The Counselor

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The Counselor

Um realizador consagrado como Ridley Scott, um escritor notável como Cormac McCarthy (desde a crueza apocalíptica e fortemente emocional de “The Road” até à ironia estrondosa de “There’s No Country For Old Men”), um cast com  nomes como Penélope Cruz, Javier Bardem, Brad Pitt, Michalel Fassbender ou Bruno Ganz… com este cenário, a expectativa só podia ser mais que muita. Depois de ver o filme, fica a pergunta: como foi possível? Como é que gente tão talentosa pôde fazer algo tão fraco?

The Counselor alterna entre o México e os Estados Unidos. É aparentemente, segundo a sinopse, uma história sobre os meandros obscuros do tráfico de droga, sobre ambição desmedida, sobre tentação de poder. Juntando estas temáticas ao cruzamento surpreendente de personagens, com algo dos filmes mosaico, podia-se pensar no belíssimo Traffic, um dos grandes filmes da carreira de Soderbergh. Mas, após ver o filme, fica-se com a sensação que o filme não é sobre coisa alguma e que a intersecção credível entre as personagens roça o zero. Aliás, ficamos com a sensação de que nenhuma das interpretações é marcante (nem no seu conjunto), o que, tendo em conta os actores brutais que por aqui andam, é obra.

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Apesar dos diálogos arrastados, sem o humor de  fino recorte de There’s No Country For Old Men, a tendência natural seria achar que o problema estaria na adaptação da obra literária. Acontece que não é o caso, visto que foi o próprio McCarthy que escreveu o argumento e que surge como um dos produtores executivos do filme. Ou seja, foi um texto escrito directamente para cinema. Não se percebe então como é que o escritor americano fez algo tão desligado, tão desprovido de chama ou de intensidade psicológica, com uma violência pouco mais do que gratuita. Adicione-se uma imagem demasiado artificial e cenas de sedução relativamente baratas (quer no romantismo, quer no sexo perigoso, parece tudo tão batido e sem graça) e está o cenário criado.

Há apenas um momento mais intenso e certeiramente filosófico, sobre o valor da dor e o seu potencial de troca (ou a sua ausência), mas perde-se no meio da dispersão generalizada. Tinha tudo para correr bem, mas The Counselor é um rotundo falhanço.

e3Texto por João Torgal

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