Mono no Paradise Garage (22/02/2013)

Mono no Paradise Garage (22/02/2013)

Mono

Texto por Cláudia Filipe / Fotos por João Cavaco

Depois da devastação causada pela passagem dos nipónicos Mono por Portugal aquando da apresentação do disco que é considerado a sua obra mais perfeita, Hymn To The Immortal Wind, a banda regressou, três anos depois, para apresentar o seu mais recente álbum, For My Parents. Fasquia muito alta e curiosidade para ver se o feito era repetido ou mesmo suplantado atraiu uma quantidade razoável de pessoas ao Paradise Garage na passada sexta feira.

Aos primeiros acordes de Legend, iniciou-se uma viagem que foi sempre num crescendo de intensidade brutal até atingir dimensões inimagináveis: em faixas como Pure as Snow ou Follow the Map já estávamos todos bem longe daqui. Mono tem a particularidade de praticar um post-rock muito visual; as paisagens correm a uma velocidade estonteante, mas seja qual for a imagem que se cole ao cérebro, vem carregada de paz. A culpa é principalmente das guitarras de Goto e Suematsu, que fazem magia ao criar harmoniosos ambientes que criam toda uma aura de meditação colectiva. Mesmo sem as orquestrações que compõe as gravações dos discos, facilmente conseguimos imaginar os violionos e entrar num ritual de contemplação profundo. Finda a Everlasting Light, hora de voltar à terra num misto de emoção e epicidade.

O mundo era um sítio pior sem os Mono. Ou pelo menos não tão bonito. Mais um concerto irrepreensível para não esquecer tão depressa (eu juro que ainda consigo ouvir os violinos) e mais um forte candidato a concerto do ano. Ainda só passaram dois meses, mas o que já recebemos é imenso.

Arte-Factos

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