Milhões de Festa - 2º dia (26/07/2014)

Milhões de Festa – 2º dia (26/07/2014)

#18 Milhões de Festa

Texto por Emanuel Henriques / Fotos por Ana Mascarenhas

A cura para todos os males – incluindo a possível ressaca do dia anterior – é a piscina. É aí onde se recuperam as primeiras energias do dia e foi aí que os barcelenses Solar Corona começaram com os primeiros psicadelismos do dia e os espanhóis Guerrera, no Palco Taina, continuavam esses caminhos com o seu “Under The Gipsy Sun”.

Já a tarde ia longa e seguiam-se os Memória de Peixe, este ano, na Piscina. A memória não nos falha e ainda nos lembramos do belo concerto com que nos brindaram no ano passado; este ano não desiludiram. Aliás, a dupla, com os seus loops e improvisos, proporcionou a banda sonora mais-que-perfeita, fosse dentro ou fora de água.

Se os corpos tinham sido embalados e mecanizados por loops e camadas sónicas sem rumo, La Flama Blanca – aka Pedro Azevedo – veio cortar e estrebuchar os presentes com o seu tropicalismo e som caribenho, muitas vezes a ultrapassar o azeiteiro. Mas que importa isso quando temos mojitos e miúdas em bikini a dançar? Nada. Dança-se e bebe-se mojitos até ao pôr do sol.

Chegou a noite e com ela os Killimanjaro abriam o Palco Vodafone FM. “Hook”, álbum de estreia do trio barcelense já está bem rodado ao vivo e os Killimanjaro estarão, talvez, na sua melhor forma. Com a atitude irreverente do stoner, com o toque catchy do rock e com o groove do heavy metal, sente-se que a banda está a amadurecer e conseguiu captar e prender o público que ia chegando a um bom ritmo ao recinto.

#2 Milhões de Festa

O sorriso tímido e verdadeiramente genuíno de Mdou Moctar, que já tinha contagiado a piscina nesse mesmo dia, é extremamente enganador. O músico vindo do Niger contagiou tudo e todos com os seus ritmos africanos festivos e electrizantes. No entanto, o tuaregue não se fica apenas pelas suas raízes, conseguiu misturar na perfeição o rock mais pungente e sonhador. Resumindo: as belas paisagens africanas foram pintadas na margem do rio Cávado.

Seguiram-se os Equations no Palco Vodafone FM e, uma vez mais, não convenceram. Se instrumentalmente a banda é interessante; a voz, ao fim de poucos minutos, consegue arruinar todo esse mesmo interesse.

Já os High On Fire conseguiram pôr todos que estavam perto da grade em grande alvoroço, onde as leis da gravidade foram desafiadas e muito pó levantado. Muito provavelmente o ponto alto do dia. Matt Pike – e a sua bela barriga desnuda – conseguiram invocar, com toda a força e cavalgada crua, todos os demónios sempre num compasso doomesco. Concerto muito bem equilibrado, passando um pouco por todos os trabalhos da banda norte-americana.

A noite prosseguia, no Palco Vodafone FM, com a mistura do Kraut rock e a música electrónica. O resultado? Um som enérgico e feroz que consegue perfurar o cérebro ora com sons em batidas repetidas à exaustão, ora com sons espaciais psicadélicos.

Arte-Factos

Webzine portuguesa de divulgação cultural. Notícias, música, cinema, reportagens e críticas. O melhor da cultura num só lugar.

Facebook Twitter LinkedIn Google+ YouTube