Top 10 de 2013 por Andreia Vieira da Silva

Top 10 de 2013 por Andreia Vieira da Silva

Chega aquela altura em que é de feição fazer-se uma síntese do que de melhor aconteceu no ano que agora finda. Acho sempre que consigo reunir de caras um conjunto daquilo que mais apreciei, mas é quando começo a escrever que me deparo como uma série de condicionantes. Há sempre algo que não pode constar da lista, há sempre lugares que ficam empatados, mas por ter que se atribuir um número têm que ficar hierarquizados, e há sempre um sentimento de frustração ou injustiça quanto ao produto final. No entanto, tenho apenas uma certeza, e é de que todos os nomes que figuram nesta lista são álbuns que me transmitiram coisas de tal maneira que me vieram mais rapidamente à memória do que outros. Provavelmente esqueci-me de uns, e a outros tantos não pude atribuir um número, mas listas são mesmo assim.

#10 Carcass – Surgical Steel

1985” é uma grande abertura de um álbum, com a assinatura de Bill Steer. Um álbum com um registo sempre acelerado, não fosse Carcass uma das mais aclamadas bandas de death metal. O thrash e o black estão também presentes, no meio de um excelente trabalho de guitarra.

#9 My Bloody Valentine – m b v

Depois de um interregno que levou cerca de 22 anos, os My Bloody Valentine surgiram com um novo álbum, o sucessor de “Loveless“, lançado em 1991. O entusiasmo foi universal, e “m b v” caiu nas boas graças de quase todos. Não ultrapassa a marca do seu antecessor, mas é um registo competente e com um som completamente identificável.

#8 Deafheaven – Sunbather

O segundo disco desta banda americana, que tem apenas três anos de existência, de imediato os empurrou para a ascensão. É um registo caótico, com laivos de post-metal, shoegaze e até black metal. Uma mistura interessante que só pela descrição vale a pena ouvir.

#7 Daughter – If You Leave

Comecei por conhecer Daughter através de uma versão muito bem conseguida da “Get Lucky” dos Daft Punk. O álbum de seu nome “If You Leave“, tem um sentimento muito dreamy, muito Bat For Lashes em combinação com Cat Power. Uma voz feminina a ter em conta nos próximos tempos, sem qualquer dúvida.

#6 The Dillinger Escape Plan – One of Us is The Killer

Este álbum fez-me gostar realmente de The Dillinger Escape Plan. Anteriormente, era capaz de ouvir umas quantas vezes, mas nada de mais. Sobre este disco tenho a dizer que gosto verdadeiramente. Que o ouço vezes sem conta, e já memorizei muitas das faixas. Tinha que estar no top, porque de facto, passou-me qualquer coisa.

#5 Tom Odell – Long Way Down

Another Love” é o single que anda por aí a passar nas rádios e que se entranha na memória. Nem que seja para cantarolar um pouco. Tom Odell actuou durante o desfile S/S 2014 da Burberry, com “Hold Me“, e daí via-se que seria um talento a descobrir. A Burberry parece estar virada para a descoberta de músicos britânicos talentosos e tem-nos brindado com um casamento perfeito entre a música e a moda, o que confere uma fasquia emocional elevada a cada desfile. Este álbum transmite tanto alegria quanto tristeza por intermédio de uma voz frágil, mas com o poder de marcar.

#4 Kylesa – Ultraviolet

Mais um álbum poderoso de Kylesa, o seguinte a “Spiral Shadow“, de 2010. Mais uma fusão espantosa entre o sludge metal e o rock psicadélico, e isso pode confirmar-se logo na primeira e segunda faixa. A barulhenta “Exhale” transforma-se numa viagem com referência a Pink Floyd em “Unspoken“. A combinação das vozes de Phillip Cope e Laura Pleasants é também um dos pontos a favor desta banda norte-americana. Pede-se mais uma passagem por Portugal, depois disto.

#3 (the) Melvins – Tres Cabrones

Pode não ser um álbum preponderante na carreira de Melvins, ou o melhor, mas é um registo que os coloca de novo nas origens, e que nos permite viajar com a banda até há cerca de 30 anos atrás.

#2 Woodkid – The Golden Age

Aditivo é talvez a melhor palavra para descrever todo este role de batidas fulminantes. Um misto da voz poderosa mas suave de um Antony Hegarty, com instrumental selvagem e grandioso. O álbum concilia na perfeição momentos de calmaria relaxante com segmentos de um instrumental “cheio” e rico em detalhes. Uma versão masculina da Lykke Li.

#1 Queens of the Stone Age – …Like Clockwork

O sexto álbum de estúdio e que marcou o regresso da banda de Josh Homme ao nosso país, depois de largos anos de espera. Como era de prever o Super Bock Super Rock encerrou com um dos melhores, ou o melhor concerto do festival. A ansiedade, a certeza que na bagagem traziam mais um excelente álbum para promover, ou a curiosidade apenas, encheram o recinto de almas expectantes. “…Like Clockwork” apresenta uns Queens of the Stone Age maduros, mas ainda envolvidos na essência própria que os caracteriza. Souberam limar arestas, sem nunca perder a identidade. Um álbum misterioso, sombrio e de certa forma hipnotizante e sensual.

Arte-Factos

Webzine portuguesa de divulgação cultural. Notícias, música, cinema, reportagens e críticas. O melhor da cultura num só lugar.

Facebook Twitter LinkedIn Google+ YouTube