Vodafone Mexefest - 2º dia (29/11/2014)

Vodafone Mexefest – 2º dia (29/11/2014)

#22 Wild Beasts

Texto por Andreia Vieira da Silva / Fotos por Miguel Tavares

A noite do segundo dia de festival começa mais cedo com a primeira paragem nos lisboetas Savanna, que já se encontram a emanar ondas psicadélicas no Cinema São Jorge. Com a sala Montepio quase cheia, o quarteto percorre um alinhamento que lembra Tame Impala enquanto sobre os elementos da banda é colocado um jogo de luzes com motivos alucinantes.

Subimos a escadaria do Atheneu Comercial e entramos no ginásio, quase a rebentar pelas costuras. Os Modernos são 60% dos Capitão Fausto e apresentam ao vivo o primeiro EP “#1”. Um misto de psicadelismo com punk rock, com direito a solos de guitarra.

Já na Garagem da Epal, os Salto tocam com toda a força as primeiras amostras do novo álbum. Depois do mini-concerto da noite anterior inserido nas surpresas Best Kept Secrets, os rapazes da Maia conseguem encher a Sala Super Bock Super Rock com um público cheio de entusiasmo. Temas como “Deixar Cair” ou “O Teu Par”, do álbum homónimo de 2012 foram entoados pelo público efusivo e palpitante, mas o concerto serviu essencialmente para testar ao vivo o próximo registo, com “Mar Adentro” ou “Can’t You See Me”.

Dirigimo-nos a Sharon Van Etten, uma das senhoras da folk actual a ter em conta. Mais uma vez o Coliseu enche e viaja para outra dimensão, abrigando-se de todo o ruído festivaleiro, prostrando-se perante a grandeza da artista de Nova Iorque. A voz límpida e pueril enche-nos os ouvidos, envolvendo-se num manto de guitarras arrastadas. Temas como “Your Love is Killing Me” ou “Taking Chances” não faltaram para calar um mar de gente, cujo o único gesto era o de aplaudir no final de cada canção.

Ter Perfume Genius, Palma Violets, Cloud Nothings e Jay-Jay Johansson praticamente a tocar ao mesmo tempo desafia a nossa capacidade de decisão, mas como em qualquer outro festival em que temos tanta oferta e tão apetecível, temos que tomar partido. Optamos por palmilhar a Avenida da Liberdade acima em direcção a um dos nomes mais sonantes desta edição, Perfume Genius. Aqui, confirma-se um dos lados negativos do Vodafone Mexefest, que é o ter que ficar de fora quando a lotação de um espaço fica completa. A popularidade de Mike Hadreas é tal, que a fila sai das portas do Cinema São Jorge e continua a descer pela avenida fora. Pouco tempo depois das 23h, Mike Hadreas sobe a palco, envergando negro e de lábios e unhas pintados de um forte vermelho. O concerto revela-se soturno, um misto de synthpop dançável com momentos em que se chama por Nick Cave. O alinhamento concentra-se em Too Bright, o mais recente álbum do rapaz que canta e dança com alma, de forma angelical, entre gritos que exorcizam os demónios.

Ainda na esperança de conseguir vislumbrar um pouco de Palma Violets, o rumo agora faz-se calçada abaixo, tendo em vista a Estação Ferroviária do Rossio. Ao entrar-se no recinto sente-se imediatamente a energia. “Best of Friends”, o single e faixa mais conhecida de todos os presentes está a ecoar pelo Rossio e é cantado em uníssono por um público cheio de sangue na guelra. A banda londrina, com apenas três anos de existência e com um álbum, 180, na bagagem, também se mostrou um dos atractivos principais do festival, deixando muitas pessoas à porta. A banda, imaculada pela NME e discípula dos emblemáticos Libertines, faz parte do sangue novo do legado do garage-rock britânico, e os vocalistas Samuel Fryer e Chilli Jensson parecem ser endeusados pelo público feminino. A visão que se tem é: crowdsurfing, uma moldura humana em frenesim e uma demonstração que o rock sujo e suado ainda existe por aí. No final, e como tem sido habitual, o público não fica à espera de mais nada e sai apressadamente em direcção a outra sala, neste caso, em direcção a uma das bandas mais aguardadas não só da noite, como de todo o festival.

Os Wild Beasts foram a banda escolhida como prato principal desta segunda noite, e depois da bem sucedida passagem pela edição deste ano do Rock in Rio Lisboa, mostram ser uma banda querida do público que se dirigiu em peso para o Coliseu. A banda traz Present Tense na bagagem, e faixas como “Mecca” ou “A Simple Beautiful Truth” mostram a boa aceitação que o novo registo tem, mas nem por isso deixa esquecidos outros momentos altos da sua carreira e ansiados pelo público, como “Bed of Nails” ou “Albatross”. Com uma iluminação muito recatada, a banda é parca em palavras, assim como o público é contido em demonstrações de euforia, optando por contemplar a arte intimista dos ingleses. Um concerto que serviu para amainar a exaltação vivida em concertos anteriores. Depois de um agradecimento por parte do vocalista Hayden Thorpe, que nos nomeia como a “melhor cidade da Europa”, a banda presenteia-nos no encore com os temas “A Dog’s Life”, a tão aguardada “Wanderlust” do novo álbum, “All The King’s Men” e “Lion’s Share”.

Depois de amena confraternização na rua, sob uma chuva inesperada, corremos até ao Vodafone Bus que, prestes a concluir a sua jornada, fica parado durante mais uns minutos no terminal dos Restauradores enquanto os Zanibar Aliens acabam o seu show. Sem dúvida, um dos conceitos mais interessantes do Mexefest, o poder dar a volta à Avenida da Liberdade dentro de um concerto.

Voltando novamente para o Coliseu, são ainda muitos os que continuam a festa, desta feita num registo mais dançante e de “sábado pela madrugada adentro”. A música electrónica tem a cargo lançar os últimos foguetes desta edição e os Dengue Dengue Dengue, que são apenas dois, têm um Coliseu a dançar freneticamente para eles. O Vodafone Mexefest encerra a edição de 2014 ao som de Branko, membro dos Buraka Som Sistema e um nome grande da música electrónica nacional.

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