500 Days of Summer

500 Days of Summer

500 Days of Summer, de Marc Webb, 2009

“500 Days of Summer” é um filme muito diferente do habitual. Apresenta-se como não sendo um romance, mas a verdade é que é, apesar de ser um romance dramático e com um final bastante diferente do conceito geral de romance, o que é, a meu ver, algo bastante positivo.
“Summer” é a personagem feminina de destaque, representando talvez a maioria das mulheres actualmente, alguém que não se quer apaixonar. Os tempos mudaram, portanto é natural que as mentalidades também mudem e os conceitos. Como tal, numa época repressiva, em que a mulher não tinha grandes hipóteses de concretizar os seus sonhos, os filmes românticos eram algo inegavelmente perfeito. Esses romances estavam repletos de floreados e “invenções” pouco naturais. Deste modo, atraíam maioritariamente um público feminino, visto que o masculino ainda se apaixonava pelo cinema de acção.
Actualmente o cinema mudou, tal como as mentalidades gerais. A mulher tem muito mais liberdade no mundo convencional, e é já capaz de criar e ter sucesso na sua vida.
Não é então de espantar que este filme seja uma adaptação à modernidade. Aqui, é o homem que sofre pelo amor pouco correspondido. É a mulher que pouco se importa, que não se quer ligar, que não quer romancear com o risco de vir a sofrer. O homem adopta assim, tal como nas sociedades em geral, o papel de “mariquinhas” e sentimentalista.
Contudo, a grande vitória do filme passa pelo final, em tom dramático mas oferecendo uma hipótese igualmente agradável. A personagem feminina principal abandona o protagonista masculino, por medo de se apaixonar e aceitar uma relação, e pouco depois apaixona-se por outro homem, casando e não receando mais o compromisso, como se tivesse tomado um comprimido e todos os medos tivessem desaparecido. O protagonista, incrédulo, decide retomar o rumo da sua vida, aprendendo a ultrapassar situações como esta, com outra porta ao lado para ser aberta.
A lição é simples: As coisas já não são bem o que eram, as mulheres comandam e os homens é que agora sofrem.
Posto isto, só falta os homens ficarem em casa a cuidar da família e as mulheres irem para a guerra. Talvez…talvez..

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Texto por João Miguel Fernandes

Arte-Factos

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