La Migliore Offerta

La Migliore Offerta

a melhor oferta

Tornatore é realizador dum lirismo inquestionável. La Migliore Offerta é exemplo dessa marca própria a que nos habituou. Seguindo as pegadas de filmes como Cinema Paradiso e Malena (à semelhança destes, também escrito pelo realizador), La Migliore Offerta está carregado de imagens de infinita beleza e de sentimentos à flor da pele.

Outra característica imperturbável do cinema de Tornatore é a proximidade que sentimos com as suas personagens, possivelmente por acompanharem momentos de vida tão marcantes e memoráveis, como a infância ou a paixão. E indelevelmente somos transportados para um cenário onde toda a panóplia de emoções que se vão sucedendo nada mais é do que uma imitação de vida, tão bem reproduzida que é inevitável que o espectador se reveja na solidão das suas personagens e naquela melancolia que fica latente após absorver cada obra, que nada mais representa do que a passagem do tempo.

A passagem do tempo tem, aliás neste filme, um enorme relevo, sendo quase um dos personagens. E à semelhança quer de Cinema Paradiso, quer de Malena, a sequência final (em que parecemos ser transportados para aquele espaço onde os relógios ganham vida) é de absoluta beleza e simultaneamente duma tristeza inegável. Talvez porque tudo o que é belo traz consigo a inquestionável efemeridade, daí a consciência da passagem do tempo trazer uma certa melancolia consigo.

La Migliore Offerta fala-nos de beleza, de arte, de amor. Três coisas que estão intrinsecamente ligadas. Traz-nos a história dum leiloeiro, que se vê confrontado com uma cliente pouco convencional, com quem vai criando fortes laços. E, à medida que vamos acompanhando esta relação improvável, vamos descobrindo os segredos de cada personagem. Esta é a história mais inverosímil do cinema de Tornatore e por essa razão a mais misteriosa, originando sequências que se assemelham a uma fita de suspense, graças ao brilhantismo do realizador, à mestria com que guia a câmara e à escolha irrepreensível da banda-sonora (outra característica importante e identificativa do cinema de Tornatore).

Os actores são perfeitos, colorindo cada pincelada deste retrato curioso a que Geoffrey Rush dá vida.

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As imagens vão-se sucedendo e, quer as personagens, quer os cenários, são filmados duma maneira resplandecente, quase amorosa. E toda aquela cadência de obras de arte que acompanham o desenrolar do filme é quase testemunha da história vivida pelas personagens.

Será o amor uma obra de arte?

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Texto por Natália Costa

Arte-Factos

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