Willy Moon no Musicbox (26/01/2013)

Willy Moon no Musicbox (26/01/2013)

Willy Moon

Texto por Raquel Silva / Fotos por Cláudia Andrade

No início do ano passado, escrevi que não previa que Willy Moon fosse um símbolo. Escrevi que tinha bom gosto (mencionando a partilha de “Shakin’” com Jack White), e dei a entender que nunca seria reconhecido por aí além. Desde aí, o pequeno Willy ficou maior. Jack White recrutou-o para a sua editora, fez a primeira parte dos concertos do patrão, confirmou, cancelou e remarcou um concerto – onde estivemos ontem -, mas no fundo continua o mesmo miúdo. Em casa, só sabemos dele quando lança um vídeo com uma música nova. O disco ainda não saiu, e quem encheu ontem o Musicbox não conhecia muito mais que 5 músicas.

Fui confirmar se Willy Moon será mesmo mais que uma promessa, e se é merecedor de todo o investimento que Jack White (e eu, via fanatismo!) fez nele. A verdade é que já todos levámos vacinas mais demoradas que o concerto de ontem. Em 25 minutos, Willy Moon conseguiu mostrar o seu repertório, fazer duas covers e ainda dar dois dedos de conversa a uma sala cheia. É mais que uma promessa, e não seriam precisos mais de 25 minutos para o confirmar (ainda que soubessem bem).

A acompanhá-lo, duas das The Black Belles, irmãs de editora, sentavam-se à bateria e posavam de guitarra. Será aqui que entra o único apontamento negativo que faço à noite de ontem – o desequilíbrio entre instrumentos e voz, que se perdia por demasiadas vezes no meio da brutalidade das duas damas. De resto, passemos à clássica descrição: a começar, “Shakin’”, pertencente originalmente a Little Willie John, soava vinda do backstage. Impecavelmente vestido, como se esperava, entrou o crooner dos nossos tempos, sapato de verniz que não iria parar a noite toda. Escusado será dizer que “She Loves Me”, “Railroad Track”, “Yeah Yeah” ou “I Wanna Be Your Man” fizeram parte do alinhamento. “I Put a Spell on You” do excêntrico Screamin’ Jay Hawkins assumiu o momento “balada” da noite, enquanto “What I Want” e “My Girl” ocupavam o seu lugar de sneak peek de Here’s Willy Moon. O miúdo incansável, saiu do palco e não voltou mais. Willy Moon gosta das coisas feitas como deve ser, e 10 músicas é um número redondo que não deve ser estragado por tais coisas como “encores”. Ninguém se pode queixar de falta de motivos para dançar, a duração não é desculpa.

A preencher o resto da noite, que ainda agora começava, deixámos Paulo Furtado (The Legendary Tigerman) e Afonso Rodrigues (Sean Riley & The Slowriders) nos discos. Saímos do Musicbox com as expectativas no sítio – se já eram bastante elevadas quando entrámos, deixámo-las pelo menos satisfeitas. E deixámos também os suspiros e os olhares brilhantes, que afinal, já somos todos crescidos para estes fraquinhos por miúdos com estilo.

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