Músicas da Semana #110

Escolhas de Hugo Rodrigues:

Cymbals Eat Guitars

Cymbals Eat Guitars – Jackson
Jackson” dá o pontapé de saída ao mais recente disco dos Cymbals Eat Guitars e não o poderia fazer de melhor forma.

Pulled Apart By Horses – Weird Weather
Está, não está? Meteorologia aparte, os Pulled Apart By Horses têm um novo disco e não desapontam. Que voltem rápido a Portugal e em nome próprio.

Metz – Wet Blanket
A descarga de energia que acontece sempre que alguém ouve Metz deve dar para iluminar uma pequena aldeia algures. Outros que precisam de regressar cá em breve.

Maybeshewill – All Things Transient
Também os Maybeshewill têm um disco novo e está um mimo. Ainda a ser explorado por estes lados, para já a “All Things Transient” tem sido uma das mais apreciadas. Estarão por cá em Novembro, numa das Post-Amplifest Session.

Koji – Distance/Divide
Durante este fim-de-semana a discografia do Koji esteve disponível para download na sua página de bandcamp, mediante o pagamento de um valor que até podia ser zero. A ideia era angariar dinheiro para ajudar a combater a epidemia do vírus do Ébola em África. Se quiserem ajudar, ainda têm um par de horas.

Escolhas de Cláudia Andrade:

Pallbearer

Pallbearer – The Ghost I Used To Be
Desta vez decidi que não vou colocar todas as músicas do novo álbum de Pallbearer nas Músicas da Semana, embora me apetecesse muito fazê-lo. Mais uma vez estes senhores souberam como nos encantar. Escolhi esta “The Ghost I Used To Be” porque tinha de escolher uma, mas tal como o álbum anterior, este também só faz sentido num todo.

Yob – Unmask the Spectre
Quem também não desiludiu e merece este destaque aqui é o novo album de Yob. Esta “Unmask the Spectre” tem rodado há semanas.

Mono – Where We Begin
Já tinha saudades destes senhores. Estão de volta com um novo álbum que promete, como já seria de esperar. A “Where We Begin” é a primeira amostra do que vai ser um dos melhores comebacks de 2014.

Ulver – Eos
Aquele momento em que ligas o Stereomood, procuras “I feel like meditating” e esta Eos faz parte da playlist. Tão bom voltar a ouvir e a recordar.

Ólafur Arnalds – Raein
A chuva voltou, mas já não faz mal.

Escolhas de Estefânia Silva:

Earth

Earth – There Is A Serpent Coming
Saiu este mês um novo disco de Earth. É preciso dizer mais alguma coisa? Posso sempre dizer que «Primitive And Deadly» conta com participações de Mark Lanegan e Rabia Shaheen Qazi (Rose Windows), entre outros. E que esta faixa é uma das (duas) faixas presenteadas com palavras do ex-Screaming Trees, o que já por si lhe atribui algum destaque em relação ao restante disco. Descrições desnecessárias à parte, vou apenas dizer que este disco entrou directamente para o meu pódio de discos do ano e que quem não o ouvir é um ovo podre. Boo-hoo.

Melvins – Queen
Outra banda que dispensa apresentações e à qual vou-me escapulir a escrever mais do que meia dúzia de linhas. Escolhi o single tal como poderia ter escolhido qualquer outra malha, tal a consistência a que já estamos habituados nestes senhores. Este «Stoner Witch» é provavelmente o meu disco favorito dos Melvins e aquele a que mais vezes recorro, talvez pela proximidade sentimental de ter sido o primeiro. E a primeira vez ninguém esquece.

Myrkur – Nattens Barn
Em breve, aqui neste mesmo espaço cibernético, será colocada a minha conversa com esta senhora anónima que usa o projecto Myrkur como alter-ego. Esperem daqui um black metal “romântico” e “atmosférico” (palavras da mesma) ali entre o «Nattens Madrigal» dos Ulver e o «Filosofem» dos Burzum. Tenho pois passado os últimos dias a desbravar as sete músicas do seu EP de estreia, tentando absorver as suas influências mesmo sem perceber nada do que a mesma diz (todas as músicas são cantadas em dinamarquês). Como o EP só sai dia 16 de Setembro, deixo-vos como sugestão o single de apresentação que serve muito bem para vos introduzir a tudo aquilo que poderão ouvir na segunda quinzena do mês.

The Earls Of Mars – Otto The Magnificent
Comprei esta semana o meu bilhetinho do Amplifest e como tal entrei naquela viagem quase cósmica entre satélites presentes, satélites passados e tudo o que ainda poderá lá vir a ser observado e/ou descoberto. Parei uns minutos para fazer aquele exercício quase infantil dos “discos pedidos” e imaginei-me a ver estes senhores na sala principal do Hard Club (confesso que primeiro imaginei Portal mas isso são conta$ demai$ para este rosário). Seria com certeza um momento diferente, mais upbeat que o habitual. Meio esquizofrénico, meio embriagado, com cheiro a tabaco e luxúria. Não fossem eles um pouco como uma encarnação metalizada do Tom Waits. Recomendadíssimo.

Pallbearer – Ashes
Ainda na temática Amplifest 2014, que tal um bocadinho de Pallbearer? «Foundations Of Burden» provou que estes senhores não estão aqui para brincar e apresentou uma evolução significativa em relação ao anterior «Sorrow And Extinction». E como uma das coisas em que mais se nota essa evolução é no vocalista Brett Campbell, nada melhor do que uma “baladinha” para o provar. «Ashes» está ali mais para 40 Watt Sun do que para Warning e isso não chateia nada.

Escolhas de José Carlos Santos:

Swans

Swans – Bring The Sun / Toussaint L’Ouverture
Do alto dos seus 34:07, a peça central de ‘To Be Kind’ é um glorioso crescendo de barulheira e desorientação que Michael Gira e as suas tropas foram esculpindo dolorosamente a cada aparição ao vivo antes de nos atirarem para cima com a versão final (até ver) nesse último e colossal disco. Estamos a um mês de mais uma ocasião solene que é ver os Swans ao vivo – no Amplifest – e os Swans ouvem-se todos os dias, por isso esta até pode ficar aqui em sticky.

Sleep Of Monsters – Murder She Wrote
A última vez que ouvimos os criminalmente subvalorizados Babylon Whores foi há mais de uma década (no ‘Death Of The West’ de 2002 que toda a gente precisa de ter, tal como tudo o resto da banda finlandesa), por isso só o facto de termos a voz do Ike Vil a gritar-nos qualquer coisa aos ouvidos já chega para a inclusão deste novo grupo na lista. Nem que fosse o homem a chamar por um táxi nas ruas de Helsínquia ou assim. Os Sleep Of Monsters são mais sinfónicos que os Babylon Whores, há umas miúdas a fazerem uns coros no refrão, e o Ike até parece sensível (yikes!) às vezes, mas o vozeirão e as letras meio crípticas continuam todas lá. Vê lá se não desapareces outra vez, ó Vil.

Swallowed – Black Aura
Houve uma certa excitação daquelas de molhar a cuequinha quando as demos desta gente apareceram em 2007 e 2008 – pode não acontecer muita coisa importante, quantitativamente, no panorama geral do death/doom (pelo menos em comparação com outros géneros), mas quando acontece, costuma valer a pena. Os Swallowed valeram a pena o suficiente para mantermos o radar aberto durante seis ou sete anos, mesmo durante um curto período em que chegaram a estar separados, e este malhão do novo ‘Lunarterial’ chega como prova. É feio, é porco, é mau e está tudo envolto numa espessa nuvem de fumo de cadáveres carbonizados, or something. Ugh!

Vondur – Hrafnins Auga Er Sem Speglar Á Botni Af Satans Svartasalur
Finalmente adquiri, fisicamente, o ‘Striðsyfirlýsing’ dos Vondur, disco que procurava há vários anos. A raridade e valor elevadíssimo por que são vendidas as poucas cópias em existência tinham-no mantido afastado da minha posse desde que o tive várias vezes nas manápulas quando saiu nos anos 90 e não comprei por mera estupidez. Pode ser, dependendo da vossa perspectiva e disponibilidade, o melhor ou o pior disco de sempre – é uma mistura da marcha imperial do ‘Star Wars’ (que domina o conceito do disco, incluindo o disparatado artwork que é da autoria – pasme-se – do Stephen O’Malley) com black metal lo-fi, pontuado pelas vozes tresloucadas e descontroladas do par It e All e pelo islandês semi-inventado das letras e títulos. É, isso tudo. Contado ninguém acredita.

Leonard Cohen – Almost Like The Blues
Pára tudo, porque o grande mestre Leonard Cohen vai lançar um disco novo no próximo dia 23, dois dias depois do seu 80º aniversário. Foi assim, de chofre, que o cavalheiro fez questão de nos informar há pouco mais de 15 dias, mas pelo menos temos onde nos agarrar até lá enquanto nos foge o chão pela antecipação de mais uma colecção de hinos de sabedoria e pacata transcendência humana – chama-se ‘Almost Like The Blues’, e arrasta-se para baixo da nossa pele com a delicadeza e naturalidade do costume. Como também é costume, só o poema já valia o preço do disco. Acaba assim, ó:

There is no God in heaven
And there is no Hell below
So says the great professor
Of all there is to know
But I’ve had the invitation
That a sinner can’t refuse
And it’s almost like salvation
It’s almost like the blues

AMERICAN – Ritual Suicide
É a 6ª música de 5, okay? Porque só assim é que os AMERICAN entram em algum lado, à bruta e de esguelha e clandestinamente. Ainda por cima o número 6 é-lhes particularmente caro, especialmente na sua satanizada versão três-seguidos – até a cassete do álbum ‘Coping With Loss’ (naturalmente o único formato em que está disponível, porque fuck you) custa $6.66. ‘Ritual Suicide’ é a primeira, e a falsa calma dura 16 segundos. Depois é soltado um guincho desumano como já não ouvíamos desde o ‘There Are Few Tomorrows For Feeding Our Worries’ dos Lonesummer, e a partir daí toda a miséria da condição humana é-nos vomitada em cima sem dó, piedade ou sequer interesse.

Escolhas de Andreia Vieira da Silva:

Ty Segall

Ty Segall – The Crawler
Com concerto marcado para as celebrações do 20º aniversário da Zé dos Bois, Ty Segall estreia-se em Lisboa, e irá trazer o mais fresquinho Manipulator lançado em Agosto. The Crawler é das faixas mais marcantes, pela energia, e pela lufada de rock’n roll que prova que este senhor é um dos nomes da actualidade a ter em conta.

Death From Above 1979 – Trainwreck ’79
10 anos passaram desde o lançamento do poderoso You’re a Woman, I’m a Machine. As expectativas foram crescendo, mas Trainwreck ’79 consegue equiparar-se ao que se espera de DFA1979. Não desiludiram.

Bass Drum of Death – No Demons
Descobri isto apenas há uns dias, shame on me. Não consigo parar de ouvir o registo homónimo. BOM.

Jacuzzi Boys – Heavy Horse
Aquele som do relax, que se ouve numa praia, temperatura amena, palmeiras a dizer “Olá” com o suave bater do vento.

Neurosis – The Doorway
É Neurosis e basta.

Escolhas de Cláudia Filipe:

fka

FKA Twigs – Pendulum
Vou fazer alguma batota porque estivemos um mês de férias e este foi o meu disco do Verão. Ainda não tinha oportunidade de dizer aqui quão bom é o ansiado primeiro longa duração da FKA Twigs. Depois de um assombroso EP de estreia, o seu sucessor não desilude. O trip-hop continua vivo, numa inimitável fusão com o que de melhor se faz no R&B actualmente. É enorme esta Twigs.

Cult of Luna – Dim
Tenho ido a todas as edições do Amplifest porque é um festival onde me revejo, com bandas de que gosto e com um ambiente de partilha que dificilmente se encontra noutros festivais. Este ano não vai ser excepção e vou poder rever uma das minhas bandas de eleição, os Cult of Luna. E já falta menos de um mês.

The National – Mistaken For Strangers
Calhou ver esta semana o Mistaken For Strangers, um delicioso documentário que mostra a vida do irmão mais novo de Matt Berninger durante uma tour onde foi roadie dos The National, banda de que nem sequer gosta. Uma visão diferente, mais pessoal e leve, que explora a relação entre os irmãos.

Radiohead – Idioteque
Não precisam de haver motivos para se ouvir a melhor banda do mundo.

Men Eater – Black
Enorme sim para o regresso de Men Eater aos concertos! O regresso é já no próximo dia 18 na Musicbox e claro que a euforia me levou a comprar bilhete mal foram disponibilizados. Que saudades!

Arte-Factos

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