Entrevista aos Dear Telephone

Entrevista aos Dear Telephone

Dear Telephone

Depois de abraçarem a telefonia em 2010, os Dear Telephone felizmente ainda não desligaram a chamada. Após o EP “Birth of a Robot“, a partilha de palco com Anna Calvi e Jay-Jay Johanson, as presenças no Milhões de Festa e agora no Optimus Primavera Sound, a banda barcelense prepara-se para editar este mês o álbum de estreia. “Taxi Ballad” ’tá a chamar e “That Violin Lesson Sucks” já se pode ouvir por aí.

1. Ainda que estejam juntos desde 2010, só agora chegou a hora do lançamento de “Taxi Ballad”. Demorou mais do que estavam à espera ou será que vem na hora certa?
Algumas fases demoraram mais tempo do que esperávamos, outras menos. Precisamos de deixar amadurecer a identidade da banda, de respirar o primeiro EP e os concertos – que foram bastantes, de parar para pensar, compor, recompor. E depois construir uma ideia – formal e conceptual – em torno da qual pudéssemos organizar um longa duração.

2. Todo o caminho que como banda percorreram até agora foi importante para perceberem onde queriam chegar em termos de sonoridade e de conceito por detrás de “Taxi Ballad”?
Naturalmente. É um disco que decorre quase organicamente do nosso percurso e fundamentalmente de muitas ideias que surgiram no palco, em concerto. É um disco com uma vocação muito “live”.

Dear Telephone

3. Na posição de um mero ouvinte aquilo que mais marca a vossa sonoridade é esta pop meio adormecida, meio medrosa, no bom sentido, e que acaba por conquistar até por um certo lado sedutor. Quando se juntaram havia uma ideia concreta de fazer uma coisa deste género ou será que tudo apareceu por acaso?
Queríamos construir um universo lírico complexo, pleno de personagens e ideias – tantas vezes emprestadas da literatura e do cinema – sobre um fundo musical simples, até austero, minimal. Essa era a ideia inicial. O caminho acabou por revelar um lado progressivamente mais explorarório.

4. Alguns de vós já traziam experiência de outros projectos como La La La Resonance ou peixe:avião. Foi de certa maneira importante trazer essa bagagem ou será que os Dear Telephone serviram como escape àquilo que já conheciam de vocês como músicos?
Não vemos em Dear Telephone a ideia de escape. É um projecto que expande o nosso universo como autores e para onde levamos, sem complexos, muita da aprendizagem que trazemos das bandas de onde somos nativos.

5. O single “That Violin Lesson Sucks” abriu a primeira porta de “Taxi Ballad”. Que significado tem este tema para se ter tornado na amostra para o que aí vem?
É talvez o tema que melhor faz a ponte com o trabalho anterior. Ainda que seja, curiosamente, um dos que compusemos mais recentemente. Seja como for não foi uma escolha fácil. É um disco que vive bastante da interpenetração entre as canções e as histórias que contam. Não é um disco de singles.

[youtube=http://youtu.be/TBpe3tynEFE]

6. Vão daqui a menos de um mês marcar presença no Optimus Primavera Sound. Este será “só” mais um concerto ou existe no seio da banda alguma expectativa por estar num “festivalzinho” desta dimensão?
É um concerto com particularidades que não desprezamos. A expectativa vem fundamentalmente do facto de nos expor a um universo de público mais alargado. E será curioso ver como funcionam os temas do disco – que é bastante interior – num espaço aberto e contexto de festival.

7. O que vem aí de concertos? O que podemos esperar dos Dear Telephone para os próximos tempos?
Muito palco. Um pouco por todo o país e esperamos, não só.

Entrevista por Afonso Sousa

Arte-Factos

Webzine portuguesa de divulgação cultural. Notícias, música, cinema, reportagens e críticas. O melhor da cultura num só lugar.

Facebook Twitter LinkedIn Google+ YouTube