NOS Primavera Sound - 1º dia (05/06/2014)

NOS Primavera Sound – 1º dia (05/06/2014)

#19 Ambiente

Texto por Carlos Vieira Pinto / Fotos por Miguel Tavares

Quando chegamos ao recinto do NOS Primavera Sound, trocamos os bilhetes pelas famosas pulseiras e entramos no Parque da Cidade do Porto, surge a dúvida: como é que não se pensou antes em fazer aqui um festival? Este é o espaço perfeito para este tipo de eventos, numa cidade que é o destino turístico por excelência nos dias que correm e com fácil acesso. Longe vão os dias em que se apostava em festivais localizados em terras esquecidas no interior e hoje em dia o circuito festivaleiro faz-se nas principais cidades nacionais. O Primavera Sound, instituição já mítica em Barcelona, apercebeu-se destes factos e inaugurou ofranchising no Porto, onde tudo é melhor.

O primeiro dia do festival começou com Os Da Cidade para uma plateia que ainda tardava em compor-se e, por isso mesmo, só com Rodrigo Amarante, no Palco Super Bock, se sentiu realmente um ambiente de festival. O ex-Los Hermanos deu um belo concerto, para gáudio de várias meninas giras que gostam de homens com barba e uma imagem intelectualizada. Por vezes intimista, por vezes mais festivaleiro, o brasileiro radicado nos Estados Unidos, soube sempre seduzir a sua plateia e chegou a pontos verdadeiramente altos – para um concerto às 7 da tarde – com temas como Nada em Vão ou Tardei, do seu disco de estreia Cavalo.

#3 Rodrigo Amarante

Depois do brasileiro, foi a vez dos americanos Spoon que, para os mais distraídos, contam já com uma carreira de 20 anos. No entanto, o concerto da banda de Britt Daniel parece centrar-se mais nos últimos 10 anos da sua carreira. O concerto foi morno para a plateia que estava mais interessada em relaxar na convidativa relva do Parque da Cidade, ou em comprar uns souvenirs nas várias barraquinhas de lojas da Invicta. Os Spoon, com um belo cenário no palco, fizeram desfilar temas como I Turn My Camera On ou Small Stakes. Convém não esquecer que a banda edita ainda este ano o disco They Want My Soul, o seu décimo.

Pouco depois das 20:30, é hora da menina Sky Ferreira pisar solo lusitano pela primeira vez e a questão que se põe é: Acham a menina Céu mais gira loira ou morena? Quando entra em palco, quase não a identificamos com a polémica foto de capa do seu disco de estreia Night Time, My Time, de 2013. A celebridade do MySpace e do Tumblr apresentou a sua pop sintetizada aos vários fãs que a esperavam em histeria, o que nos leva à próxima questão: A menina Céu é só um hype ou vai conseguir construir uma carreira, minimamente sólida? É impossível fazer futurologia e quando alguém parece querer ser notado à força as dúvidas adensam-se, no entanto, o concerto foi suficientemente consistente para, pelo menos, uma nova data por cá.

#9 Sky Ferreira

Antes das 10h da noite, começou aquele que foi, quanto a nós, o concerto da noite. Caetano Veloso tocou para um recinto a abarrotar e quando a noite começava a tornar-se bem escura. A ficha técnica do concerto é apresentada em voz-off, anunciando que este começará dentro de momentos, o que mostra que o brasileiro de 71 anos anda cá há tempo suficiente para saber que um espectáculo depende não só dele, mas de muita gente atrás do palco. Esta ideia é reforçada pelas vezes que Caetano agradece e apresenta a sua banda, a banda Cê. Desde que começou a sua colaboração com este grupo, a carreira de Veloso, revitalizou-se e faz, de novo, música bastante relevante. O início dá-se com “A Bossa Nova é Foda” e teve mais pontos altos com o clássico Baby, Triste Bahia, Homem, Odeio Você, a teatral Um Abraçaço e já no encore, aquela que terá de ser uma das melhores canções de sempre, Nine Out Of Ten. “Funk melódico” para todos e: Caetano é foda.

As irmãs Haim deram um concerto agradável, mas que, indo directamente ao assunto, não nos cativou. Danille, Alana e Este movem-se pelo pop/rock/indie ligeiro que não corre grandes riscos. São malhas melódicas – que põem muitas miúdas a cantar as letras – mas que no final do concerto apostam num tribalismo adocicado que faz a plateia entrar num headbang colectivo onde se ouvem frases como: afinal as miúdas dão-lhe forte. Pena que em disco não sejam tão interessantes. Foi um concerto de alguns… encontros.

#20 Kendrick Lamar

O concerto seguinte foi a estreia de Kendrick Lamar por cá, e que concerto. Notou-se claramente que a maior parte dos festivaleiros queria ver o americano e foi impressionante ver o número de pessoas que sabia todas as letras do rapper. Por entre danças loucas, lap dances, e cheiro a muita, muita erva – facto que levou K Dot a comparar o Porto a Compton – foram-se entoando canções do enorme Good Kid Maad City, como Money Trees, Swimming Pools, o inevitável Bitch Don’t Kill My Vibe, Compton e a belíssima Sing About Me – onde Kendrick pediu que ligássemos os telemóveis, num momento bonito, calmo e de comunhão. Há hip-hop antes de Good Kid Maad City e há hip-hop antes de Kendrick Lamar.

O encore da primeira noite foi feito com os Jagwar Ma e – roubando a piada a uma amiga – foi Jagwar Mau ou foi Jagwar Bom? Nós acreditamos que foi a trip de electrónica psicadélica perfeita para a primeira noite do Nos Primavera Sound.

Arte-Factos

Webzine portuguesa de divulgação cultural. Notícias, música, cinema, reportagens e críticas. O melhor da cultura num só lugar.

Facebook Twitter LinkedIn Google+ YouTube