre muito bem o propósito. Estas temáticas não são fáceis de concretizar e isso vê-se tanto na escassa quantidade de filmes a abordá-la como no fracasso que a grande maioria é. Esta saga acaba por ter mais duas entradas, em 2006 e em 2009 e são óptimos exemplos do que acabei de escrever acerca da qualidade dos filmes do género. Quanto aos realizadores de The Butterfly Effect, não voltaram a realizar nenhum filme desde 2004, saindo de cena depois de um bom filme. O mesmo não se pode dizer de Ashton Kutcher, que nos brindou desde então com pérolas essenciais na história do cinema como “What Happens in Vegas” e “Jobs” (o mau). Saber quando parar é a maior virtude que ninguém tem no mundo do cinema.

Sandro Cantante

Adepto com H grande de videojogos e cinema. Gosto de bons filmes e de bons jogos, acima de qualquer género ou plataforma. Uma pessoa simples que gosta do que é bom apenas.