Top 10 de 2011 por Mariana Coimbra

É, sem dúvida, uma tarefa difícil resumir um ano tão bom na esfera cultural e artística (e sobretudo musical) como o foi 2011 a apenas 10 tópicos. Num olhar atento por este ano que agora termina, com tão bons concertos, festivais, lançamentos de álbuns e também alguns filmes, foi complicado eleger os dez que mais me marcaram este ano pela sua qualidade e excelência – destacando a música portuguesa que muito me surpreendeu este ano, desde PAUS, doismileoito, Capitão Fausto, We Trust, e muitos outros. Neste sentido, foram muitos os que – talvez injustamente – tiveram que ficar de fora, como por exemplo (e aproveitando para fazer uma menção honrosa) álbuns dos Antlers, dos Summer Camp, dos Real Estate e dos portugueses já mencionados. Ainda assim, a tarefa foi cumprida.

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10- Álbum: Bon Iver, de Bon Iver

Através do seu segundo álbum, Vernon leva-nos numa viagem melódica pela sua América, por lugares reais e imaginários, através de um trabalho mais estruturado que os anteriores, ainda que permaneçam os falsetes e toda a sonoridade que o identifica e singulariza. Iniciando a jornada pela sublime “Perth”, passando pela extraordinária “Minnesota, WI”, a brilhante “Michicant” e o single mais introspectivo “Calgary”, este é um álbum todo ele marcante e genial.

9- Filme: 50/50, de Jonathan Levine

Abordando um tema tão delicado como o cancro longe dos previsíveis lugares-comuns, esta é uma comédia dramática que surpreende por todo o seu realismo e sensibilidade. Despertando as mais variadas emoções ao longo da evolução da doença de Adam (Joseph Gordon-Levitt), o espectador vê-se de lágrima no canto do olho tão depressa quanto se ri – finalmente um filme sobre uma das doenças mais mortais de sempre, que foge do drama fácil, e se arrisca numa comédia inteligente, muito bem conseguida.

8- Álbum: Within and Without, dos Washed Out

A nostalgia traduzida em chillwave por Ernest Greene resulta num fantástico LP de estreia, para mim um dos melhores deste ano. Os sintetizadores e as vozes meio diluídas produzem uma atmosfera absorvente e sonhadora de final de Verão, mas que resulta bastante bem, mesmo neste tempo mais frio. “Amor Fati” e “Far Away” são dos temas mais apaixonantes deste ano.

7- Concerto: The National @ Campo Pequeno

Os The National regressaram em Maio a Portugal para dois concertos em Lisboa e no Porto, dando um dos concertos do ano. A profundidade e genialidade das suas músicas, com especial ênfase no último High Violet, bem como a sua entrega em palco, conquistaram uma enorme plateia de fãs encantados com estes norte-americanos. Destaque-se o grande final acústico com “Vanderlyle Crybabe Geeks”, onde a cumplicidade entre a banda e o público atingiu um auge memorável – que não se repetiu, por exemplo, no seu concerto no festival Sudoeste TMN.

6- Filme: Black Swan, de Darren Aronofsky

Intenso, perturbador e até claustrofóbico, é genial na forma como retrata o lado mais macabro do mundo artístico da dança, como reproduz a angústia crescente de Nina (Natalie Portman) e o confronto violento da sua personalidade com a de Lilly (Mila Kunis), numa atmosfera vertiginosa até ao extraordinário desfecho final – uma longa-metragem extremamente envolvente, que marcou, sem dúvida, o cinema contemporâneo.

5- Álbum: The English Riviera, dos Metronomy

Num ambiente caloroso e tropical da “riviera inglesa”, os Metronomy voltam a provar a sua importância no reino do electropop, com ritmos e arranjos eficazes e muito dançáveis num inteiro álbum viciante, com especial destaque para o delicioso dueto de “Everything Goes My Way”, a genialidade de “The Look” e “The Bay”, ou o tema mais calmo e reflexivo “Trouble”.

4- Música: Midnight City, dos M83

Se há música mais viciante e bem conseguida deste ano, é sem dúvida “Midnight City”, merecendo este destaque especial – embora incluída num excelente álbum Hurry Up We’re Dreaming, esta faixa destaca-se claramente.

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3- Álbum: Helplessness Blues, dos Fleet Foxes

Um álbum arrepiante de tão belo, o folk harmonioso que estes contadores de histórias americanos nos apresentam encanta qualquer um. Simples e num ambiente introspectivo e intimista, não precisam de grandes artifícios para nos conquistar – apenas vozes coordenadas e melódicas, guitarras, e o agradável bandolim. Não há quem resista a magníficas canções como “Lorelai”, “Helplessness Blues” ou “Battery Kinzie”.

2- Álbum: James Blake, de James Blake

James Blake é considerado das revelações deste ano e não é por acaso – o britânico surpreendeu com este que é o seu álbum de estreia. Enigmaticamente emocional, intensamente simples e, de certa forma, distante, Blake mistura o eco da sua voz frágil, arranjos digitais, silêncios inquietantes e batidas graves e vibrantes, criando uma poderosa atmosfera mística e hipnotizante que nos cativa. Cortando com os lugares-comuns da música pop, cria um estilo único e pessoal – cujo resultado é um álbum fascinante.

1- Concerto: Arcade Fire @ SBSR

Numa setlist muito bem conseguida, que viajou pelos três álbuns da banda, os Arcade Fire conquistaram o público português dando um concerto memorável, apesar do pó do festival. Tocando todos os seus êxitos, como “Wake Up”, “Rebellion (Lies)” ou o mais recente “Ready to Start”, que já se tornaram autênticos hinos desta jovem geração, foi criada uma excelente empatia com o público, que saltou, cantou e gritou com os canadianos. Sem dúvida, o concerto do ano.

Texto por Mariana Coimbra

Arte-Factos

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