Maraviglioso Boccaccio (Maravilhoso Boccaccio)

Maraviglioso Boccaccio (Maravilhoso Boccaccio)

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Maraviglioso Boccaccio, de Paolo e Vittorio Taviano, foi o filme escolhido pela produção da 9ª edição do 8½ Festa do Cinema Italiano, para a apresentação do programa à imprensa.

Cá entre nós, uma escolha muito, demasiado aquém daquilo a que a Festa já nos habituou e cujo programa de 2016 promete.

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Em 1348, a peste negra atinge brutalmente Florença. Um grupo de sete donzelas e três cavalheiros, confrontados com a morte que ronda todos os cantos da cidade, todas as famílias, com o espectro da possibilidade de serem eles os próximos, afastam-se da cidade e refugiam-se numa casa de campo.

Lello Arena, Paola Cortellesi, Carolina Crescentini, Flavio Parenti,Vittoria Puccini, Michele Riondino, Kim Rossi Stuart, Riccardo Scamarcio, Kasia Smutniak, Jasmine Trinca, Josafat Vagni, entre outros, são os protagonistas das histórias que esta história conta. Para se entreterem, para além das tarefas domésticas que pouco tempo ocupam, e afastarem os seus pensamentos da moribunda Florença, combinam contar, cada dia, pela voz de cada um dos fugidos da doença, contos de amor.

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E assim, numa interpretação essencialmente teatral, com figurinos (demasiado) simples, cenários que se limitam à paisagem bucólica de montanhas verdes e floridas em Itália, se passam duas horas, que pareceram bem mais, a ouvir histórias. Umas engraçadas, envolvendo os bobos das aldeias e as tropelias para os enganar, relembrando o Parvo, d’O Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, outras sobre o amor impossível entre nobres e povo, outras sobre o amor físico nos conventos italianos (do conhecimento de todos mas escondido nas paredes divinas), enfim, contos medievos para todos os gostos, mas demasiados para um filme, particularmente um filme de apresentação de um festival de cinema que promete entregar bem mais.

Com laivos de overacting, o guião, reduzido a metade daria uma peça de teatro agradável para uma tarde de contos.

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Na tela é demasiado: demasiado aborrecido, demasiado desconstruído (com uma narrativa pouco fluída e sem grandes elementos de transição coerentes), demasiado forçado na interpretação.

3,5estrelas

 

 

Lúcia Gomes

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