Alcest no Hard Club (04/02/2014)

Alcest no Hard Club (04/02/2014)

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Texto por Emanuel Henriques / Fotos por Gustavo Machado

A cidade do Porto acolheu ontem mais um regresso dos franceses Alcest, desta feita para a apresentação do mais recente álbum, Shelter, editado já neste ano, fazendo-se acompanhar pelos finlandeses Hexvessel e pelos britânicos The Fauns. Num dia que teve muita água por todo o lado, a noite, já no Hard Club, só se viria a revelar amena.

Numa noite em que os concertos começaram já bem tarde e para lá do recomendável para um dia de semana, os The Fauns subiram ao palco à hora marcada e brindaram o ainda pouco público com o seu shoegaze para mostrarem, também eles, o seu novo álbum, Lights. No entanto nunca conseguiram cativar por completo a plateia, tendo sido, no geral, um concerto monótono e sem grande história para contar, excepção feita ao bom termo da actuação,  com Seven Hours.

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Seguiram-se os finlandeses Hexvessel, com a mistura do folk nórdico e o psicadelismo britânico das décadas de 60/70, que já tinham uma sala mais bem composta, onde se faziam notar bastantes fãs da banda à espera da sua estreia em solo nacional. Se antes, o ambiente estava um pouco monótono, os finlandeses conseguiram mudar isso, muito por culpa de Kvhost, vocalista/guitarrista, e também do enérgico teclista/violinista/trompetista. A mistura dos dois géneros musicais torna-se bastante interessante, mas nem sempre funciona bem. Para agrado dos fãs, o concerto abordou um pouco de todo o seu trabalho: os dois álbuns (Dawnbearer e No Holier Temple) e do mais recente EP, Iron Marsh.

Para terminar a noite, seguiam-se os muito aguardados Alcest, para mais um regresso a Portugal, ao Porto e ao Hard Club. Na bagagem traziam o mais recente álbum, Shelter, que tem dividido críticas, pois deixou de lado toda a fúria e rapidez do Black Metal que os franceses tinham, abordando e fazendo sobressair o lado mais post-rock da banda. E foi mesmo com o início do mais recente álbum que o concerto se iniciou. A intro Wings foi o tapete multicolor para Opale e, desde logo, notou-se uma grande debilidade no som: demasiado alto e com o som da bateria a sobrepor-se a todos os restantes instrumentos, chegando a abafar, por vezes, a voz de Neige. No entanto, durante o desenrolar do concerto sentiram-se melhorias, mas sem nunca estar perfeito.

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Perfeito também não foi o concerto de Alcest. É certo que os franceses não sabem dar maus concertos, mas, comparando com o concerto em 2012, este deixou a desejar e não se trata por se ter baseado no último álbum, mas pareceu um concerto muito mecanizado. A primeira grande manifestação do público deu-se em Là où Naissent Les Couleurs Nouvelles do álbum anterior Les Voyages De L’Âme; Autre Temps, que já é um clássico foi a passagem perfeita para Percées De Lumière, que mostrou a boa forma de Neige nas vocalizações guturais. Continuando na melhor fase do concerto, seguiu-se a fantástica Souvenirs d’un Autre Monde. O desfecho do concerto seria tal e qual como o mais recente álbum termina, com Délivrance, já como música de encore.

Foi, em suma, um concerto bastante competente por parte dos franceses, onde, só a espaços, conseguiu estar ao nível da anterior passagem, em 2012, pela mesma sala. Não desiludiu, mas também não deslumbrou. A nota negativa vai mesmo para o início tardio dos concertos, principalmente a um dia de semana, que complica em muito as contas de quem vai ou quer ir aos concertos. É certo que o público português não é pontual e torna-se complicado gerir todas essas variantes, mas, cabe às promotoras tentarem educar e incentivar o seu público a chegar mais cedo. Todos ficam a ganhar.

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