Cult Of Luna no Paradise Garage (29/01/2013)

Cult Of Luna no Paradise Garage (29/01/2013)

Cult Of Luna

Texto por Hugo Rodrigues / Fotos por João Cavaco

Confesso que tentei adiar ao máximo a escrita deste texto, e que o grau de atordoamento em que ainda me encontro é alto. Mas quando não dá mais, o melhor é mesmo atirarmo-nos a isto. E acho que estabelecendo um pouco um paralelo (em áreas diferentes, mas ainda assim), foi isso que os Process Of Guilt fizeram na noite de ontem, no Paradise Garage em Lisboa.

Já muito se falou sobre a banda, e desde o êxito estrondoso de “FÆMIN” que não param, o reconhecimento é merecido, e tudo o que advém disso também, pois é notório o trabalho feito por estes eborenses, e que recentemente até culminou com a confirmação da sua presença no Roadburn, um dos festivais de peso mais consagrados da Europa. Em cima do palco, provaram mais uma vez toda a sua qualidade em apenas um punhado de músicas deste mais recente disco, com destaque maior talvez para “Harvest”. E mesmo que por estas alturas o som da sala ainda não estivesse na sua plenitude (viria a estar mais tarde), a banda construiu ao vivo a sua muralha sonora da melhor maneira possível, preparando-nos para o que aí vinha.

Antes da subida ao palco dos suecos, a ansiedade subia de tom, e alguns alarmes faziam-se ouvir (literalmente). Nada de alarmante (pun intended) e que não fosse rapidamente abafado quando os sete elementos dos Cult Of Luna sobem ao palco e se faz ouvir “The One”, em jeito de introdução à devastação que iria começar em “I: The Weapon” e só iria parar em “In awe of” uma hora e muito depois.

E o que é certo, é que esta é uma daquelas tarefas ingratas em que se tenta colocar por palavras algo que tem que ser experienciado para se apreender, arrisco a dizer mais, não só experienciar mas absorver durante uns dias. Porque, sim, enquanto escrevo estas palavras estou ainda a tentar digerir o que vi como já referi no início deste texto. Chapada atrás de chapada, a banda sueca apresentou maioritariamente temas do mais recente Vertikal, e diga-se, ao vivo tudo funciona e encaixa melhor, mas houve ainda espaço para alguns (poucos) temas ‘forasteiros’, a massiva “Ghost Trail” foi um deles, e “Finland” e “Owlwood” completaram o ramalhete.

Impecáveis na sua técnica, com o som da sala já ao nível exigido e merecido (tudo se ouvia sem atropelos e tudo brilhava, desde o duo de bateria às guitarras desenfreadas) e um jogo de luzes a criar a atmosfera perfeita, tudo se conjugou para a banda arrancar um concerto para o qual ainda me continuam a faltar palavras para descrever, mas que vai ficar na memória de todos os que se atreveram a pisar o chão da sala do Paradise Garage e estremeceram com o poderio vindo do palco. Para recordar.

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