Maggie's Plan (Maggie Tem Um Plano)

Maggie’s Plan (Maggie Tem Um Plano)

Maggie Tem Um Plano

Há um nome incontornável que salta à vista quando vemos Maggie Tem Um Plano. O fantasma de Woody Allen está presente nos ambientes audiovisuais nova-iorquinos, no delírio e surrealismo de algumas cenas, nas personagens com algo de losers e/ou meio deslocadas deste Mundo. É Woody Allen a sério e não o postal turístico que se tornaram alguns dos seus mais recentes filmes.

Temos uma comédia romântica com o clássico triângulo amoroso. Um homem à procura de ser o romancista que nunca foi e perdido nos seus dilemas profissionais e sentimentais. É Ethan Hawke e poderia ser Woody Allen há uns 20 anos atrás. E duas mulheres muito diferentes: Maggie (Greta Gerwig) é a ingénua, idealista, meio desconjuntada e pateta (o adjectivo é dos próprios filhos dele), enquanto Georgette (Julianne Moore) é egocêntica, determinada e ultra-ambiciosa. A mulher e a ex-mulher, que perseguem a melhor forma de estar… ou não estar com o mesmo homem. E é aí que a narrativa ganha contornos delirantes com muita, muita graça.

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A argumentista e realizadora Rebecca Miller deixa algumas pontas das personagens por tratar, como o lado profisisonal de Maggie. Ela é responsável por aproximar projectos artísticos da viabilidade comercial e, perante a personagem, isso poderia não só para contribuir para enriquecer a descrição interior, como criar uns gags com bastante piada. Seja como for, temos o suficiente para ver em Maggie alguém entre o acanhado e o decidido, sem que tenhamos aqui nenhum tipo de personagens estereotipadas. Ou, quando o temos, é de uma forma jocosa, inteligente e não simplista.

De resto, os méritos do filme vão também para os aspectos visuais e sonoros. Em termos estéticos, temos uma fotografia sóbria, sem cores garridas, longe do registo de comédia romântica adolescente. Quanto à banda-sonora, ela anda entre o calypso, o jazz gingão e com groove, a folk e uns sons tradicionais franceses. Sempre com um ritmo muito próprio, dando corpo a um filme que joga com o humor, mas também com momentos de uma beleza muito particular.

Apesar da graça da cena final, no gelo que quebra o gelo e o impasse, sente-se que o filme se perde um pouco (só um pouco) a partir de um certo momento. E haverá quem aponte que Maggie Tem Um Plano é uma espécie de Woody Allen série B. Talvez, se Para Roma Com Amor for… um série G. Seja como for, será certamente uma das melhores e mais refinadas comédias românticas que por cá chegam. E isso, num género que cai facilmente na futilidade adolescente ou no vazio de um certo cinema independente (Juno e afins), já não é nada pouco.

7

João Torgal