Top 10 de 2013 por Cláudia Filipe

Top 10 de 2013 por Cláudia Filipe

Andamos a fazer estas listas desde 2010. Pelo terceiro ano consecutivo, não consigo evitar o travo a injustiça que sinto, enquanto cedo ao cansaço e desisto de alterar esta espécie de top que mistura tudo. Há um par de outras coisas que gostaria de destacar aqui, mas que terão de ficar guardados no sítio onde, na verdade, mais importam estar: fresco na memória trago a incrível chapada de Metz na ZdB, ter optado por ignorar que Blur estavam a tocar mesmo ali ao lado para assistir à magia a acontecer ao som de um lindíssimo concerto de Do Make Say Think, ter visto os Linda Martini regressar a um palco para tocar o primeiro EP e o Olhos de Mongol na íntegra, ter presenciado a Chelsea Wolfe juntar-se em palco aos Russian Circles para dar voz a Memorial, continuar a passar na Praça D. João I e dizer que foi tudo melhor no warm up, etc.

#10 Fucked Up no Optimus Primavera Sound

Um dos melhores fins de semana do ano foi o do Optimus Primavera Sound e que para mim não podia ter terminado de melhor forma. Depois de ter picado o ponto em My Bloody Valentine, corri para a tenda para não perder um segundo de Fucked Up. Lembro-me de ter comentado que bom era começarem logo com a Queen of Hearts e quis mesmo o acaso que assim fosse. Segundos depois corríamos lá para a frente e a festa fez-se enquanto pés patinavam no chão escorregadio cheio de cerveja, se participava no sing along, se partilhavam inúmeros sorrisos. Venha o Primavera Sound 2014!

#9 Jibóia Experience no Milhões de Festa

Habituámo-nos a assistir aos concertos de Jibóia com os suspeitos do costume: Óscar Silva, ao comando da máquina, e Ana Miró que empresta a sua doce voz ao projecto. No entanto, para o Milhões, a Jibóia apresentou-se de uma forma especial, com um vibrante concerto carregado de cor. Foi uma enorme festa onde se dançou, onde se tentaram comboios e de onde no final de saiu com um gigante sorriso nos lábios.

#8 O Mikal Cronin em geral

Ah, os dramas do acne. Mikal Cronin a surgir de rompante com todas as problemáticas mal resolvidas do final de adolescência com um disco muito bem conseguido, cheio de canções simples, mas às quais nos ligamos tão facilmente (we’ve all been there, não?). E depois deu o outro concerto que trago do Milhões deste ano.

#7 O regresso de My Bloody Valentine

Foram precisos 22 anos para que o sucessor de Loveless visse a luz do dia. Por um disco destes, esperava-se mais o tempo que fosse preciso. Para ser diferente dos outros que, justamente, citam a Only Tomorrow como uma das grandes canções do ano, acabo por preferir dar a vez a New You, a minha preferida.

#6 Cult of Luna no dia em que o Garage veio abaixo

2013 foi um ano em que andei com menos paciência para ouvir peso, salvo gloriosas excepções. A primeira a destacar são os Cult of Luna. Regressaram de forma triunfal logo no início do ano com Vertikal, um disco que, apesar de ter gostado dele à primeira, foi crescendo e tornando-se num dos marcos de destaque do ano. Claro que tudo isto teve um impacto muito maior no dia em que estive frente a frente com a tropa sueca no Garage para um concerto demolidor. With poisoned blood, the demon speaks. See how the wolves devour the weak.

#5 A Afterlife dos Arcade Fire

O Reflektor é um disco que podia ter sido mais, mas que tem lá pelo meio uma música maior do que a vida, das que se agarram à pele pela força que meia dúzia de palavras conseguem ter. A Afterlife é um hino, daqueles para ouvir bem alto e dançar para espantar todos os demónios do mundo. Comovi-me a primeira vez que a ouvi e acho que não passou dia nenhum desde então sem que a tenha posto a tocar pelo menos uma vez. É por continuarem a ter o dom da palavra que permanecem uma das maiores bandas do mundo. 

#4 Chelsea Wolfe no Amplifest

Magnífico concerto de Chelsea Wolfe no Amplifest. Primeiro porque se trata de alguém tão peculiar, com uma sensibilidade invulgar (tive o prazer de me aperceber disso quando tive a sorte de poder trocar algumas palavras com alguém que me inspira tanto). E segundo, porque bastou a Feral Love para sentir que desabava, para me render àquela imponente figura, majestosa, dona de uns olhos tão azuis numa tez quase transparente. Intenso.

#3 As festas Arte-Factos

Dias de festa Arte-Factos eram sempre dias de alegria, de nervos, de tudo. Já tenho saudades das quintas-feiras recheadas de projectos de que gostamos tanto e de toda a sensação de orgulho que tomava conta no final da noite. Aproveito o tempo de antena para agradecer a todos os que passaram pelo palco pelos enormes concertos que deram e a todos os que apareceram por todo o apoio e carinho que demonstraram. 2013 teria sido um lugar muito pior sem estes dias.

#2 Explosions In the Sky no Optimus Primavera Sound

Não há qualquer argumento racional que justifique esta escolha: adoro-os, andava a contar as horas para os poder ver, a tentar antecipar setlists (apesar de já os ter visto antes), a desenhar todos os cenários de como seria aquele momento. Na verdade, acabou por ser um concerto muito mais festivo do que estava à espera e muito melhor do que poderia esperar.

#1 E o Óscar de melhor álbum / concerto / música do ano vai …

… directo para o James Blake. Ouvi a Retrograde no final do ano passado, apresentada como isco para o novo álbum que aí vinha e apaixonei-me. Quando o Overgrown saiu, rodou incessantemente durante semanas a fio. Depois de todos estes meses, sei que é um grande disco quando continuo a ouvi-lo frequentemente sem passar qualquer faixa à frente (e as estatísticas do last.fm que o digam). Se já não bastava ter direito a música e disco do ano, ainda deu um concerto irreprensível no ambiente de comunhão que estava no Primavera Sound, onde o som esteve perfeito.

Arte-Factos

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