Centurion

Centurion

Actualmente, basta um filme ter Michael Fassbender para se tornar um ponto de interesse, dado estatuto que o actor já adquiriu. Este Centurion é, no entanto, anterior a esse boom de popularidade que Fassbender teve.

O contexto da história é a batalha entre os Romanos e os Pictos, que tem lugar em solo britânico, no ano 117 A.C. Depois de alguns falsos arranques naquela que vai ser a principal história dentro deste cenário maior, percebe-se que vamos seguir um grupo de guerreiros de Roma, sobreviventes de uma emboscada do inimigo. Michael Fassbender é Quintus Dias, narrador de tempo a tempo e parte do grupo de sobreviventes que luta pela vida. O desejo de voltar a casa é uma constante, mas um grupo dos mais temidos guerreiros Pictos fez dos Romanos a sua presa e não está disposto a deixá-los regressar. É confusa, quase até ao final, a intenção de Neil Marshall relativamente à aproximação que vai ter à história. Quando percebemos aquilo que realmente interessava, o filme acabou e muito fica de fora.

A acção do filme oferece tudo aquilo que é comum achar-se que resulta: violência muito visual e gratuita, um festival de sangue e belas guerreiras ao virar de cada esquina. Não deixa de ser algo interessante de se ver, mas quando este é o maior destaque de um filme, algo está errado. Era aconselhável colocar um pouco mais de dedicação no argumento confuso em vez de tanta a imaginar diferentes formas de matar pessoas com objectos cortantes. Pior ainda, é o facto de os planos utilizados em algumas batalhas ficarem muito aquém, tornando ainda mais complicada a tarefa de se conseguir gostar de repetidas mortes sangrentas.

Centurion consegue ser, na melhor das hipóteses, um parente pobre de 300. É fácil de se ver, para quem tem interesse em ver muito sangue e cabeças a rolar, mas é vazio. A história é confusa, a caracterização é pobre, o rumo das personagens parece forçado e o final não satisfaz. O nome de Fassbender poderá atrair alguns mais curiosos para ver outras coisas do actor, mas não o conhecendo, também não seria por aqui que alguém lhe daria muito crédito. Não faz muito por uma personagem que também não tem muito para oferecer. Um pouco como o filme, no geral.

Texto por Sandro Cantante

Arte-Factos

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