Spoek Mathambo + Throes+The Shine no MusicBox (19/05/2012)

Spoek Mathambo + Throes+The Shine no MusicBox (19/05/2012)

Texto por Cláudia Filipe / Fotos por Andreia Vieira da Silva

Quem entrasse pela porta do MusicBox às 00h, hora marcada para o início dos concertos, quase que podia adivinhar um potencial desastre. As pessoas contavam-se pelos dedos das mãos para uma noite que prometia festa. Spoek Mathambo, a encabeçar o cartaz, apresentou-nos “Father Creeper“. A primeira parte coube aos nossos Throes + The Shine, mais uma grande aposta Lovers & Lollypops, que vieram a Lisboa apresentar o tão aguardado “Rockuduro“, a sair do forno.

Aos primeiros acordes de Ewe olhamos para trás e o número de pessoas na audiência tinha-se multiplicado que nem cogumelos. Se vieram atraídos pelo Rockuduro praticado pelos Throes + The Shine, não sabemos. Mas a verdade é que ninguém parou de dançar por um segundo que fosse. A banda, que se estreou na última edição do Milhões de Festa, revela um à vontade e uma paixão pelo que faz tão contagiante que é impossível resistir a abanar o pé ou a ignorar os apelos para chegar mais perto do palco e dançar mais. O ritmo frenético marcado pela bateria e guitarra dos Throes aliada aos hipnotizantes moves e energia dos The Shine aqueceram, e de que maneira, a sala.

Sempre muito comunicativos, passaram revista por Rockuduro, o “primeiro filho” da banda, como explicava Diron com um brilho no olhar. Batida, a “primeira filha”, foi um dos grandes momentos. Com a letra na ponta da língua, muitos ousaram acompanhar o quarteto, que agora virou quinteto com a inclusão da força do baixo, que vem enriquecer e engrandecer os ritmos quentes da banda. E faz toda a diferença. Dança Bué fechou temporariamente a actuação, já que a pedido do público ainda houve tempo para um encore ao som de Adrenalina, com muitas ovações à mistura, vindas de um incansável e rendido público.

Fasquia demasiado alta para receber o sul-africano Spoek Mathambo. Com Father Creeper na bagagem, apresentou-se para um público já algo desgastado com o avançar da hora e, que neste ponto, estaria difícil de convencer. “Muito dificilmente vai conseguir fazer melhor…”, diziam algumas vozes à nossa volta. E não se enganaram. Apesar do início frenético, o pulso necessário para agarrar a audiência acabou por ir esmorecendo. Não que a culpa seja necessariamente do músico, ou da banda com que se fez acompanhar, que não comprometeu e teve uma actuação bastante positiva, mas a noite já tinha sido tomada de assalto pelos Throes + The Shine, a quem Spoek Mathambo não se cansou de distribuir elogios.

Definir a sonoridade de Spoek Mathambo não é fácil, tal é o número de influências que lhe conseguimos notar. Enquanto a sua actuação durou, fomos do hip-hop ao reggae, sempre com moderado rock por trás, com alguma pitada de psicadelismo à mistura por vezes. Ousaram e arriscaram ao anunciar uma cover da She’s Lost Control, original dos Joy Division, mas apresentaram uma versão bastante interessante e bastante bem recebida pelo público. No entanto, o momento alto da actuação do sul africano ainda estaria para vir. No encore chamou os The Shine, a quem rapidamente se juntaram os Throes, e, todos juntos em palco, deram uma grande festa que se prolongou por largos minutos.

Spoek Mathambo pode ter sido o cabeça de cartaz, mas a verdade é que acabou ofuscado pela vivacidade, entrega e alegria dos nossos Throes + The Shine, que fizeram a festa. Dançámos bué e teríamos facilmente continuado a fazê-lo por bastante mais tempo. De uma humildade extrema, deram mais uma lição de que o truque é pôr alma em tudo o que se faz. E que orgulho é poder assistir a espectáculos assim.

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