Ornatos Violeta no Coliseu do Porto (30/10/2012)

Ornatos Violeta no Coliseu do Porto (30/10/2012)

Texto por Ana Soares / Fotos por Gustavo Machado

O regresso dos Ornatos Violeta a “casa” era imensamente aguardado há meses, com as três datas do Coliseu do Porto completamente esgotadas. Passava pouco da hora marcada quando a banda subiu ao palco para receber a primeira grande ovação da noite, mesmo antes de ter começado a epopeia de música com que brindaram o Porto.

Foi com “Para nunca mais mentir” do álbum “O monstro precisa de amigos”, que os Ornatos abriram as hostes a uma noite memorável. E foi de memórias que se compôs o alinhamento, com um Coliseu repleto a receber êxitos como ”Dama do Sinal”, “Chaga”, “Dia Mau”, “Ouvi Dizer”, “O.M.E.M.”, “Pára de Olhar Para Mim”, temas do álbum “Cão” e “O monstro precisa de amigos”, entre outros temas inéditos como “Os Sítios onde eu o Esqueço” ou “Gato com Dois Chifres”.  Foram, no total, 36 músicas para quase três horas de concerto, que passaram rápido dentro da sala portuense.

Visivelmente felizes e emocionados com este regresso aos palcos e a casa, Manel Cruz, Peixe, Nuno Prata, Elísio Donas e Kinorm deram ao público tudo o que ele queria ouvir, e o público retribuiu cantando quase todas as canções em uníssono, com o mesmo sotaque que Manel Cruz transporta para as suas canções. No final de “Ouvi Dizer”, foi a 3000 vozes (e com a coordenação de Manel Cruz) que se substituiu Vítor Espadinha no poema que todos sabem de cor, criando um daqueles momentos de comunhão entre banda e público que talvez só a ausência dos palcos por tantos anos consiga explicar.

“Sabem contar?” – Perguntou Manel Cruz. Estava na hora de os Ornatos vestirem a sua capa de “Capitão Romance” e deixarem assim o palco pela primeira vez. Muito aplaudidos, com imensos agradecimentos, e uma enorme felicidade estampada no rosto dos 5 membros da banda. O primeiro regresso fez-se com a explosão de “O.M.E.M”, e o “Punk moda funk” que cumpriu a sua própria profecia, e voltou mesmo.

O segundo regresso ao palco foi para um grupo de temas curtos e icónicos dos Ornatos. “Raquel” e “Marta” podem ser a música de qualquer um de nós, basta substituir o nome, e a “Chuva” assenta tão bem a uma cidade como o Porto.

Num coliseu a fervilhar de emoções e gerações tão distintas, é dificil destacar um só momento. Foi um concerto intenso, uma bonita partilha entre público e banda, uma verdadeira festa. Foi uma noite que dificilmente será esquecida pelos que dela fizeram parte, e foi ainda mais memorável para aqueles que, no terceiro encore subiram ao palco para fazer a festa com a banda e cantar (nem sempre muito bem) “Pára-me agora”. A união (quase final), só à espera dos “Dias de Fé” que haviam encerrado os concertos anteriores deste regresso da banda portuense.

Mas o Coliseu não desistiu de chamar pela quarta vez o grupo liderado por Manel Cruz, que após contemplar a sala e receber o calor que só se tem em casa, teve que dizer, com um enorme sorriso “Esta é mesmo a última!”. E não haveria melhor forma de fechar uma noite assim. Depois de tantas horas, tantos temas, tantas palmas e tantos sorrisos, os Ornatos disseram-nos: “Chegamos ao fim da canção / E páro um pouco para dormir”.

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