Marés Vivas TMN 2012 - 3º dia (20/07/2012)

Marés Vivas TMN 2012 – 3º dia (20/07/2012)

Texto e fotos por Gustavo Machado

Ao terceiro dia, o festival Marés Vivas entrou em modo fim de semana e arrancou com nomes portugueses que têm tido algum airplay graças aos seus singles mais orelhudos. No palco Moche, os Virgem Suta aqueceram quem chegava ao festival e abriram caminho aos Ebony Bones, que abriram o palco principal.

Num dia de casa cheia (25.000 pessoas, segundo a organização) o palco principal abriu quando ainda estavam poucos festivaleiros no recinto, com a actuação dos enérgicos Ebony Bones, que se apresentaram cheios de vontade de agradar a quem se chegava ao palco, atraído pelos ritmos quentes da banda britânica. Sem encantar, mas sem desiludir, a poderosa Ebony Bones, que empresta o seu nome a todo o colectivo, foi trocando de roupa e dando alma ao grupo que antes de abandonar o palco ainda se aventurou numa cover de “Enjoy the Silence” dos Depeche Mode.

Os Azeitonas

Não foi um concerto memorável, mas cumpriu o propósito de atrair o público (até então disperso nas diversas atracções, passatempos e a aconchegar o estômago para o que ainda havia de vir)  para a zona de acção, e cerca das 22h, Os Azeitonas subiram ao palco parar tentar justificar o sucesso de que têm gozado. Com um número considerável de elementos em palco, o conjunto portuense soube intercalar bem os seus temas mais conhecidos com músicas que seriam estranhas para a maioria do público. Numa sonoridade pop abrilhantada pela secção de sopro e percussão, foram saindo temas como “Mulheres Nuas” e “Quem és tu miúda”. Enquanto se preparava o caminho para se levantarem os aviões que todos queriam ver, Os Azeitonas sacaram de um enorme trunfo, e Rui Veloso juntou-se a Nena para tocar “Nos desenhos animados”. O pai do rock português ficou até ao final para tocar “A paixão” (e puxar o maior sing along do concerto), e acompanhar o passeio para ver os aviões, com que Os Azeitonas terminaram o seu concerto.

Chegada a hora dos grandes nomes no palco principal, foi a vez de Billy Idol destilar o rock carregado de experiência. Do alto dos seus 56 anos, o inglês mostrou porque é um nome que ficará para sempre na historia da música, e provou que a experiência pode ser uma grande mais valia quando a idade já obriga a alguma contenção. Com os truques do rock todos sabidos, Billy agarrou o público com os seus maiores êxitos, tendo iniciado o desfile logo à segunda música, com o eterno “Dancing with myself”.

Billy Idol

Numa parceria perfeita com Steve Stevens, Idol não teve vergonha das rugas, e sorria ao saber que por cá foram ainda muitos os que o quiseram ver e ouvir. A acalmia chegou com dois temas que trouxeram a melancolia e o amor ao cabedelo: “Sweet sixteen” e “Eyes without a face”. “Lembras-te de ouvirmos isto ha 20 anos?” perguntava um rapaz na flor dos 40 ao nosso lado. E ela lembrava, claro. Ficamos a saber,que havia espaço para o amor no Marés Vivas, mas preferimos contemplar o dedilhar virtuoso de Stevens e a postura irrepreensível de Billy “fuckin’ ” Idol (como o próprio fez questão de se auto-denominar repetidas vezes). Mais para o final, Billy soltou o seu “Rebel Yell” e após um curto encore e o agradecimento “Thank you Portugal, for making my life so fuckin special!”, surgiu “White wedding”, para celebrar em beleza uma união muito bem conseguida entre público e banda, num concerto que terminaria com mais uma demonstração de vitalidade pós-punk com “Mony Mony”.

Gogol Bordello

Para encerrar as hostilidades no palco principal, chegaram os Gogol Bordello e a sua descarga de energia apoiada num gipsy punk que fez levantar nuvens de poeira desde o inicio do concerto. Cada espectáculo desta banda “sucursal das nações unidas” é uma festa que contagia todos os que estao abertos a dar um pezinho de dança, e durante “Not a crime” e “My companjera” não causou surpresa que por todo o recinto se avistassem grupos em animadas coreografias ciganas, punk, ou… bom, algo que não se consegue descrever. No palco, Eugene Hütz, que foi perdendo roupa à medida que o concerto avançava, incitava ao “circle pit” que parece ser a energia que alimenta os Gogol Bordello, que só em “When the universes collide” abrandaram por momentos o ritmo, talvez para recuperar o folego para uma recta final do concerto em que se destacam claramente “Pala Tute” e “Start wearing purple”, que já se tornaram hinos da festa gipsy-punk após as diversas visitas dos Gogol ao nosso país. O registo musical da banda não é muito variado e ,talvez por isso, (e por ser já bastante tarde) antes do final do concerto muito público começava a abandonar o Cabedelo, certamente satisfeito pelo bom conjunto de concertos que presenciaram nesta sexta-feira. Os mais resistentes fizeram a festa até ao fim das forças, e quando os Gogol Bordello se despediram (demoradamente) de Gaia, ficou-nos a certeza que o sorriso que parece nunca sair do rosto de Eugene Hütz, se espalharia hoje por muitos mais milhares de pessoas.

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