Paradise Lost + Soen no Paradise Garage (03/10/2012)

Paradise Lost + Soen no Paradise Garage (03/10/2012)

Texto e fotos por Andreia Vieira da Silva

Os britânicos Paradise Lost voltaram a solo nacional, para publicitar o mais recente registo, lançado este ano, “Tragic Idol”. Para primeira parte, trouxeram uma banda que bem poderia estrear-se por terras lusas a solo, pois seguidores não lhe faltam, Soen. Como era de prever, casa cheia para assistir aos concertos de duas bandas fenomenais na cena metal mundial.

Pela hora marcada, os Soen movem-se descontraidamente  no meio do público, para subirem a palco. Esta super-banda é formada por elementos bem conhecidos dos amantes de metal, e Cognitive, o álbum de estreia, foi lançado este ano, tendo tido até ao momento, na sua maioria, uma boa aceitação tanto da crítica, como do público. Com toda uma pontualidade bem assente, Joel Ekelöf (dos Willowtree), vocalista, Martin Lopez (ex-Opeth) na bateria, Steve DiGiorgio (ex-Death, Testament e Sadus) no baixo e o guitarrista Kim Platbarzdis dão início aos primeiros acordes que partem de “Fraktal”.

Outras faixas que compõe o disco preencheram o alinhamento, tal é o caso de “Fraccions”, “Slithering” e a última, “Savia”, que nos trouxe uns Soen, muito inspirados, e muito compenetrados no seu verdadeiro ser musical, calando algumas vozes que os podiam pintar como uma cópia descarada de Tool. Joel fez questão de saudar o público português, e agradecer a todos os que compareceram para os ouvir.

Após uma longa mudança no cenário de palco, entre uma debandada dos instrumentos da primeira banda, e a reposição com a “casa” da segunda e principal banda da noite, cerca de 15 minutos após as 22h, os Paradise Lost entram em palco, com “Widow”, daquele que muitos consideram como o melhor álbum da banda, Icon, de 1993. Segue-se uma amostra do novo registo, “Honesty in Death”, que parece já ser bem decorada pelo público.

Com “Erased” voltamos a Symbol of Life, que remonta a 2002. Um álbum com uma vertente electrónica mais amenizada, mas ainda contendo algumas directrizes dos trabalhos que o precederam, e que foram duramente criticados por se distanciarem do som crú e original do grupo. “Forever Failure” leva-nos de novo aos anos noventa, pela altura de Draconian Times, assim como o tema seguinte, “Soul Courageous”, vindo de One Second, de 1997.

O restante alinhamento principal é composto por temas do álbum mais recente, duas de Shades of God, de 1992, “As I Die” e Pity the Sadness”, também pela canção que empresta nome ao álbum Symbol of Life, mais duas extraídas do disco de 2007, In Requiem, neste caso, “Praise Lamented Shade” e “The Enemy”, esta última a fechar o alinhamento principal e bastante entoada por quem lá estava, como se de um hino se tratasse.

Após uma pausa, dá-se início ao encore, começando por voltar a One Second, com a canção homónima. Seguidamente, “Fear of Impending Hell” mostra-nos mais um pouco de como soa este novo disco ao vivo, sendo uma das amostras mais fortes. O set é finalizado com “Faith Divide Us – Death Unite Us” do álbum com o mesmo nome, de 2009, e “Say Just Words” também de One Second.

Para rematar, faltou muito a esta performance da banda de Inglaterra. A voz de Nick Holmes, de cabelo quase inexistente e barba feita, perdeu muito do que tinha e temas tão estrondosos, melódicos e melancólicos não passam totalmente esse espectro de qualidade, quando os ouvimos ao vivo. É um concerto que não enche, especialmente para quem, sendo fã, foi de expectativas muito elevadas. Os Soen, mesmo estando no papel de banda “aperitivo”, acabaram por realizar um trabalho mais sólido que a banda da noite.

Arte-Factos

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