Músicas da Semana #77

Escolhas de Gin Party Soundsystem:

Sergei Prokofiev

Sergei Prokofiev – Dance Of The Knights
Se há segmento musical que demonstra que o colectivo é formado por psicopatas e sociopatas de fino trato, é este; no meio das danças despreocupadas e extravagantes dos noventas do Fim da História (sqn), das cores fluorescentes nos clips dessa Santíssima Trindade da TV Cabo ’95 que eram a MTV, MCM e Viva, infiltramos um pouco de alta cultura para baralhar ainda mais os incautos – sim, cremos que Haddaway e “remisturas” de Prokofiev do seu próprio ballet são um óptimo casamento. Não discutam, dancem. Também aqui se revela a ligação umbilical de GPSS a Smiths. Se o Humanossexual-mor a escolheu, em tempos, para entrar em palco, quem somos nós para contrariar a praxis do Mestre? Se ainda não perceberam porque raios um bando de trolls sofisticados insiste em recuperar material que deveria era estar trancado numa cave de Pripyat, venham a um set, que verão a luz do Festão Mínimo Garantido. Com gin, claro. P.S.: #GPSSServiçoCultural: se gostam da peça, vejam o Caligula.

The Smiths – This Charming Man
Por entre o ambiente jangly que Marr cria – LOGO AOS PRIMEIROS SEGUNDOS/RIFF -, alicerçado numa infância Motown e num presente (então) a acontecer com os Aztec Camera, a canção contida em The Smiths afigurar-se-ia como A derradeira malha pop, e a que mais faria abanar a anca de milhares de humanossexuais por essas boîtes fora. Sim, apesar de a canção ser (re)vestida de um flirt homoerótico, a ambiguidade continuava lá à espreita, e não é à toa que a mesma não tenha sido perpetuada como um hino gay, ao contrário de qualquer “YMCA” ou “I Will Survive” desta vida – nada contra, claro. Ficando a xenofobia (e o cérebro) à porta de Gin Party Soundsystem, e apesar de estarmos a precisar de amor, como qualquer outro ser humano, não damos, como em Sleuth, uma de amante que entra num jogo mortífero; de camisa florida ou um tronco nu na fase estival (até Manuela Moura Guedes esboçou um sorriso rasgado), ou com casaco de cabedal a agasalhar os nossos peitos peludos nas estações mais frias, o importante é obrigar a que vocês estejam a dar tudo na pista de dança, com ou sem roupa, mesmo que gritemos incessantemente TUDO A TIRAR A ROUPA. Numa semana de declarações quentes e respectivos contraditórios, esta canção prestes a completar 30 anos teria obrigatoriamente de marcar presença na nossa escolha. Ela é, e será, sempre (sabor a) mel na setlist.

Alice DeeJay – Better Off Alone
A música. O hino. Aquela. “Better Off Alone” (em português: “Melhor Só” [Wikipedia PT dixit]) trata-se apenas da mais reconhecível música de eurodance, muito por culpa do speaker/arrumador-de-carrinhos-de-choque-em-horas-livres da pista não só de embate, mas também de dança. Também nós ficamos a bater mal assim que ouvimos Alice DeeJay bombar este autêntico malhão de Who Needs Guitars Anyway? (e não, Alice DeeJay não é o nome da rapariga que cantarola, mas sim do conjunto de electrónica neerlandês. À vossa informação, fãs do Bon Iver e da Deolinda). E se dúvidas houvesse do seu êxito, a versão virjona – como o azeite – de Weezer, ou o malhão (de muitos) do Akon e do Guetta, que a sampla, tratam de o fazer recordar às massas. Recordar que, de facto, não estás melhor sozinho, mas na companhia de Gin, Party e Soundsystem. Amén.

Silvério – Yepa Yepa Yepa
É bem mais fácil de dizer do que “Hakuna Matata” e é também um lema de vida muito mais interessante do que essa espécie de “vai ficar tudo bem” que a Disney insiste em ensinar às criancinhas. Quem não sabe o significado de “Yepa Yepa Yepa” não está a viver a vida em pleno. Não há Carpe Diem que valha a essas pessoas e GPSS propõe-se a mudar isso espalhando a(s) palavra(s) de Silvério pelas pistas de dança deste país (e quiçá, futuramente, de outros). Essa espécie de onomatopeia é um grito de guerra, é uma sirene de alarme, é um cântico de acasalamento… chamem-lhe o que quiserem mas é tudo aquilo que GPSS representa e muito mais. Quem ouve esse chamamento conhecendo o seu significado já sabe o que esperar: festão mínimo garantido com muita esquizofrenia musical e espasmos dançantes. ¿Y tu, no bailas?

Mão Morta – Gin Tonic
A banda. Mais que isso, até. Os bracarenses não são apenas a banda-fetiche de dois dos nossos membros, são também a única razão para alguém, algum dia, ouvir música. Tónica ou não, com ou sem pepino, o gin está lá sempre a enfeitar a bancada e bocas alheias com as suas propriedades nutritivas. E esta canção fala sobre isso mesmo. Copo alto cheio de nós. Litanias álcoolicas fervendo eurodance. As luzes de um qualquer megafone reluzindo, trémulas (que as pilhas às vezes d), no background. Um festão mínimo garantido, por nós, por vocês. Dando tudo. Imponentemente. Ah: e vamos tão à cidade dos arcebispos no próximo dia 16 de novembro para um after do semibreve, saibam-no agora em primeira mão…

Escolhas de Cláudia Filipe:

Arcade Fire

Arcade Fire – Afterlife
This is madness! This is ARCADE FIRE. A Reflektor já tinha dado bons indícios, mas arrebataram-me com esta Afterlife. Um tema comovente, tal como qualquer lamechas que se preze poderia desejar. Aliado ao vídeo, para o qual escolheram usar cenas do filme Órfeu Negro (de Marcel Camus, e que também tem uma história digna de puxar a lágrima), criaram o meu combo preferido da semana. Para ouvir em loop, com algum receio que tenham gasto os cartuchos todos para o novo disco nesta faixa.

Destroyer – El Rito
Agora numa nota mais alegre, o ritmo contagiante de Destroyer, de regresso com um EP intitulado “Five Spanish Songs”. Não é muito difícil perceber do que se trata e esta El Rito, que toma a forma de single de avanço, é uma canção simples, catchy, mas acima de tudo bonita. Vamos tão a Guimarães.

Jesu – The Great Leveller
Retirada daquele que é o melhor disco de Jesu em anos, The Great Leveller são 17 minutos de puro amor. Obrigada, mais uma vez, Broadrick.

Scout Niblett – Hide and Seek
Ainda mal recomposta da destruição emocional que foi Chelsea Wolfe no Amplifest, veio a Scout Niblett fazer-me novo KO ao apanhar-me desprevenida na Zé dos Bois. Não se faz menina. Não se faz…

Janelle Monáe – Can’t Live Without Your Love
Tendência para gostar mais das músicas que puxam a ramela. E de repente apercebo-me que, para quem achava que o novo da Janelle Monáe não estava assim tão bom, ouvi o disco em loop e de forma senil nestes últimos dias. É o meu novo lugar comum.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

Dredg - Trunk

Dredg – Bug Eyes
Numa semana preenchida com algumas recordações musicais, os nem sempre bem-amados por estes lados Dredg (ainda não lhes perdoei o “Chuckles And Mr. Squeezy”) estiveram em evidência. No fundo é injusto ressenti-los por um disco mau (a roçar o péssimo, desculpem) quando me deram tanta música boa antes disso. Escolhi a “Bug Eyes” porque sim, na verdade podia ter sido qualquer uma do “Catch Without Arms”.

Incubus – Anna Molly
Uma recente viagem relembrou-me dos Incubus e do quanto gostei e ainda gosto deles. Perdidos algures no tempo repesquei-os esta semana, e claro que, entre outras, não podia faltar a “Anna Molly”.

City And Colour – Two Coins
O “The Hurry and The Harm” de City and Colour continua a ser um dos meus discos de eleição deste ano e, desde o seu lançamento, que esta “Two Coins” nunca saiu de circulação. Bem ao estilo de Dallas Green.

The Gaslight Anthem – Blue Dahlia
Não sei muito bem o que dizer aqui, o Brian Fallon tem uma forma bastante especial de cativar quem o ouve, seja em formato banda ou a solo, e isso está bem presente neste tema. Por isso esteve em repetição várias vezes durante os últimos dias.

Circa Survive – Handshakes At Sunrise
Daquelas bandas que nunca me fogem para muito longe e estão sempre presentes diariamente.

Escolhas de Cláudia Andrade:

Lou Reed

Lou Reed – Sunday Morning
Porque foi num domingo de manhã que ele nos deixou. O mundo da música ficou mais pobre a partir de hoje, uma das maiores influências para todos os géneros musicais despediu-se deste mundo e ainda custa a acreditar. Descansa em paz Lou.

Catacombe – Lolita
Partilhar o palco com estas pessoas foi dos melhores momentos de sempre e esta esteve sempre em loop durante toda a semana.

Zatokrev – Zato krev
Esta malha rebentou tudo logo na abertura do Amplifest, no fim-de-semana passado, e ainda não a consegui parar de a ouvir desde essa altura.

Mogwai – Take me somewhere nice
Passar o fim-de-semana fora de Lisboa e no meio da serra lembra-me sempre esta música. Porque efectivamente, levaram-me para um sítio muito bom.

José González – Heartbeats
Never gets old. Ouvir esta Heartbeats deitada num puff de uma esplanada de uma casa de chá numa altura em que o sol começa a despedir-se pintando as nuvens de laranja forte. Há momentos perfeitos nesta vida.

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