Até amanhã, camaradas!

Até amanhã, camaradas!

Até amanhã, Camaradas

Incluído nas celebrações do nascimento de Álvaro Cunhal, o filme de Joaquim Leitão, Até Amanhã, Camaradas!, teve a sua antestreia na Assembleia da República. A adaptação da série televisiva ao formato cinematográfico, baseado no romance homónimo de Manuel Tiago (pseudónimo de Álvaro Cunhal) relata histórias da clandestinidade dos comunistas na luta contra o fascismo.

Vaz, António, Ramos e Paulo são quatro funcionários do Partido Comunista Português que compõem um Comité Regional, submetido a um estrito e rigoroso regime conspirativo, que inspiram e dirigem a luta dos operários e dos camponeses por pão e salários. As greves e acções de luta de 1944 são retratadas no filme, como é retratada a brutal repressão fascista que se abateu sobre o movimento operário.

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As greves de 44 são precisamente o pano de fundo histórico: as mulheres do Partido, os membros do Partido, as casas clandestinas, a amizade franca, o amor entre camaradas são elementos fundamentais do filme de 3 horas , mas igualmente central é a descrição da exploração, fascismo, da tortura, da acção PIDE, dos assassinatos e da repressão contra quem lutava. Paulo, o mais “mole” dos funcionários, o único que não sucumbe à doença, à morte ou à prisão tem na tela retratada a sua luta, organização e dinamização de um colectivo que resistia aos mais duros ataques em nome da liberdade de um povo: acções de protesto,  fome, reuniões secretas, a vida na clandestinidade dos funcionários do partido, a distribuição do jornal Avante, a repressão e a perseguição.

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“Até amanhã, camaradas” é a frase com que Ramos se despede dos seus camaradas, pouco antes de ser baleado nas costas pela PIDE. Mastiga e engole as páginas da sua agenda enquanto as balas lhe perfuram o corpo.

O filme, série televisiva em 2005, é uma montagem e uma organização das cenas, contando com Gonçalo Waddington, Cândido Ferreira, Leonor Seixas, Paulo Pires, Marco D’Almeida, Adriano Luz, Carla Chambel. Lamentavelmente, esperar-nos-á uma nova adaptação por Joaquim Leitão ao cinema de um texto de Margarida Rebelo Pinto pelo que se espera ter sido esta a sua última grande estreia.

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Texto por Lúcia Gomes

Arte-Factos

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