Amplifest - 2º dia (20/10/2013)

Amplifest – 2º dia (20/10/2013)

#24 Chelsea Wolfe

Texto por Cláudia Filipe e Emanuel Henriques
Fotos por Cláudia Andrade

Para o segundo e último dia de Amplifest estariam reservadas algumas emoções (muito) fortes, tal como se deseja num festival que está prestes a terminar. Chelsea Wolfe foi rainha e arrebatou na sua estreia em solo nacional e Russian Circles deram talvez o seu melhor concerto das suas (muitas) passagens por cá.

A tarde começou cedo com tarimba nacional. No Milhões deram um concerto juntos, naquela que seria uma actuação única. Desde então, já voltaram a partilhar palco, estão a preparar um disco e tiveram tempo de limar arestas. O projecto que junta os Black Bombaim e La La La Ressonance tem tudo para ser a next big thing do que se faz por cá. Juntando o melhor das influências que cada um tem para oferecer, arrancaram a segunda jornada de Amplifest com uma intensa actuação. Resta-nos aguardar (muito ansiosamente) pelo tal disco.

#21 Aluk Todolo

Os franceses Aluk Todolo, na sala 2, brindaram-nos com um concerto longo, dividido em duas partes, e onde foi tocado na íntegra o seu recente álbum Occult Rock. Verdade seja dita, este trio não tem um som propriamente fácil de se assimilar, onde Occult Rock é todo ele uma ode ao Krautrock, com toda uma atmosfera ritualista e ancestral, sem nunca esquecer o lado black metal da banda, que se sente permanecer lá. E esta vertente ficou muito bem patente no início do concerto, com aqueles 10 minutos de puro transe. Sem ter sido um concerto que tenha fascinado, foi competente, e conseguiu prender o público, talvez hipnotizado por toda aquela atmosfera.

Um dos concertos mais aguardados do festival foi Chelsea Wolfe, em estreia nos palcos nacionais. Bastaram as primeiras notas de Feral Love para perceber porquê. Com o seu mais recente disco na bagagem, impôs a sua presença hipnotizante em palco, comovendo uma plateia ávida de sugar toda a energia que emanava. Apesar do concerto ter sido maioritariamente centrado em Pain is Beauty, não importou ter ficado esta ou aquela de fora. Poder apreciá-la e receber o que tem para nos dar é uma dádiva. Felizes aqueles que a conseguem receber. Obrigado, Chelsea, pelo momento extraordinariamente emotivo, que ainda custa verbalizar.

#25 Utopium

Ano em cheio para os Lisboetas Utopium que pisam finalmente o palco do festival português onde faz mais sentido estarem. Longe vão os tempos do grind puro e duro, estando agora mais maturos e coesos, com identidade firmemente vincada. O trunfo final chegaria pela forma de cover da Like Rats, de Godflesh.

Os Thisquietarmy, com um O Meu Mercedes completamente a arrebentar pelas costuras, onde – do pouco que conseguíamos avistar o palco – a conjugação entre a textura sónica entre o drone e o shoegaze e as projecções dos vídeos na parede era perfeita para o mote do concerto: viajar ao som do improviso de Eric Quach – e que bem que soube.

Os portugueses Katabatic, numa sala 2 muito bem composta, mostraram que não ficam atrás do que melhor se faz lá fora. Com um concerto irrepreensível, com o seu pós-rock com laivos de sludge bem poderoso e com muito groove, baseado no seu primeiro álbum Heavy Water. Os Katabatic demonstram, cada vez mais, uma identidade muito própria e, com o que se viu neste concerto, o novo álbum promete mais um excelente trabalho do colectivo.

#28 Russian Circles

Não é novidade ver Russian Circles em Portugal. Ao longo dos últimos 5 anos, têm sido presença constante. Dada a intensidade dos concertos, têm sempre casas cheias à sua espera e desta vez não foi excepção. A concentração de pessoas na Sala 1 nos momentos que antecederam o concerto espelhava bem o quanto se ansiava por um concerto de uma banda tão adorada por tantos e que, ainda por cima, tem disco novo na calha. É sempre um privilégio poder ver os Russian Circles em palco, especialmente com uma setlist escolhida a dedo para a ocasião. Entre uma animalesca bateria em Schipol ou uma arrebatadora Harper Lewis, tocamos em Memorial, o novo álbum, através de faixas já dadas a conhecer. Ouviu-se Deficit e Ethel, carregadas por uma atmosfera mais sombria e arrastada. Mas a grande surpresa estaria reservada para o encore, quando a rainha Chelsea Wolfe sobe ao palco para cantar o tema que dá nome ao disco, que resultou num dos momentos mais bonitos que as três edições do Amplifest já presenciaram. De olhos brilhantes veneramos quatro enormes músicos numa união perfeita, comovente, arrebatadora.

Deixámos a edição de 2013 do Amplifest com o coração cheio, mas já com muitas saudades de todo este fim-de-semana e por toda a experiência que a Amplificasom nos proporcionou. Foi também muito agradável perceber que os responsáveis ouviram os fãs e fizeram melhorias no festival, nomeadamente na oferta de comida. É com um enorme prazer que se vê o festival a crescer de ano para ano, de uma forma sustentada e pensada, que atrai mais melómanos a cada ano que passa. Venha o Amplifest 2014.

Arte-Factos

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