Overkill no Paradise Garage (01/11/2014)

Overkill no Paradise Garage (01/11/2014)

#29 Overkill

Texto por Edgar Leito / Fotos por Andreia Vieira da Silva

Com um plano de festas estilo matiné, eram esperadas quatro bandas que enchessem o Paradise Garage de metal acelerado. Pelas 18h, uma longa fila de metaleiros já se amontoava para entrar no recinto, e pouco depois dessa hora os Darkology sobem a palco. A banda de metal progressivo, consegue fazer abanar algumas cabeças curiosas e prontas para um final de dia cheio de música, e por esta altura ainda há condições para se circular no recinto, não fosse esse o dissabor de ser a banda de abertura.

A troca de material é feita pelos técnicos em tempo record, e de repente já temos o vocalista de Enforcer a testar o pitch do microfone e a pedir para ser posto ainda mais alto (não fosse já estridente o suficiente). Competentes e comunicativos, conseguiram assegurar uns bons minutos de speed metal que nos transporta para um ambiente muito eighties.

#6 Enforcer

Seguidamente, os norte-americanos Prong entram em palco prontos para deitar o Garage abaixo. Esta banda formada no longínquo ano de 1986, sofreu várias alterações na formação e trouxe até Lisboa uma descarga de groove e thrash metal, o que deu lugar a moshpits e muito crowdsurfing.

Às 21h30, a introdução do mais recente trabalho dos nova iorquinos Overkill, “XDM”, começa a soar nas colunas do Paradise Garage. O concerto inicia logo de seguida, com o primeiro single do novo álbum “White Devil Armory”. O arranque com “Armorist” causa o caos na plateia ansiosa de puro thrash, e os Overkill prometem um concerto memorável, com um arranque auspicioso, que originou muito headbanging e abriu algumas clareiras devido ao mosh pit.

A banda, que voltou a Portugal dois anos após a presença no Vagos Open Air em 2012, continuou o concerto em formato “no holds barred”, com um ataque vicioso ao primeiro disco Feel the Fire, com o tema homónimo “Overkill”. Nesta altura não há ninguém parado no Garage.

Toda a gente está rendida à violência dos thrashers norte­-americanos, e parece ter-se aberto um portal para os anos 80. Mas é também por esta altura que se percebe que o concerto está com um péssimo som. O álbum The Electric Age, ainda relativamente recente na bagagem da banda, fez­-se sentir na rápida “Electric Rattlesnake”. Numa banda tão prolífica, que conta já com 17 álbuns de estúdio em mais de 30 anos de carreira, torna­-se difícil sintetizar tudo num único concerto, pelo que o alinhamento se baseia no material mais recente, e nos álbuns clássicos dos anos 80 e 90.

#32 Overkill

Bobby “Blitz” Ellsworth, um “miúdo” de 55 anos, esguio e seco, com um tank top preto a esconder os abdominais à Bruce Lee, voz rasgada e furiosa, vai cuspindo letras frenéticas, com a mesma agressividade de sempre. O baixo característico de D.D. Verni, com o seu som estalado, quase à frente das guitarras, faz tremer o chão e as paredes do frágil Paradise Garage. A restante banda, com a óptima dupla de guitarristas (Dave Linsk e Derek Taylor), e o mais que competente baterista Ron Lipnicki, cumprem com entusiasmo, apesar de não atingirem a energia e química da formação clássica do grupo.

Entretanto, a banda já arrancou para mais dois clássicos da época dourada: o speed metal de “Wrecking crew” do segundo álbum de originais que faz tremer a sala e o clássico “Rotten to the Core”, intercalados pela Sabbath Flavored “Black Daze”.

De volta ao material mais recente, o público é brindado com a thrasher “Bring Me The Night”,do excelente álbum Ironbound. Uma música que é a representação perfeita do género. O som continua péssimo e não vai melhorar, enquanto passamos por um breve abrandamento a meio do concerto, com mais uma viagem aos 80’s, através do disco Under the Influence, seguido de dois temas do meio da carreira da banda, em que o groove thrash tomou conta das operações, dispensando o thrash mais tradicional.

#34 Overkill

Segue-­se “Pig”, mais uma amostra do novo disco. Com o seu riff catchy e a típica fúria da banda, sente-­se o aumento de alguma intensidade perdida a meio do concerto, seguido por um dos momentos mais altos do mesmo, com um dos maiores hits da banda, “Hello from the Gutter”. A adrenalina aumenta, com algum sangue e narizes partidos à mistura, enquanto o público entoa o título da música durante o refrão da mesma. O tema título do excelente “Ironbound”, termina o set em grande estilo.

Uns minutos de espera, e a banda volta ao palco com mais um tema do novo disco. Desta vez é o novo single “Bitter Pill”. Resposta positiva do público, mas o melhor ainda estava para vir. Aproveitando a energia palpável, a banda ataca o seu tema mais conhecido de sempre, do ambicioso álbum The Years of Decay (infelizmente apenas representado nesta música), e ouvem-se os inconfundíveis acordes iniciais de “Elimination”. Chegámos ao ponto alto da noite, com o público quase esgotado, perante um dos maiores hinos thrash dos anos 80. O suor escorre e os corpos agitam-­se, enquanto entoam o famoso refrão do conhecido tema.

Para o final, a banda ataca “Fuck you”, a infame cover dos punk rockers Subhumans, do controverso ep de 1987. Termina assim cerca de uma hora e meia de concerto, com mais um tema clássico, na já extensa carreira da banda americana. Apesar dos problemas técnicos, o momento dos Overkill continua assinalável, e esperamos sinceramente que seja para continuar. Os anos não passam por esta banda, e ainda bem. Fuck You!

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