Entrevista a Vera Marmelo

Entrevista a Vera Marmelo

©Margarida Pinto

©Margarida Pinto

A Vera Marmelo é uma fotógrafa que, ao longo dos anos, tem vindo a fotografar uma série de músicos tanto fora como em cima de um palco. No passado dia 1 de Outubro, Dia Mundial da Música, editou o seu primeiro objecto fotográfico, um caderno de posters, zine, revista ou jornal, de 13 retratos de músicos portugueses, cuja edição limitada esgotou já. Com a segunda edição já a ser preparada, com mais uns exemplares a caminho, roubámos alguns minutos à Vera e este foi o resultado.

1. Começando pelo início, como é que nasceu este projecto? Uma vez que ao longo dos anos tens vindo a retratar bastantes músicos era algo que já tinhas pensado fazer?
Curiosamente este projecto surge de um convite que nunca deu em nada. No espaço de 1 semana marquei os retratos via mail e fotografei em 2 semanas. Quando já estava a recolher orçamentos para fazer o jornal, com os retratos, que ia ser oferecido numa festa, a mesma foi cancelada. Nunca me tinha passado, até conversar mais a sério com uns amigos, em guardar e arrumar as fotografias num caderno deste tipo. Encaro quase sempre os retratos que faço a músicos como fotografias que integram o pacote de promoção dos mesmos, que funcionam sozinhas.

2. Este caderno de posters é composto por 13 pessoas, foi difícil esta escolha? Conta-nos um pouco como foi feita esta selecção.
Voltamos à tal festa que nunca aconteceu. O Tiago Pereira queria celebrar o aniversário do seu canal de vídeos. Perguntou-me se eu gostava de contribuir com alguma coisa e a minha ideia imediata foi fotografar alguns dos que ele já havia filmado, no mesmo sítio que tinham escolhido. Há umas boas dezenas de vídeos e limitei-me a escolher os que me eram mais próximos e me pareciam estar mais activos no final de 2012.

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3. Falando um pouco das fotografias em si, tiveste algum cuidado especial ao fazer estas fotos?
A ideia era ter um conjunto que pudesse jogar bem entre si, mas ainda estava muito longe deste quebra-cabeças que se montou depois, e queria conseguir retratá-los de uma forma mais intima. Na verdade de cada vez que me encontrava com um deles esquecia esta premissa e só me preocupava em me aproximar o mais possível. Foram todos de muito rápido. Em todas as situações estive mais tempo a meter a conversa em dia do que propriamente a fotografar.

4. Como é que te sentiste quando tiveste o primeiro exemplar em mãos? Satisfeita com o resultado final?
Na verdade tive 3 fases, 3 primeiros exemplares em mãos. Uma maqueta que fiz em casa, com papel de desenho, que para mim parecia estar perfeita. Um primeiro teste em offset que ficou terrível, excessivamente contrastado, num papel branco muito difícil e que se partia. No final ficámos, eu e a Sílvia Prudêncio que me ajudou a paginar, felicíssimas com o resultado. Sim, estou muito satisfeita. E até agora o feedback tem sido esse. O tipo de papel que optamos por usar, dar-nos-á sempre aquela ideia de fanzine, conseguimos uma impressão óptima. E esse mesmo papel é também suficientemente resistente para ser manuseado e organizado da forma como cada um preferir.

Caderno de Posters

5. Esperavas que esta primeira edição (de 150 exemplares) esgotasse tão depressa? A próxima sai já no próximo dia 25 de Outubro, certo?
Fiz as fotografias em Janeiro, a primeira maqueta do caderno como está em Março, só fecho este assunto em Outubro. Acho que respondo à tua pergunta. A primeira tiragem foi de 150 exemplares, a segunda será de 75 exemplares. Vai haver uma diferença pequena entre as duas e sim, começará a sair de minha casa no dia 25 de Outubro. A forma de a obter é a mesma. Comigo, via mail, na STET, para onde vão duas mãos cheias de exemplares desta vez e pode ser que ainda deixe algumas cópias em lojas de música.

6. Tendo já fotografado bastantes músicos nacionais, qual é aquele que ainda te falta e que gostarias mesmo muito de acrescentar à tua “colecção”?
Que pergunta terrível. Não me lembro de ninguém. Mas gosto de malta com pinta e estou certa que seria muito fácil fotografar o Tigerman ou o David Fonseca. Mas eles não precisam de mim.

7. Este projecto tem facilmente pernas para andar e ter uma continuação, estás a pensar nisso? Que planos tens para o futuro?
Os retratos? Sim, posso sem dúvida pegar em alguns dos meus favoritos que foram deixados fora do baralho e fazer mais um deste género, mais pensado e mais bem encaixado. Mas na verdade acho que, no campo das edições físicas/pequenos cadernos/fanzines, estava mais virada para pegar mesmo em concertos, um conjunto giro de fotografias. Ficamos, eu e a Sílvia, com muita vontade de continuar a fazer estes trabalhos simples.

Entrevista por Hugo Rodrigues

Arte-Factos

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