A última vez que vi Macau

A última vez que vi Macau

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João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, que já passaram por Macau, pelo Ficunam no México, pelo Ambulante 2013, pelo Hong Kong Internacional Film Fest, por França e que, com a sua longa, foram os vencedores do 16º Festival Luso Brasileiro em Santa Maria da Feira, estrearam, finalmente no “circuito comercial”, A Última vez que vi Macau a 14 de Março, sob a égide de 2012, Ano do Tigre no Zodíaco Chinês e, segundo algumas profecias, o ano do Fim do Mundo.

Guerra da Mata, que não mostra a sua cara ao longo de todo o filme, regressa a Macau, onde nunca mais voltou desde a sua infância, respondendo ao apelo dramático da sua amiga Candy (Cindy Scrash) que corre perigo de vida. Logo nas primeiras cenas (e a única crítica negativa) Candy aparece a dançar com os tigres de Cardinalli (esse que os mantém enjaulados toda a sua vida e os manipula geneticamente em nome do dito “entretenimento”) o que inevitavelmente me enfureceu e me transportou para fora do guião – particularmente quando Macau é um local de grande respeito e misticismo em relação aos animais.

Supõe-se ao longo de toda a narrativa que algo negro e aterrador está para acontecer, onde nem tudo o que parece ser é. Já a trilogia de João Aguiar reportava Macau como um local de sombras. E é nas sombras que Guerra da Mata se perde ao tentar responder ao pedido de Candy, que, antes de desaparecer, despede-se carinhosamente do seu amigo e o avisa do perigo que corre.

Mas que perigo? Paisagens entre o pictórico e o obsoleto, trocas enigmáticas de gaiolas com pássaros invisíveis, os bairros descritos com exactidão na imagem, na narrativa e na memória, um quarto de hotel, um cenário em que vemos pelos olhos de quem o narra, a peruca de Candy, telefonemas ameaçadores, mensagens enigmáticas. Darling, Candy estaria morta?

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Guerra da Mata que se preparava para partir, fica, não pode deixar a sua Candy, só ela o teria feito voltar. E de uma forma casual vai percebendo alguns dos segredos da  enigmática Tai-Tai Lobo e a sua Seita do Zodíaco, enquanto a sua vida está em permanente perigo.

“Não me lembro de haver tantos gatos em Macau”.

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Sem formato definitivo, entre documentário e ficção, o filme transporta-nos para a possibilidade do fim da humanidade e da sua transmutação animal, como se parte de um caminho destinado à imortalidade se tratasse, descrevendo a velha e a nova Macau, a das memórias e do passado e a chinesa de hoje.

Guerra da Mata parte das suas memórias de Macau, deixando interrogações e imagens sublimes sobre uma sociedade tão distante da nossa e um dia chamada de portuguesa.

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Texto de Lúcia Gomes

Arte-Factos

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