Ted

Ted

Esta é a história de uma criança que encontrou no seu urso de peluche o melhor amigo. Posto de parte por todas as outras crianças, John desejou que o seu pequeno Ted fosse capaz de falar consigo. Como o universo não gosta de negar os desejos das crianças, Ted transformou-se no melhor amigo de John Bennett por muitos, muitos anos. Até aqui tudo bem.

O problema é que não foi só John a crescer com o passar dos anos; Ted também se tornou num peluche adulto e as brincadeiras no quarto rapidamente se tornaram em serões a fumar droga na sala ou em rambóia em casa pela noite dentro. Quem não gosta muito desta amizade infantil é Lori Collins, a namorada de John, que começa a chegar ao limite da paciência com a infantilidade do namorado, que continua a viver com o urso de peluche.

É esta a premissa de Ted, que nos chega pela mão de Seth MacFarlane, criador da famosa série Family Guy. A avaliar pelas primeiras linhas, podia parecer uma história convencional, mas o início do filme mostra-nos que não é o caso. Começando pela narração de Patrick Stewart, seguindo para a vida adulta de John e Ted e todas as situações que se seguem, imediatamente percebemos que ‘normalidade’ é um conceito que não encaixa aqui.

Mark Wahlberg e Mila Kunis estão muito bem nos seus papeis, mas é o peluche Ted que rouba todo o espectáculo. Impressionante é também a forma como este último aparece, sem qualquer estranheza, como mais uma personagem, mesmo não sendo ‘real’. Era muito fácil todo o conceito do filme falhar se não parecesse natural ter Ted no meio de  personagens humanas. Não é o que acontece e está atingido meio caminho para o sucesso.

O outro ingrediente para o sucesso é, obviamente, o humor. Não dou aqui exemplos, mas o trailer é uma pequena amostra daquilo que podemos esperar. E quando digo ‘pequena amostra’ é mesmo essa a ideia, porque é comum ver filmes que condensam todo o humor num par de minutos no trailer e depois pouco mais têm para oferecer na versão completa, não conseguindo arrancar um sorriso do espectador.

Ted é um filme sobre um rapaz e um peluche, mas não é, de forma alguma, um filme para crianças. Está recheado de referências às últimas duas décadas do século passado, com o tipo de humor que encontramos em Family Guy, sem que necessite de muito mais para compensar bastante o tempo dispensado para o ver. É dos poucos casos em que até é positivo a falta de conteúdo, pois permite a Seth MacFarlane brilhar naquilo que sabe fazer melhor.

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Texto por Sandro Cantante  

Arte-Factos

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