Faixa a Faixa: "Torto" de Torto

Faixa a Faixa: “Torto” de Torto

©Joana Domingues

©Joana Domingues

Os TORTO são três: Jorge Coelho na guitarra, Jorge Queijo na bateria e Miguel Ramos no baixo. Um trio de virtuosos que presta especial atenção à numerologia – Torto, o disco, foi gravado no dia 4 de Maio, em 4 horas, nos estúdios da Meifumado, com o apoio de Zé Nando Pimenta, que ficou, igualmente, a cargo da mistura e da masterização do álbum. Coincidência, ou não, o disco é editado no mágico número 4, de Novembro, pela Lovers & Lollypops.

1. A Coisa Atrás
Música feita da forma mais ‘profissional’ e fastidiosa. Era algo que tinha feito para guitarra pouco tempo antes de começarmos a gravar e que vimos detalhadamente ao longo de alguns ensaios até lhe encontrarmos uma lógica final. Porque era inicialmente algo mais livre, como uma colecção de motivos em cima de uma afinação particular (C|A|D|F#|A|D). A coisa atrás é um som misterioso que vem dessa afinação quando tocamos as notas com a calma que elas pedem.

2. Batata Quente
Uma ideia cheia de energia que o Miguel fez explodir num ensaio e que se fez, se resolveu, muito rapidamente. E esse contraste, entre coisas longamente trabalhadas e outras que saem em minutos, de cara feita, é provocador e perturbador. Não temos muito controle sobre isso. Temos ensaios pequenos, de curta duração, onde às vezes surgem peças que se auto-completam, como se fossem auto-evidentes. Não são melhores, nem piores, nem sequer necessariamente diferentes. É isso que também nos baralha um pouco.

3. Tigre
É uma ideia muito simples que já sofreu algumas evoluções. Demoramos bastante a encontrar um tempo e uma intensidade que fizesse sentido, sendo que sabíamos as notas mas parecia sempre faltar alguma coisa. O som, o timbre, era muito interessante algures a meio mas parecia não sabermos como lá chegar. Foi um caso de insistência — até ao dia em que comecemos a ver-lhe novos problemas e em que teremos que lhe dar outra volta. O nome não tem qualquer justificação. É apenas uma bela palavra.

4. Polvo Sereno
Algo que o Miguel nos tocava regularmente. Começamos por tentar fazê-la muito rápida, o que era claramente estúpido mas interessante e desajeitado e torto. Depois, num dia de claridade, foi mesmo óbvio ver que era ao contrário. Limpamos o lixo, tiramos muita coisa, e a música apareceu.

5. Barcelos
Uma música que evoluiu de uma ideia longa para guitarra e que toquei em Barcelos, no Milhões, há um ano e tal. Tentamos fazer dela uma coisa de banda sem a prender, cheia de suspensões e insinuações. Mais uma vez é uma parte de som para uma parte de composição. Num dia bom somos capazes de a tocar devagar e deixá-la respirar.

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