Joe

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Nicolas Cage é Joe, um antigo presidiário que tenta refazer a vida enquanto líder de um conjunto de madeireiros da América rural e profunda. Quando conhece Gary, um jovem vítima de maus-tratos familiares, mas profundamente obstinado e perseverante, Joe equaciona todo o seu percurso. O miúdo é uma espécie de espelho, uma reencarnação de si próprio, como um dos planos iniciais mostra de forma notável. E, assim, um certo sentido de justiça, de protecção e de necessidade de refazer o passado pode levá-lo a agir na corda bamba.

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Formalmente, o filme de David Gordon Green (que realizou também Prince Avalanche, estreado recentemente) tem um ambiente suficientemente soturno e enigmático. E mantém uma aura capaz de captar a essência profunda e misteriosa destas personagens. Só que, em termos de argumento, falta alguma criatividade e momentos marcantes, havendo aspectos meio absurdos, como a cena gore protagonizada pelo sinistro pai de Gary. Assim, apesar de ser um filme com pormenores interessantes, onde se destacam igualmente as intepretações, nomeadamente a de Tye Sheridan (Gary), acaba por se arrastar em demasia e não justifica as duas horas de duração.

Pela busca imperceptível da redenção e pelo improvável altruísmo, faz lembrar a espaços Gran Torino. Mas nem a personagem de Nicolas Cage é inicialmente tão dura e implacável, nem Joe, apesar dos seus méritos, tem o poder narrativo e emocional da obra-prima de Clint Eastwood.

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Texto por João Torgal

Arte-Factos

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