Entrevista a Vitorino Voador

Entrevista a Vitorino Voador

Vitorino Voador

João Gil é conhecido pelos inúmeros projectos em que participa, seja nos You Can’t Win, Charlie Brown; Diabo na Cruz ou Feromona, o músico é parte activa de todos eles e, agora, decide abrir asas e voar. Vitorino Voador é mais que um nome, é a personagem que encarna e que deu vida a “Vitorioso Voo”, o primeiro trabalho editado a solo e, com ele, a sua “Carta de amor foleira” foi entregue em casa de todos nós. Mais que motivos para nos levar à conversa com este “fazedor de pop estranha”, como já foi apelidado, sobre o lançamento do disco, expectativas e, a presença no festival de inverno lisboeta, o Vodafone Mexefest, onde irá estar presente no dia 8 de Dezembro.

1. Como é que surge este projecto Vitorino Voador? Era algo em que já pensavas há algum tempo fazer, e esta acabou por ser a altura certa para o concretizares?
Olá a todos! O Vitorino Voador nasceu de uma necessidade minha de mostrar músicas que faço e que não se encaixam nos grupos em que toco. Faço música desde que me lembro mas só agora me pareceu certo mostrar o que faço, não sei porquê, é apenas uma coisa que sinto e que antes não sentia, por isso aproveitei essa vontade e assim surge o Vitorino Voador!

2. São muito diferentes as tuas influências enquanto compositor de Vitorino Voador em oposição ao trabalho nos outros projectos em que te vês envolvido, com uma banda por trás?
Não, acho que são as mesmas influências, as referencias que tenho são sempre as mesmas independentemente do grupo em que estou concentrado naquele momento, apenas muda a forma como trabalho e como direciono as ideias. Tenho uma forma de trabalhar com You Can’t Win, Charlie Brown que não é a mesma de Diabo na Cruz que por sua vez não é a mesma do Vitorino Voador e o resultado final é sempre diferente. As linguagens musicais de cada grupo são diferentes, acho que mesmo que me esforçasse para que soassem iguais isso não aconteceria.

3. Já te descreveram como um “fazedor de pop estranha”, porque é que achas que apelidaram a tua música dessa forma?
Gosto desta pergunta (risos), eu próprio não sei bem o porquê deste título que ganhei, mas posso dizer que gosto! Eu acho que pode ter uma relação com as letras que escrevo, mais do que com a música. Aquilo que escrevo é muito directo e 100% sincero, não tento limar aquilo que penso só para que se torne mais poético, e isso pode soar “estranho”, eu próprio quando vou ouvir o que faço penso “hmmmm, isto está meio estranho”, mas é sincero e essa é a única regra que coloquei a mim mesmo e que não quero desrespeitar.

Vitorino Voador

4. A tua “Carta de amor foleira” foi ganhando algum tempo de antena na rádio, e foi também incluída num dos discos da compilação Novos Talentos Fnac deste ano, mesmo antes de o disco sair, ficaste surpreendido com a boa reacção ao tema?
Fiquei surpreendido, por vários motivos, porque até ali nunca tinha tido feedback em relação à minha música, porque quando a escolhi para single pensei “isto tem tudo para correr mal, mas vamos, quero ver a reacção!”, porque aquela musica não era um reflexo de tudo aquilo que fazia e porque eu próprio não conseguia prever o meu futuro a mais de 15 minutos daquele momento em que enviei a música para a compilação. Numa coisa tinha razão, houve reacção (que era o que eu mais queria), houve pessoas a dizerem-me que tinham ouvido a música e que não sabiam o que haviam de pensar mas que de repente davam por elas a cantar o refrão, houve pessoas que odiaram a música e houve pessoas que gostaram muito. Fico feliz por todas as que me disseram tudo isto, as boas reacções e as más também e as que nem sabiam o que achar (risos)… A carta de Amor marca um momento da minha vida que pude partilhar com todos, não fica nada por dizer.

5. Mais importante ainda, como é que o True Blood encaixa aqui, foi uma boa inspiração?
O True Blood não é mais nem menos do que uma das minhas histórias preferidas de sempre, de repente o vampiro como eu sempre gostei está de volta, numa altura em que parece que querem à força vampiros sem dentes bicudos e que andam durante o dia e vão à praia… Desde sempre que adoro o universo dos vampiros, li o Drácula, um romance lindo, li tudo o que havia da Anne Rice e reli a “Entrevista com o Vampiro”, adorei o filme e continuo a dizer que o Tom Cruise e o Brad Pitt fizeram ali grandes papéis, mas nem todos querem acreditar em mim. Quando escrevi a Carta de Amor Foleira andava a ver a série e senti que havia ali uma ligação com o que estava a dizer, e como o Bill e a Sookie já me andavam a irritar, torci pelo Eric.

6. O “Vitorioso Voo” foi editado recentemente pela Optimus Discos, e parece estar a ser igualmente bem recebido, como é que tem sido o feedback até agora?
O feedback tem sido sempre muito bom, muito melhor do que alguma vez imaginei, sinto que existe um espaço para a “Pop Estranha” que falámos antes e isso deixa-me muito feliz.

Vitorino Voador - Vitorioso Voo

7. Como Vitorino Voador já tiveste oportunidade de tocar alguns temas em lugares menos comuns, assim de repente lembro-me do vídeo para a MPAGDP (não tanto pelo lugar, mas pela situação) e o do Musiquim, como é que foram essas experiências? Deve ser marcante, não?
Foram duas experiências muito boas, a primeira do Musiquim foi engraçada porque nunca tinha feito nada daquele género, tive a sorte de poder tocar numa das lojas de chapéus mais antigas do país e de conhecer o Sr. Belchior (dono da loja), que me recebeu como se fosse da família e ainda foi ao meu concerto nessa noite! Dias depois descobri que este senhor é tio do meu amigo Silas dos Pontos Negros, foi uma daquelas coincidências bem felizes, posso dizer que um dia destes vou tocar uma música que se chama “Sr. Belchior”, já está feita! O vídeo da MPAGDP foi único, andávamos naquele jardim às voltas a pensar o que fazer, já não tínhamos muito tempo e de repente vi aqueles senhores sentados e perguntei à equipa o que achavam de filmarmos uma música no banco com eles, eles disseram que sim e fui lá falar com os senhores que disseram logo que sim, mas eu expliquei-lhes que a única condição era eu não interromper a conversa que estavam a ter antes e assim foi, conversa boa durante a música! Acho que até me enganei na letra porque estava tão interessado na conversa deles que às tantas me esqueci que estávamos a filmar.

[vimeo http://vimeo.com/53958804 w=470]

8. E em relação aos concertos de apresentação, como é que têm corrido?
Cada um à sua maneira tem sido especial, o último de apresentação do EP na Ler Devagar foi talvez o mais especial. Acho que as pessoas sentiram aquilo que lhes queria transmitir e isso foi muito bom. Em cada concerto tenho vindo a perceber a importância da comunicação com o público, coisa que desconhecia nas outras bandas onde me posso esconder atrás de guitarras e teclados (risos) … Agora é das coisas ao vivo que me dá mais gozo, poder falar com as pessoas e contar-lhes as histórias e os porquês das músicas e das letras.

9. És uma das confirmações para o dia 8 de Dezembro do Vodafone Mexefest, com concerto no Altis. É também um daqueles lugares que fogem um pouco ao habitual, quais são as tuas expectativas para este concerto e o que é que o público pode esperar dele?
Em relação ao espaço não posso mesmo falar porque ainda não conheço, mas já ouvi dizer boas coisas, vai ser bom de se fazer! Em relação ao que o público pode esperar, podem contar com músicas do Vitorioso Voo, do próximo disco e músicas que não vão estar nem num nem noutro mas que ainda estou a decidir onde vão ficar! Vai ser um concerto a solo mas vou ter um convidado a certo ponto, quem quiser levar um disco para casa também vai poder porque vou ter lá discos e mais coisas. Mas acima de tudo espero que seja um concerto do qual as pessoas que assistirem saiam de lá contentes, se isso acontecer eu também vou sair de lá contente por ter sido capaz de lhes mostrar aquilo que faço.

10. E como é o futuro do Vitorino Voador? Abrir ainda mais as asas para voos mais altos?
O futuro do Vitorino Voador só é certo numa coisa, que irá existir enquanto eu existir. Voar mais alto é uma coisa que quero ser capaz de fazer, mesmo que uns voos não sejam tão altos como outros, mas só o facto de voar já me vai fazer ver que valeu a pena!

Entrevista por Hugo Rodrigues

Arte-Factos

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