Flashback: 1984

Flashback: 1984

Nineteen-Eighty-Four

Há adaptações cinematográficas que se tornam mais célebres que o texto literário de origem, exemplo disso, e já que estamos numa de distopias, temos o “Clockwork Orange”. Depois há as outras que se ficam pelos 50/50, como é o caso de “Fahrenheit 451” de Ray Bradbury e adaptado ao cinema pelo excelente François Truffaut. E depois temos “1984” de George Orwell adaptado por Michael Radford, lançado precisamente no ano de 1984, que poucos conhecem e acabou por cair no esquecimento.

“1984” é uma alegoria ao totalitarismo, onde o ser humano perde a sua identidade individual e todos os seus desejos e até os pensamentos (havendo a Polícia do Pensamento) são oprimidos pelo omnipresente Estado, que vigia constantemente a população através do Big Brother. O mundo encontra-se dividido em três grandes estados: Eurásia, Lestásia e Oceania e encontram-se constantemente em guerra. O Partido IngSoc, que se encontra na Oceania, é composto por vários Ministérios, como o “Ministério da Verdade”, no qual Winston Smith, personagem principal, trabalha. Este cargo tem como objetivo controlar as notícias, modificando as notícias antigas para que no presente correspondam aos desejos do Partido, demonstrando o poder que a propaganda exerce. Winston apaixona-se por Julia, do “Ministério do Amor”, órgão que, ironicamente condena o amor, desafiando assim os princípios ideológicos do Estado.

1984

“1984” é demasiado complexo, intenso e profundo, e talvez por isto o filme não tenha resultado tão bem. Mas a essência está lá. Radford consegue, com eficácia, transportar-nos ao ambiente sombrio e pesado daquele mundo distópico e John Hurt está excelente no papel de Winston Smith. No entanto a narrativa arrasta-se deixando a sensação de que falta algo… algo que nem a banda sonora a cargo dos Eurythmics consegue preencher. Talvez o problema seja o de nos prendermos demasiado ao livro de Orwell, mas é um filme que de facto obriga à leitura do romance.

Texto por Bruna Oliveira

Arte-Factos

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