Tim Hecker no Hard Club (26/10/2014)

Tim Hecker no Hard Club (26/10/2014)

Tim Hecker

Texto por Carlos Vieira Pinto

O Hard Club voltou a receber o público do Amplifest, naquela que foi a primeira de três noites que vão atenuando a despedida do festival da Invicta neste 2014. O nome grande do cartaz era Tim Hecker, o organizador do caos.

A abertura fez-se com ATILLLA, jovem músico do Porto, que conta já com quatro discos de originais que podem ser ouvidos no seu bandcamp oficial. Em palco apresenta-se acompanhado por um baterista, que vai oferecendo novas dinâmicas aos drones, e que vai criando grooves que permitem ao público identificar-se mais facilmente com eles. Toda a actuação é sustentada por uma belíssima apresentação visual que ajuda a criar uma atmosfera mais industrial e pós-apocalíptica.

Mas o nome pelo qual todos estavam presentes era Tim Hecker. Quem está familiarizado com o som que o canadiano vem trilhando há já mais de 10 anos, sabe bem o que esperar de uma actuação sua. A meia sala está presente para contemplar o caos sonoro, que este ex-assessor político ordena e compõe como ninguém. Coberto por uma nuvem de fumo e com um mínimo jogo de luzes que cumpre apenas os mínimos indispensáveis, Hecker vai moldando o som da mesma forma que lhe reconhecemos em obras obrigatórias como Harmony In Ultraviolet ou An Imaginary Country.

Esta passagem pelos nossos palcos tem como mote a apresentação de Virgins, aquele que é indubitavelmente um dos melhores discos de 2013, e que reconhecemos assim que o som começa a brotar pelas colunas do Hard Club. É quase inevitável cairmos nas habituais e inúteis metáforas que a música experimental de cariz ambiente é vítima. As “paisagens sonoras” que Hecker “pinta com a sua palete de sons” é extremamente rica a propícia para “viagens mentais”, mas convenhamos, elas existem porque são eficazes. Tal como toda a música de vanguarda, aquela que Tim Hecker cria divide sempre opiniões. A sua performance ao vivo, já sabíamos, não iria quebrar essa regra. Quanto a nós, a experiência pecou apenas no volume de som ao dispor de Tim Hecker, sendo que esta seria enriquecida se o caos fosse ainda mais imersivo.

Numa performance como esta é obrigatório também pensarmos no trabalho que a Amplificasom tem desenvolvido, ao longo de sete anos, na cidade do Porto, contribuindo fortemente para o crescimento da oferta cultural na Invicta, ao colocar a cidade na rota de concertos da música mais relevante que se vai fazendo na actualidade.

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