Entrevista a Stereossauro

Entrevista a Stereossauro

©Edgar Libório

©Edgar Libório

O percurso musical de Stereossauro divide-se entre o DJ’ing e a produção. Nos últimos anos produziu temas originais para compilações, remisturas e sonoplastias, até que decidiu editar o seu primeiro disco, intitulado Bombas em Bombos: uma metáfora que representa a pesquisa de samples de naturezas diferentes, o método inerente à “escola” de produção de hip-hop e que define o seu percurso.

Bombas em Bombos é o nome do teu disco de estreia. Quanto tempo demoraste a preparar este disco e quanto de ti é que lá deixaste?
Apesar de ter músicas que se distanciam 2 ou 3 anos, se resumisse todo o tempo que dediquei a esse disco, o resultado seria 6 ou 8 meses, e deixei nesse disco muitas horas roubadas ao sono, foi praticamente todo feito fora de horas, pois estava a trabalhar a tempo inteiro num gabinete de arquitectura nesse período. Foi um grande esforço mas, no fim, soube bem!

Fala-me um pouco das colaborações nesse disco e o que é que cada uma delas trouxe ao registo…
Neste disco conto com o Ride, sócio já de longa data, ele foi uma das pessoas que mais me motivou a fazer este trabalho, e era impensável não ter colaborações com ele, com os Dealema, o Xeg, o Skillaz, todos eles MCs que já conheço há vários anos e de quem gosto muito do trabalho, todos eles deram o seu talento aos beats , “certified tuga rap”! A Helena Veludo deu o seu toque de classe no single “Hold on”, a boa energia que estava em estúdio transparece nessa música. Num dos temas com o Ride conto também com o mr. KoochiBass (Francisco Rebelo)  que toca baixo e teclas com o groove que lhe é natural, e tenho dois temas também com o Ricardo Gordo na guitarra portuguesa. A nossa identidade musical e instrumentos tradicionais foi algo que sempre me interessou e que gosto de cruzar com sonoridades contemporâneas.

Stereossauro é um projecto que vive do companheirismo?
Nem por isso, de facto até é algo bastante solitário, 90% do tempo e do trabalho é feito isolado em estúdio, mas com o tempo vais conhecendo outras pessoas com as quais te entendes musicalmente e, quando essas partilhas resultam, a música pode ganhar outra dimensão. Essas colaborações são sempre muito motivadoras, mesmo para outros trabalhos a solo, mas é essencialmente um projecto a solo.

©Edgar Libório

©Edgar Libório

Com quem gostarias de trabalhar se fosse só escolher?
MixMaster Mike, nem sei se era preciso fazermos uma música, se fosse só uma jam de scratch já era altamente!

O disco ficou marcado sobretudo por pequenos detalhes que se vão descobrindo ao longo das audições. Qual é a tua maior preocupação ou, digamos, objectivo, quando compões?
Grande parte da música que faço é instrumental e, nesse sentido, preocupo-me que haja alguma “narrativa” na música electrónica que faço, de modo a que seja interessante de ouvir, mesmo que não tenha voz e letra.

 Qual é o grande elemento diferenciador deste disco?
O groove orgânico.

Como é que pensas levar este novo disco para a estrada? Vai mudar alguma coisa substancial?
Em formato DJ, estilo clássico do Hip Hop, e vou mudar muita coisa, refazer algumas partes ao vivo com o sampler e gira-discos, vou de certeza misturar as músicas com outras que uso nos meus DJ sets e, sempre que puder, vou levar alguma das participações vocais, provavelmente não vai haver dois concertos iguais e isso agrada-me bastante.

A cultura é, por diversas questões, cada vez mais relegada para segundo plano pelo poder em Portugal. Como vês, no geral, o estado da música no país?
Honestamente, passo tanto tempo focado nos vários projectos que tenho que acabo por não ter uma imagem geral muito completa do que se passa à minha volta, mas sinto que existem cada vez mais bandas e projectos bastante interessantes, e que provavelmente não têm apoios, aliás eu não conheço ninguém que tenha apoios do Estado… mas fazem as coisas pelos seus próprios meios porque a vontade de fazer música é algo imparável. Há bastantes “lufadas de ar fresco” na música portuguesa, e são de certeza independentes.

Entrevista por João Pereira

Arte-Factos

Webzine portuguesa de divulgação cultural. Notícias, música, cinema, reportagens e críticas. O melhor da cultura num só lugar.

Facebook Twitter LinkedIn Google+ YouTube