Entrevista a Walter Benjamin

Entrevista a Walter Benjamin

©Sofia Botelho Osório

©Sofia Botelho Osório

Luís Nunes anunciou que vai dar por terminada a aventura do seu alter ego, Walter Benjamin. Quisemos ir saber o que o leva a dar tal passo, mas ficamos muito mais descansados quando nos diz que o seu principal objectivo é abraçar um novo projecto. Quem se quiser despedir de Walter Benjamin, não perca a oportunidade de o fazer já no próximo dia 12 de Dezembro no Lux.

A primeira pergunta é a mais óbvia, mas a que mais tenho de te fazer: porquê esta decisão?
Porque estou cansado de cantar em inglês. Estou cansado destas canções e tenho vontade de fazer canções em português. Acabamos por tocar as mesmas canções porque eu não tenho motivação para gravar outras. Vivo no meio do Alentejo agora, depois de quatro anos numa cidade como Londres. Isto é algo que me tornou mais humilde e tenho vontade de escrever sobre as coisas que me rodeiam aqui, falar do nosso país e das nossas pessoas. É algo que não dá para fazer em inglês. No fundo, para mim não faz sentido ter um nome em inglês e cantar em português. Não bate certo.

Dizes que foste mais feliz a tocar rodeado de amigos. Nunca pensaste extender o projecto para formato banda?
O Walter Benjamin funciona como uma banda ao vivo, é um processo democrático com nome individual. O problema é que não somos uma banda no que toca à concepção das músicas e dos discos, principalmente por razões de ordem prática. É complicado ter uma banda a 100%. Eu sou um bocado hiperactivo e tenho de estar sempre a fazer coisas e numa banda cada um tem a sua vida e os seus projectos.

Qual foi para ti o (ou os) momentos mais marcantes enquanto Walter Benjamin?
Foram muitos. Eu passei da adolescência para a idade adulta enquanto Walter Benjamin, é injusto nomear eventos isolados. Toquei para a chama Olímpica em Londres, toquei no Cabaret Voltaire em Zurique para uma plateia em silêncio absoluto, toquei no meio dos Alpes austríacos para uma plateia repleta de gente entusiasmada, toquei em Lisboa para tanta gente que conheço. Mas, no fundo, o melhor foi mesmo todas as pessoas que conheci através da música. Acho que este projecto me trouxe mais nesse aspecto acima de tudo.

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E se pudesses fazer alguma coisa de novo, ou de diferente, o que seria?
Eu vou fazer muitas coisas novas. Esta decisão é exactamente o que estou  a fazer de diferente.

Qual o balanço que fazes destes anos enquanto Walter Benjamin?
8 lançamentos em 6 anos, fora coisas de que nem me lembro que aconteceram. Toquei bastantes concertos muito especiais. Foi óptimo. Acho que nunca cheguei realmente a um público mais alargado, mas lembro-me de achar que se 1 pessoa ouvisse e gostasse já seria uma grande vitória. Saber que foram 3 já é uma tripla vitória.

E agora, sendo tu uma pessoa com uma ligação tão forte à música, o que vais continuar a fazer? Já tens novos projectos que possas partilhar connosco?
Tenho demasiados projectos. O mais óbvio é partilhar que vem aí um disco novo, em português.

Vais dar um concerto de despedida no Lux, casa onde te vimos há sensivelmente um ano atrás a tocar The Smiths. O que podemos esperar deste concerto?
Podemos esperar que não toque The Smiths. A banda é a maior banda que alguma vez tive: duas baterias, muitas vozes, muitos músicos em palco. Não quero que isto se torne numa feira de vaidades em termos de convidados. Apenas convidei muitos amigos para virem despedir-se do Walter comigo, também não queria estar sozinho na hora final.

Entrevista por Cláudia Filipe

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