Dream Theater no Coliseu do Porto (15/01/2014)

Dream Theater no Coliseu do Porto (15/01/2014)

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Texto por Carlos Vieira Pinto / Fotos por Gustavo Machado

Numa típica noite de Janeiro na Invicta – onde umas horas antes um jogo de futebol até tinha sido interrompido devido ao mau tempo que se fazia sentir – muitos foram aqueles que rumaram até ao Coliseu do Porto para assistir ao concerto dos norte-americanos Dream Theater. A banda de metal progressivo tem mesmo uma relação histórica com a cidade, uma vez que já por cá tocaram várias vezes, tanto nesta sala como no Palácio de Cristal, onde fizeram questão de passar com a sua Progressive Nation Tour em 2009. Será que os Dream Theater também conhecem aquele já célebre provérbio que afirma que “tudo é melhor no Porto”?

O público acedeu ao convite e – como aconteceu em todas as visitas da banda – a sala esteve muito bem composta, tanto na plateia em pé como nos dois balcões – nitidamente compostos por famílias inteiras que queriam observar a qualidade dos cinco músicos ao vivo.

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A abertura do concerto fez-se em modo de retrospectiva, onde, na tela – enorme diga-se – era projectada uma animação que interligava – com recurso a fértil imaginação – as diferentes capas dos discos de originais que os Dream Theater gravaram ao longo dos anos, desde When Day And Dream Unite, do já longínquo ano de 1989, até ao álbum homónimo, do ano passado e que contém The Enemy Inside, o primeiro tema tocado.

Deste mesmo disco, o grupo tocou mais três temas, entre os quais, Along For The Ride, que dá nome à tour mundial iniciada neste mesmo concerto e, Enigma Machine, que conta com um solo de bateria de Mike Mangini e recebe uma das maiores ovações da noite, o que acontece, aliás, sempre que a tela exibe em plano fechado a técnica de cada um dos virtuosos músicos.

Se o comportamento do público se rege por: a) aplausos desenfreados aos solos técnicos dos quatro músicos em palco e b) uma atitude passivamente voyeurista, facilmente se conclui que grande parte dos presentes são geeks da habilidade, o que transforma um concerto dos Dream Theater numa espécie de freak show que pouco, ou nada, deve a um daqueles célebres eventos popularizados por P.T. Barnum no século XIX.

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Após um intervalo de 15 minutos – cronometrados ao segundo na tela – a banda regressou para uma segunda parte composta quase totalmente por temas do disco Awake, que celebra 20 anos e é um dos marcos da banda, como James LaBrie fez questão de enaltecer. O vocalista, aliás, espelha bem a dicotomia em que a banda vive… uma facilidade incrível em reproduzir tudo o que ouvimos em disco, mas uma enorme deficiência em atingir picos de emoção que não os superficiais. Para o encore a banda entrou numa máquina do tempo até 1928 – na realidade até 1999 – e brindou o público com temas do disco Metropolis Pt. 2: Scenes From A Memory, que é o preferido de grande parte dos fãs dos norte-americanos.

Assim, podemos dizer que os Dream Theater deixaram em êxtase os que foram até ao Coliseu do Porto, num concerto que foi – não tanto pela atitude da banda em palco, mas pela força dos temas – sempre em crescendo.

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