Milhões de Festa - 1º dia (25/07/2014)

Milhões de Festa – 1º dia (25/07/2014)

#14 Milhões de Festa

Texto por Carlos Vieira Pinto / Fotos por Ana Mascarenhas

Se o primeiro dia do Milhões de Festa teve em campo os Modernos, então no segundo – para que os restantes membros dos Capitão Fausto não ficassem com ciúmes – tocaram os Bispo no Palco Piscina Red Bull City Gang, e foi por aí que nos mantivemos durante a solarenga tarde do primeiro dia oficial do festival.

Os Bispo tocaram logo depois da hora do almoço e por isso mesmo a afluência do público ainda não era muito grande. Ainda assim, quem esteve por lá pôde dançar “como se estivesse em Ibiza em 99”. A música quente, instrumental e polirrítmica dos lisboetas encaixa que nem uns pequeníssimos calções de banho floridos neste ambiente, e deixou boas indicações sobre o projecto.

De seguida, mais um projecto que nasceu ali pertinho, os Dear Telephone. O quarteto sequestrou aqueles que tinham estado na pista de dança caribenha barcelense e levaram-nos para momentos mais introspectivos e intimistas, com vocalizações preguiçosas – tal como nós, na relva ali ao lado – e instrumentais que nos transportam em crescendos. Foi o momento ideal para apreciar a música enquanto se bebiam uns mojitos. Inveja, hein?

#2 Milhões de Festa

Seguiram-se os Riding Pânico, banda totalista do festival e que teve a maior enchente de público nesta tarde da piscina. Com algumas alterações no line-up, que se apresentou e em formato octeto, o “Colectivo Riding Pânico”– como fizeram questão de realçar – trouxe o seu post-rock instrumental bem dinâmico a Barcelos. Não resistimos a ver bem de perto, e a acompanhar com headbang, temas como “Monge Mau”, “Running Kids” ou “E Se A Bela For O Monstro?”. No final ficou a promessa de voltarem para o ano, quer seja no palco principal ou ali mesmo na piscina.

Para o final de tarde ficaram os afro-bailes de Celeste/Mariposa e o house de Ramboiage, que se transformou numa bela aula de hidroginástica na piscina municipal de Barcelos.

A primeira noite de Milhões de Festa no palco principal abriu com o post-rock dos sul-coreanos Jambinai. Foi a banda sonora perfeita para o sol que se punha ao longe enquanto a música nos embalava ao largo do rio Cávado. A instrumentação nativa dos Jambinai torna-os num colectivo diferente dos demais que se acomodaram ao post-rock. Esta foi uma das belas surpresas do festival, sendo que os próprios músicos se mostraram maravilhados por poderem tocar para tanta gente.

#3 Milhões de Festa

Continuamos do outro lado do planeta e no Palco Vodafone FM, a dupla australiana Ginger & The Ghost apresentou os seus temas pop assentes na potentíssima voz da rapariga da enorme trança. A teatralidade está no sangue de Ginger, não tanto no de Ghost, e ainda se explora, assim como alguns temas, que os milhionários ouviram em primeiríssima mão. De seguida voltamos ao Palco Milhões para um dos concertos mais esperados de todo o festival, Chelsea Wolfe. Como se não bastasse o enorme atraso, o concerto começou com falhas técnicas e um som muito distante do que seria de esperar. Talvez por estes motivos a própria cantora não entrou em palco com muita força, nem conseguiu estabelecer uma conexão com a plateia como tinha feito em Outubro, no Amplifest. Ainda assim, temas como “Tracks”, “We Hit A Wall” ou “House Of Metal” foram os pontos altos do concerto, que cresceu à medida que as condições sonoras iam melhorando.

Para contrastar totalmente com este ambiente negro, subiram ao palco os brasileiros Boogarins, que apresentaram o seu disco de estreia As Plantas Que Curam. Houve psicadelismo tropical a trazer à memória Os Mutantes, leveza e boa disposição em palco e, acima de tudo, canções que têm tudo para nos agarrar até ao fim do verão.

O tropicalismo não abandonou e os Fumaça Preta deram outro concerto, ou melhor, uma festa explosiva. Estes músicos vão passando de estilo em estilo, de ambiente em ambiente, com uma facilidade incrível, que tem como único ponto em comum o facto de nos manterem sempre a dançar. É caso para dizer que “uma Fumaça Preta por dia, não sabe o bem que lhe fazia”. No pun intended.

#13 Milhões de Festa

Para o final, ficaram dois projectos nacionais. Primeiro, o funeral dos Vicious Five, que foi mais morno do que se esperava. Todos os membros integram hoje outros projectos – provavelmente mais interessantes – e isso também diz bem qual o cariz deste reencontro. Apenas um reviver de algo que foi bonito, como quando voltamos ao apartamento daquela ex-namorada. A noite até se passa bem, mas já não queremos lá voltar. Depois há Joaquim Albergaria e basta dizer isso. Se o funeral está feito, que descansem em paz. Para sempre.

Depois, os Sensible Soccers, que vivem o melhor momento da sua curta, mas fulgurante carreira. Este foi um dos concertos a que mais gente acorreu e percebe-se bem porquê. O misto de rock e electrónica do quarteto encontra-se em ponto de rebuçado e as suas malhas são irresistíveis. Destacaram-se “Zaire 1974”, aquela que é a melhor música deste ano – “AFG”, e, como não poderia deixar de ser, “Sofrendo Por Você” e as suas freak-coreografias.

Antes da debandada geral houve tempo para o turco Baris K e a sua actualização da música psicadélica dos anos 70.

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