Músicas da Semana #81

Escolhas de peixe : avião:

©Tim Jones

©Tim Jones

Darkside – Golden Arrow
Nicolas Jaar e Dave Harrington juntaram forças para um dos mais surpreendentes álbuns do final do ano. Golden Arrow é uma autêntica viagem de onze minutos, que esperamos que nunca termine. Um regalo para os ouvidos pela riqueza dos recursos usados, pelas dinâmicas criadas e pelas reminiscências que se escutam, desde o dub, ao surf, ao house e à electrónica mais exploratória, todos tratados com um requinte invejável.

Helm – Silencer
O Luke Younger é um dos mais talentosos exploradores das lides electrónicas. Algures entre a música concreta e o industrial, consegue tornar cada uma das vertentes em algo novo e fresco. O EP Silencer é, todo ele, uma maravilha a descobrir com tempo e mente aberta.
Young Echo – Jupiter Rise
Bristol continua a gerar alguma da música electrónica mais interessante. Se ainda não conhecem o colectivo Young Echo deviam estar já a corrigir essa falha.

Julia Holter – Horns Surrounding Me
A Julia Holter prova a cada disco que é uma das mais inspiradas criadoras de canções pop da actualidade. Nesta Horns Surrounding Me gostamos particularmente da forma como é utilizada uma dissonância como principal gancho do tema. Pop dissonante!

The Haxan Cloak – Excavation (part 2)
Da música mais negra que tivemos oportunidade de escutar. Ao vivo atinge proporções demoníacas e torna-se numa experiência física. Do mais recomendável que há em 2013.

Escolhas de Cláudia Filipe:

The National

The National – About Today
A semana fica marcada pelo gigante concerto de The National. Ando ao contrário da corrente no que a eles diz respeito: de banda que me diria pouco mais de nada há pouco mais de um ano a acabarem por se tornar algo perto de… imponente? Talvez seja uma palavra demasiado forte, mas isso nem será nada quando comparado com aquilo que se sente quando se tem o próprio do Matt Berninger a cantar sobre as suas dores de alma à nossa frente. E não é difícil conectarmo-nos às palavras de The National. A magia acontece simplesmente porque vivemos e crescemos com dores, cada uma guardada na sua fase de vida específica, algumas semelhantes às histórias que as músicas nos contam, outras que nem têm nada que ver, mas que eventualmente nos fizeram crescer, dando-nos riqueza de espírito suficientemente grande para acolher a poesia de Matt e retribuir-lhe berrando-lhe as letras de volta em género de gritos de guerra em uníssono, como quem quer dizer: “eu entendo-te”.

Fucked Up – Queen of Hearts
Esta escolha vem com algum saudosismo à mistura. Bateram saudades do Primavera e da enorme festa que foi este concerto de Fucked Up. Uma das imagens mais bonitas que tenho do meu ano vem precisamente com esta Queen of Hearts, que foi aquela com que abriram o concerto e com o sorriso estampado na cara do R., da M., e do R. Não há nada como estar num momento “comunhão” com amigos de quem gostamos tanto, pois não?

Nils Frahm – Toilet Brushes
Anda por aí um video deste tema ao vivo na St. John at Hackney Church. Mais uma prova da extraordinária sensibilidade do compositor alemão que, por acaso, acabou de lançar o seu mais recente disco esta semana. Já em pleno uso de ambas as mãos, quebra com alguns paradigmas de Screws e volta a reinventar-se. Não fechem já as vossas listas de 2013!

Rosetta – Je N’en Connais Pas La Fin
Já fazia falta um pouco de vozes mais ásperas nestas escolhas. Fica aqui este lindíssimo tema de Rosetta, para que nunca me esqueça que o A Determinism Of Reality é um disco enorme.

Flying Lotus – … and the World Laughts With You
Para o grupo das bandas sonoras importantes para manter a concentração.

Escolhas de Andreia Vieira da Silva:

young

Lana del Rey – Young and Beautiful
Digam o que disserem acerca da Lana del Rey há que admitir que esta faixa é lindíssima de uma maneira surreal. Seja ela um rip-off de várias artistas ou um material fabricado para as grandes massas, o que me interessa é o que um canção me transmite e, com esta, retirada da banda-sonora de The Great Gatbsy, consigo embarcar num misto de emoções, ora felizes, ou menos felizes. Não é isso que interessa quando ouvimos músicas? Que se danem as conotações que arranjamos para nos diferenciarmos dos outros.

Jack White – Love is Blindness
Outra saída da banda-sonora do The Great Gatbsy. Embora não concorde que seja a melhor música de fundo para este filme, e que até perde com isso, Jack White mais uma vez prova que consegue reinventar-se a cada trabalho e porque razão é um dos músicos mais respeitados da actualidade, sendo um dos expoentes máximos da sua geração. Sinto um toque a Led Zeppelin, o que só podia dar em algo bom.

These New Puritans – Elvis
O álbum Pyramid dos These New Puritans é um dos meus favoritos de sempre. Não parei de o ouvir toda esta semana. É diversificado, original e viciante. A electrónica e o pós-punk casam na perfeição, não só nesta música icónica da banda, mas em todas as faixas do disco que os lançou para a fama.

will.i.am – Bang Bang
Só mais uma da banda-sonora de TGG. É contagiante.

Melvins – Dr. Mule
A primeiríssima faixa do novo álbum de Melvins, saído este mês, Tres Cabrones. É um bom começo para mais um delicioso disco da banda, e tem tudo o que podemos pedir.

Escolhas de João Picanço:

Sea and Cake

Sea and Cake – Monday
Tema do penúltimo deste coletivo de Chicago. As guitarras atingem o nível de perfeição simplista ali por volta dos 1:47

James Holden – The Caterpillar’s Intervention
Não sei se já ouviram falar de Battles. Não sou de intrigas, mas este rapaz ouviu. E muito. Ainda bem.

The B 52’s – Topaz
Sou um fã de coros. Confesso. O refrão desta malta de Georgia (, USA, ok?) é como vermos o nosso clube escalar do Inatel até à gloriosa Liga dos Campeões.

Can – Thief
Todas as palavras são poucas para definir os Can. É caso para dizer que em 1968 é que se era bom. Mesmo que a nossa profissão fosse roubar o que os outros têm de melhor.

Svper – La Melodía del Afilador
Emocionei-me com o castelhano dos PAUS. Tal como sempre me emociono com o apaixonante inglês de Miguel Michu, a estrela espanhola dos galeses do Swansea City. Depois lembrei-me que houve uns espanhóis de quem gostei muito no Primavera. E não eram os Los Planetas…

Escolhas de Cláudia Andrade:

Imogen Heap

Imogen Heap – Hide and Seek
Já tinha saudades desta senhora. Foi a semana toda a rodar o Speak for Yourself e o Ellipse como se não houvesse amanhã. É ao ouvir isto novamente ao fim de um ano que percebo porque é que andei mais de 9 meses sem ouvir mais nada na altura em que descobri estas duas pérolas.

Ben Howard – Empty Corridors
Uma bela surpresa que apareceu na minha vida a semana passada e que esta semana continua a rodar sem parar. Esta semana merece todo o destaque e mais algum.

The National – Need My Girl
Outra coisa que andou a semana toda a rodar foi The National, em especial esta I Need My Girl em modo masoquismo pois nem ao concerto pude ir.

Jarboe – Lavender Girl
Quem voltou a rodar esta semana foi a Jarboe em forma de estágio para a próxima Quarta-feira. Esta Lavender Girl é perfeita.

Madredeus – Labirinto
Há muito poucas bandas portuguesas que me deixem com um sorriso de orelha a orelha quando as oiço numa qualquer rua castiça no meio de Sintra, mas esta é sem dúvida a melhor.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

YCWCB

You Can’t Win, Charlie Brown – Be My World
Foi lançado esta semana o primeiro single do próximo disco dos You Can’t Win, Charlie Brown. “Be My World” é, entre muitas coisas, muito choninhas, mas sem medos, porque vale a pena ouvir e repetir até que “Diffraction / Refraction” seja editado em Janeiro de 2014.

The National – Vanderlyle Crybaby Geeks
É daquelas coisas que já todos sabemos que vai acontecer mas, ainda assim, dá sempre um momento especial. Falo de “Vanderlyle Crybaby Geeks“ a acabar os concertos de The National, em formato acústico, com todo o público a acompanhar Matt Berninger na voz. Na passada quinta-feira não foi diferente aqui em Lisboa e foi bom, foi mesmo muito bom.

The Offspring – Americana
O “Americana” foi o primeiro disco que comprei e, ainda hoje, gosto dele. É verdade que os Offspring actuais estão longe (e bem longe) do que podem fazer (ou então se calhar não e isto foi sempre mais do mesmo), independentemente disso, e porque foram uma das bandas da minha adolescência, terão sempre um espaço reservado nas minhas playlists.

Dead Poetic – Modern Morbid Prophecies
Mais uma que sai dos confins do baú via repescagem do disco “New Medecines”. Este tema sempre foi um dos que mais gosto do disco e que oiço em repetição as vezes que forem precisas sem me fartar.

Thursday – Last Call
Tenho saudades dos Thursday.

Arte-Factos

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