Festival FUMO promove encontro com artistas e produtores

Texto e foto por Henrique Mota Lourenço

A Experimentáculo, associação cultural setubalense responsável pela organização do Festival Urbano de Música e Outras Coisas, reuniu no passado Sábado na Casa da Baía, António Rafael (teclista dos Mão Morta), Vítor Joaquim (músico da cidade) e José Fortes (técnico de som e produtor que trabalhou com mais de trinta nomes da música portuguesa, que vão desde Fausto aos Heróis do Mar).

O objetivo do encontro visava o debate em torno da temática “O Som- Produção e Criação Musical”.

A primeira intervenção foi a de António Rafael, que nos falou um pouco sobre o que o levou a entrar no mundo da música. O músico salientou fortemente a ideia de que para criar e compor uma música, não necessitamos obrigatoriamente de formação teórica, mas sim da partilha de experiências entre músicos.

Foram ainda abordadas as desvantagens e vantagens da introdução de novas tecnologias e a temática dos downloads ilegais, associadas às dificuldades das editoras, como é o caso da Cobra, editora lançada por António e Adolfo Luxúria Canibal (que também esteve presente na sala, mas apenas na plateia).

Concluiu a sua intervenção explicando que tudo o que alcançou se deve tanto ao facto de fazer apenas o que quer, em termos de criação, como a ter um trabalho fora da música, neste caso como técnico de turismo e de não se dedicar a cem por cento à actividade musical.

José Fortes, o mítico técnico de som português, abordou mais a questão da produção em si. E elucidou os presentes quanto ao carácter técnico-artístico do som, mostrando que os técnicos de estúdio trabalham com dois parâmetros, a acústica e electrónica enquanto os artistas trabalham com tempo e dinâmica e tudo isto terá como resultado final, o som.

Mostrou-se receptivo quanto à utilização das novas tecnologias na música e aprecia a influência do bom equipamento na criação de bom som.

Criticou a banalização do disco, os críticos musicais e a existência de “tudólogos” (termo utilizado por José para se referir aos músicos e produtores que consideram saber de tudo um pouco).

Pelo meio foi-nos contando algumas histórias, nomeadamente em relação ao período que passou em estúdio com os Mão Morta e com Jerry Marrota (ex-baterista do Peter Gabriel).

Numa das últimas partes da sua intervenção deixou no ar uma afirmação que merece ser salientada: “Quando não falam do técnico de som é bom, é sinal que o trabalho está bem feito, por isso não gosto que falem de mim”.

No final houve ainda tempo para algumas questões que, em forma de debate, foram moderadas pelo músico Vítor Joaquim.

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