Entrevista a Cláudia Guerreiro

Entrevista a Cláudia Guerreiro

Foto por Rui Carvalho

Ela é a baixista dos Linda Martini. É também ilustradora freelancer. É uma verdadeira artista uma pessoa bastante simpática. Acima de tudo é a Cláudia Guerreiro, e foi com ela que fomos falar. Uma mini-entrevista para conhecer uma grande artista e pessoa.


1 – Se pudesses escolher um artista já morto para ter uma conversa ou tocares com ele, quem escolherias e porquê?
Obviamente o Kurt Cobain! Não sei se valeria muito a pena falar com ele, mas tocar, sim com certeza! Fui e sou grande fã de Nirvana, e tocar com ele só poderia ser divertido e proveitoso.

2 – Se pudesses escolher um realizador para realizar a tua vida quem seria e porquê?
Provavelmente José Miguel Ribeiro, realizador de cinema de animação. Ter a minha vida retratada em animação ia dar uma trabalhareira equivalente à que tem sido vivê-la. Mas o resultado final ia valer bem a pena!

3 – O que andas a ouvir de música neste momento? E bandas de eleição, quais são?
Neste momento ando a ouvir o “Construção” do Chico Buarque, “Let England shake” da Pj Harvey, algumas coisas turcas das quais ainda não sei pronunciar o nome e o album de Filho da Mãe “Palácio” que vai sair em breve (tenho o privilégio de o poder ouvir antes!). Além de Nirvana, que já referi antes, tenho que voltar a falar da Pj Harvey e de If Lucy fell como bandas de eleição.

4 – Fala-me de uma pessoa que admires em particular, ou de um momento que te tenha marcado.
Correndo o risco de parecer tendenciosa, mas não tendo como fugir a isto, se há de facto pessoa que admiro é o Rui (Filho da mãe). Conheço o Rui há muitos, muitos anos, e ele sempre tocou guitarra, ora portuguesa, ora clássica, ora eléctrica…em todos os instrumentos que toca ele consegue fazer-te sentir uma gotinha de água no meio de uma imensidão de coisas incompreensíveis. Como filho da mãe que é, teve finalmente coragem para mostrar ao mundo aquilo que faz sozinho. Não há pessoa que eu admire mais, como pessoa e como músico. Tudo ali é verdade.

5 – Se mandasses em Portugal e tivesses todo o poder para alterar a estrutura cultural, o que mudarias?
Não sou inocente ao ponto de pensar que “se mandasse em Portugal” poderia mudar tudo o que quisesse e acertar em todas as escolhas sem “lesionar” ninguém. A ser possível, baixava os preços de tudo o que está associado à cultura (cinema, livros, música, teatros, etc.). Não é possivel deixar de pensar que teria que haver alternativas de financiamento para que estas áreas se mantivessem, visto que teriam menor retorno em termos de mercado…
Acho também que “salvar” os artistas de um morte certa (quem sabe por fome!) poderia ajudar a que houvesse uma maior produção e consequentemente um maior interesse pelo que é nosso e se faz por cá. Com a falta de apoio que há aos nossos artistas (e falo do apoio financeiro) estes terão sempre que procurar alternativas de subsistência em vez de se preocuparem com a sua arte. Toda a gente sabe que não é de arte que se vive. Vive-se do trabalho árduo! E a música, a pintura, ilustração, a escultura, literatura, o cinema, etc., são trabalhos menores, não tratam das necessidades imediatas das pessoas. Esta mentalidade de que na arte não se trabalha é triste e retrógrada. Estamos em 2011 e as questões da psique continuam a ser consideradas como um luxo, tal como ir ao psicólogo. Se partires uma perna vai lá ao médico, mas se tens alguma coisa que suspeitas ser uma depressão (ou algo que não percebas mas que te limita por bloqueios psicológicos) adia enquanto der porque o dinheiro tem que ir para coisas mais importantes, aquelas que não se podem adiar.
Enquanto nos alimentarmos do drama, continuaremos a ser uma sociedade precária. As coisas bonitas são necessárias. Não são vazias apenas por serem bonitas!

Entrevista por João Miguel Fernandes

Arte-Factos

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