Entrevista aos Memória de Peixe

Entrevista aos Memória de Peixe

©Hugo Valverde

©Hugo Valverde

Ao mesmo tempo que trabalham no novo álbum, a dupla Memória de Peixe, agora composta por Miguel Nicolau e Marco Franco, tem andado de mãos dadas com os espectáculos ao vivo. Parte importante no processo de criação de novas músicas, ao Verão preenchido da banda, que passou por diversos festivais e visitou inclusive os Açores e a Madeira, junta-se agora o concerto no festival Jameson Urban Routes, a 23 de Outubro, num dia que já se encontra esgotado e onde actuarão ao lado dos Future Islands.

No início deste ano houve uma mudança no alinhamento de Memória de Peixe, como é que tem sido a integração do Marco?
A integração do Marco tem sido totalmente orgânica. Começámos imediatamente a trabalhar em novo material com o propósito de compor um novo disco e fomos descobrindo que encaramos a música e o processo de composição de uma forma muito semelhante. O imaginário do projecto vive da diversidade, de referências estilísticas diversas e nós temos muitas coisas em comum. Por outro lado, houve a preocupação de homenagear o primeiro disco, feito com o Nuno Oliveira e tentámos incorporar as músicas à nossa nova forma de tocar, sem as descaracterizar.

Os meses que se seguiram a essa mudança correram-vos bem. Estrearam-se ao vivo em Inglaterra, foram às ilhas (Madeira e Açores) e passaram por diversos festivais. Foram boas experiências? Destacam alguma em particular que vos tenha marcado mais?
As experiências que temos vivido têm sido muito boas. Não é só a viagem, é tudo o que engloba. Por um lado há o factor cultural e geográfico, estares num cenário diferente estimula-te e inspira-te de outras formas. A receptividade do público foi muito boa e temos tido oportunidade de experimentar novas composições. Mas foi muito mais do que isso, foi conhecer pessoas, estarmos com amigos e bandas que gostamos, com a nossa editora, as organizações dos festivais que nos fizeram sempre sentir em casa e que fazem tudo com uma paixão enorme. A verdade é que é impossível destacar a que nos marcou mais porque todas estas viagens foram óptimas experiências.

Memória de Peixe

E no meio disto tudo, como é que se encaixa o novo álbum? Têm tido tempo para trabalhar nele?
O novo álbum encaixa-se na perfeição, pois é feito em paralelo aos concertos. Tem sido a nossa prioridade, enquanto ao mesmo tempo damos concertos. O normal seria só voltar com algo novo, mas desta forma é um processo mais orgânico e mais natural. Ensaiamos muitas vezes, não só porque gostamos muito de tocar juntos, como gostamos da procura de momentos que poderão entrar num disco. Mas acaba por ser um processo aberto para nós e para o público, pois em cada concerto vamos experimentando e aperfeiçoando temas novos e novas formas de os tocar. Há improvisações que nascem em concertos que são aproveitadas tal e qual como o que acontece nos ensaios. Está tudo a fluir para o mesmo propósito que é a composição do novo disco.

Como é que tem sido a vossa abordagem à composição do disco?
Têm surgido muitas ideias que partem essencialmente de jams e de ideias que nascem na sala de ensaios. Queremos continuar a explorar o conceito do live-looping mas ao mesmo tempo vamos nos desprendendo disso e sendo mais orgânicos. Nós gostamos de partir do zero e cada vez que tocamos nunca é igual e isso faz com que possam acontecer coisas inesperadas que resultem em temas novos. Também têm surgido ideias que nascem quando não estamos a tocar e que resultam em músicas. Mas cada música dita uma abordagem diferente e específica e não existirá uma fórmula a ser repetida mas sim a ser criada de raiz. A procura é muito estimulante e quando a ideia vem ter connosco e morde o isco é fantástico. Quando nos perguntam como vai o novo disco nós respondemos com sinceridade que não há ninguém mais curioso do que nós para saber como irá soar, mas estamos muito entusiasmados a descobrir a pouco e pouco.

Memória de Peixe

A 23 de Outubro regressam a Lisboa, ao Musicbox, para participar no festival Jameson Urban Routes, no único dia que está já esgotado há muito. Quais são as expectativas para esse concerto?
Ficámos muito contentes por termos sido convidados, é um festival muito especial com excelentes bandas, neste caso no dia dos Future Islands. Como é normal, pela aceitação que a banda tem tido esgotou muito rapidamente. Nós estamos incluídos, estamos muito gratos pelo convite e esperamos que as pessoas possam divertir-se e gostarem não só da atracção principal mas também da nossa parte. E já estando esgotado temos a certeza que irá ser uma grande noite.

E planos para o futuro? O objectivo a curto prazo é mesmo terminarem o novo disco?
Neste momento estamos a finalizar a composição dos temas e a iniciar pré-produção para em breve entrarmos em estúdio. Estamos ao mesmo tempo que compomos a tratar dos vídeos e da parte gráfica, pois existe uma relação muito próxima entre conceitos musicais e visuais. Tem sido fundamental este tempo de criação e maturação de ideias, temos conciliado esse processo com os concertos, sempre com o foco em novo material. Agora, mal podemos esperar para mostrar o que temos andado a fazer.

Entrevista por Hugo Rodrigues

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