Faster

Faster, de George Tillman Jr., 2010

Os bons filmes de “porrada” são cada vez mais raros. Agora o objectivo é apenas fazer um filme com milhões de explosões, a música do momento, pouca violência e uma história tão banal que até um miúdo da primária conseguiria adivinhar o fim nos primeiros cinco minutos.

A meu ver, o problema não parte apenas dos realizadores dos filmes de acção, nem do público, mas sim dos actores escolhidos. Num filme de acção o actor principal tem uma tal importância que pode definir todo o filme a vários níveis. Casos como o de Arnold Schwarzenegger, que até nos filmes mais sério recorria ao seu humor, ou de Bruce Lee que nos fazia rir e espantar ao mesmo tempo com os seus movimentos acrobáticos, tornaram-se icónicos e algo que será relembrado para sempre no mundo do cinema. A verdade é que actualmente não existem actores com carisma suficiente para ombrearem com estas “bestas” dos anos 70, 80 e 90. Actualmente temos Jason Statham como o grande herdeiro de Stallone, mas Jason tem um problema, não é icónico, não se demarca dos outros. Além do seu sotaque british, Jason Statham é apenas mais um.
Na minha opinião o único actor que poderá chegar ao patamar dos “heróis” do antigamente é Dwayne Johnson, conhecido anteriormente como The Rock. E este filme, Faster, é um claro exemplo disso.
O novo filme de Dwayne Johnson é uma réplica de vários filmes de acção, mas apesar de tudo acaba por resultar. A personagem de Dwayne acaba de sair da prisão com apenas uma missão: matar todos os que estiveram envolvidos na morte do seu irmão. Pelo meio somos confrontados com várias reflexões ideológicas que estão bem construídas, nomeadamente a do “perdão” perante os crimes. O filme segue três histórias principais, todas elas bem construídas e interessantes. Por um lado temos a personagem de Dwayne Johnson, repleta de sede de vingança; por outro temos Billy Bob Thornton, interpretando um policia viciado em drogas e com um passado obscuro; de outro temos um jovem playboy, que decide matar criminosos apenas por desporto. Todas as três histórias são densas e, apesar de já muito batidas, resultam bastante bem, criando um filme interessante e bastante positivo. É também uma alegria ver um filme de acção bem filmado, sem as habituais câmaras rápidas e slow motions idiotas.
A personagem de Dwayne Johson é negra e convincente; as cenas de acção estão violentas, como se pede, sem exagerar!

No geral temos um filme bastante positivo, tendo em conta os filmes de acção dos últimos anos. Não se trata de um filme original e muito menos de um grande filme de acção. Porém, consegue entreter bastante o espectador e fazer-nos ficar interessados na narrativa, tanto pela construção dos personagens, como pelo argumento, sem falhas de maior a apontar.

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Texto por João Miguel Fernandes

Arte-Factos

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