Faixa a Faixa: "Taxi Ballad" de Dear Telephone

Faixa a Faixa: “Taxi Ballad” de Dear Telephone

Dear Telephone

Os Dear Telephone alinhavaram com “Birth of a Robot” (2011) – registo inaugural da banda – uma abordagem musical nocturna e austera em contraste com o colorido das referências literárias e cinematográficas que contaminam o universo intimista das suas composições. Depois de um ano intensivo de concertos e outro meio dedicado exclusivamente à construção do primeiro longa duração, “Taxi Ballad” é editado em Maio passado. Numa toada mais densa mas heterogénea, mergulham sem concessões no assumido fascínio pelo quotidiano e suas contradições, no discurso directo e desconcertante das personagens que as vozes encarnam e numa instrumentação dura e sem artifícios.

#1 O dearest knight in shining armour
Porta de entrada no álbum e numa forma assumidamente diferente de abordar o formato canção: mais dura, experimental, libertária. Tema onde a expressividade da primeira metade contrasta com o minimalismo programático da segunda, para se encontrarem no final, num festim de guitarras.

#2 That violin lesson sucks
Inspirada, remotamente, numa canção do Hank Williams, é uma espécie de tragicomédia com sabor a country-pop descarnado, em que um personagem suburbano sonha um amor impossível com alguém de um estrato social e intelectual superior e, aparentemente, inalcançável.

#3 Revelator
Versão da Gillian Welch que já tocávamos (ao vivo) desde a edição do primeiro EP. Essencialmente, passamos a delicadeza da canção por um acelerador de partículas, atirando-a para um buraco negro de ruído branco.

#4 Fit and proper
Elogio bem disposto às crises existenciais e à forma como parecem baralhar (a vida) para voltar a dar. Canção mais barroca do álbum e das primeiras que compusemos juntos.

#5 Sunset print on postcard
A ideia era simples: compor uma canção upbeat à medida de um solo doido e autista. No ponto em que a canção se tenta pôr toda arranjadinha o solista regressa – ninguém o segura – para borrar a pintura, all over again. É, essencialmente, sobre divertirmo-nos, acima de preconceitos.

#6 Everything we know
Tema sobre zonas de conforto, encontros e desencontros. Pode ser comparado ao crescendo de uma noite de copos que termina no clássico caminho solitário (ou talvez não) rumo a casa.

#7 Let me rest on your couch
A personagem, em negação, deixa-se perder para voltar sempre ao mesmo lugar de onde nunca quis sair. Sem dúvida, das canções que mais gozo nos dá tocar.

#8 Hardly the kind of stuff to inspire social chroniclers
A primeira canção que compusemos e único tema que transitou – reconfigurado – do EP para o álbum. Trata os pequenos detalhes quotidianos, que escondem – ou revelam? – íntimos apocalipses. Duas personagens, de repente separadas, à procura daquilo que esqueceram na casa uma da outra.

#9 Passengers
Inspirada numa campanha de prevenção rodoviária, é basicamente uma ode à cidade, às cidades. Uma falsa balada, porque é lenta apenas no interior.

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