Flashback: Pink Floyd - The Wall

Flashback: Pink Floyd – The Wall

O que é melhor do que ouvir um dos melhores álbuns de sempre? É poder ouvi-lo e vê-lo. “Pink Floyd– The Wall” é a versão cinematográfica do álbum conceptual desses monstros do rock, Pink Floyd, e o grande mentor por detrás das duas obras é Roger Waters.  Mesmo que este não tenha ficado satisfeito com o resultado final (o roteiro é de Waters, a realização de Alan Parker) , “Pink Floyd- The Wall” é uma obra de arte que merece ser vista por todos.

O filme usufrui de poucos diálogos, sendo quase toda a narrativa guiada pelas músicas do álbum. E tal como nos conta o álbum (fortemente influenciado pela vida pessoal de Roger Waters), Pink (representado na vida adulta por Bob Geldof) é um rapazinho que cresce oprimido e revoltado com a sociedade. Inúmeros são os acontecimentos que vão levá-lo a isolar-se do mundo, ou metaforicamente falando, os tijolos que vão levar a construir o muro. Tudo começa com a morte do seu pai na 2ª Guerra Mundial (que influencia a forte crítica ao belicismo); a dificuldade em lidar com a superproteção da mãe, o que se refletirá nos seus relacionamentos posteriores (destaca-se aqui a visão edipiana da relação mãe/filho, em que vão sendo intercaladas cenas maternais com cenas da vida sexual e emotiva de Pink); os problemas na escola com o seu professor (estando aqui presente uma das grandes criticas do álbum/filme, a educação que molda de forma padronizada os alunos privando-os da reflexão criativa e crítica sobre o mundo); a traição da mulher e consequente separação… Tudo são motivos que levam Pink a um estado de isolamento e alineação social que o levam à loucura (sendo o ponto alto representativo desta insanidade a alucinação em que Pink se apresenta como um ditador nazi perante o público). Todos estes elementos servem de instrumento a críticas sociais e politicas vividas na época e que vão sendo perfeitamente representadas na conjugação das imagens com a música.

Ao longo do filme vamos mergulhando na mente de Pink e grande parte deste processo dá-se através de segmentos animados que ficaram a cargo de Gerald Scarf. Através de imagens grotescas, criaturas mutantes, sangue, horror, violência, Scarf cria o mundo sombrio por excelência que acompanha na perfeição a trilha sonora. Um dos grandes destaques da animação vai para a belíssima cena em que duas flores se movimentam ao som de uma versão alargada de “Empty Spaces”, “What Shall We Do Now”, e começam a representar uma relação sexual terminando na fêmea a adquirir forma de monstro e a devorar o macho.

Mais de que um filme psicadélico, “Pink Floyd – The Wall” é um hino de revolta intemporal, pois facilmente revemos nele a situação actual do mundo, pois poucas são as falhas da sociedade do mundo ocidental que não estão aqui representadas.

Apesar do ambiente sombrio e depressivo do filme, a mensagem final é positiva. Mas isso cabe aos leitores que ainda não viram o filme descobrir.

Texto por Bruna Oliveira

Ilustração por Tiago Dinis

Arte-Factos

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