Church Of Ra no Hard Club (17/04/2014)

Church Of Ra no Hard Club (17/04/2014)

#4 Oathbreaker

Texto por Cláudia Filipe / Fotos de Cláudia Andrade
Fotos de Hessian cedidas por Nuno Bernardo

Calhou que tempos de Páscoa fossem sinónimo de devoção a Church of RA. Quis, no entanto, o destino, que a peregrinação ficasse travada a meio do caminho, vítima de alguém que não quis passar mais um dia sem conhecer os malefícios de esbarrar com comboios, o que nos fez perder o concerto de Hessian e boa parte da chapada em forma de Oathbreaker.

Já a missa ia a todo o vapor no Hard Club, mas a recepção deu-se com aquilo que se esperava: a enigmática Caro Tanghe, a disparar Agartha friamente, puxando consigo o resto da banda e hipnotizando o público com a sua presença possante. Uma amostra daquilo que parece ter sido um grande concerto do primeiro dos mais aguardados da noite.

#11 Treha Sektori

Depois da violência, a sala 2 submerge nos ambientes negros de Treha Sektori, para acalmar os batimentos para o que aí estaria para vir, mas para iniciar o processo de sufoco. Ora não esqueçamos que, recuando a Outubro de 2012, se assistiu na sala ao lado a um dos rituais de contemplação mais intensos que alguma vez terão passado por aquele chão. Dificilmente serão esquecidas memórias daquele concerto de Amenra onde a plateia mergulhou num perfeito exercício de headbang sincronizado.

Ano e meio depois, pediria-se uma brisa do que aquela noite foi. No final, nada faria prever a tempestade que por ali passou. Uma impiedosa The Pain It Is Shapeless entra de rompante, com Colin, como vem sendo habitual, de costas para o público e a sala iluminada apenas pelas cruas projecções que iam passando. Assistir a um concerto de Amenra é uma experiência sem par, tão cruel que nos fustiga a alma sem dó. Uma hora de tormentos, fisicamente espelhados nas costas arranhadas do frontman, que acompanham a já mítica tatuagem que lhe cruza as costas, também ela já parte do décor. Am Kreuz e Silver Needle Golden Nail fecham uma actuação, que em tudo superou as expectativas.

Tal como em qualquer celebração que se preze, a oração foi feita em colectivo. Numa sala esgotada, não houve alma que não orasse e carregasse as dores dos Amenra. E uns dos outros. Porque a comunhão nunca nos ficou tão bem.

Arte-Factos

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