Um Fim do Mundo, Cama de Gato e Bela Vista

Estreou ontem nas salas de cinema o mais recente filme do realizador português Pedro Pinho, Um Fim do Mundo. A estreia é acompanhada pela exibição dos filmes Cama de Gato e Bela Vista da dupla de realizadores Filipa Reis e João Miller Guerra.

“Esse filme haveria de ser uma deambulação minimalista, onde não se passasse nada mas tudo pudesse acontecer. Um grupo de raparigas e rapazes perdidos num tempo estendido, num dia que se prolonga sem querer acabar. Uma praia no principio do Verão com corpos estendidos ao sol que nem lagartos e incursões colectivas na água ainda fria do oceano. Que outro lugar se não esse para chegar directamente ao centro nervoso do que pretendia falar?

Essa sensação de suspensão temporal, uma omnipresença do desejo sublimado em volúpia, a impressão de estar perante todas as possibilidades em aberto, uma procura diletante mas insistente, e depois mais longe, noutro círculo, a indefinição como modo de estar, o desprezo por todas as formas de coacção e uma indiferença radical.”

Assim descreve Pedro Pinho o ambiente de Um Fim do Mundo que, com uma fronteira ténue entre o documentário e a ficção, leva a crer na ausência de uma câmara que filma, com uma naturalidade estremecedora, um dia na vida de Iara Teixeira, Eva Santos, Manuel Gomes e Idalécio Gomes. Esta é uma geração que vive o fim de uma adolescência perante um mundo com o qual entra em conflito e desconhece. É esse o um fim do mundo que aqui se revela.

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Um fim do Mundo, de Pedro Pinho
Um dia na praia, antes das férias de Verão. Uma rapariga acabada de chegar que provoca curiosidade. Um rumor. Um desses dias que não acabam. Uma falha no sistema de distribuição de electricidade – um apagão – talvez se trate de um acidente, talvez seja só um pretexto para passar uma noite juntos.

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Cama de Gato, Filipa Reis e João Miller Guerra“As coisas acontecem, sucedem e a gente aproveita ou não. Há um jogo de meninos que, em Portugal, se chama cama de gato: os meninos atam um cordel em círculo, depois fazem assim com a mão, vem outro e faz uma complicação qualquer, mete o dedo faz outra complicação, vem outro ainda e quanto aos dedos faz assim e tira, e forma outra figura. Este jogo chama-se cama de gato. Então, eu acho que na vida o que há, é um jogo perpétuo de crianças com a cama de gato, que a vida vem de vez em quando e apresenta- nos o problema, olhamos e vemos como é que havemos de tirar, depois metemos os dedos, fazemos assim e sai outra coisa. É que toda a nossa habilidade é tornar a ser crianças para ver como é que sai a cama de gato.” Agostinho da Silva

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Bela Vista, Filipa Reis e João Miller Guerra
BELA. Aprazível, deleitosa, amena. Perfeita para o fim a que se destina. Satisfaz cabalmente os nossos desejos ou prazeres. Escolhida, distinta. Nobre, generosa. Certa. Ideal da beleza.
VISTA. Acto ou efeito de ver. Tudo o que a vista alcança desde um lugar. O aspecto do que se vê. Representação de um lugar pela pintura, pela gravura, pela fotografia, etc. Presença. Maneira de ver, de encarar uma questão. Janela, abertura, por onde se pode ver o exterior. Olho.
BELA VISTA. Bairro, cidade Setúbal, distrito Setúbal. Vivências, palavras, gestos e olhares cruzam-se à nossa frente, num caos ordenado pelo quadriculado das janelas e varandas. Fileiras de prédios interligados por corredores debruçados sobre pátios. Portões privados da vista definem a propriedade de cada um.
A geometria da vida de um bairro: a Bela Vista.

Arte-Factos

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