Músicas da Semana #123

Escolhas de Diogo Augusto (Los Saguaros):

Fats Domino

Fats Domino – Jambalaya (On the Bayou)
Ando plenamente convencido que New Orleans é o centro do mundo. Ouvir isto e, ao mesmo tempo, oferecer um espectáculo digno do Carnaval da Madeira é actividade a que me tenho dedicado nos últimos tempos.

16 Horsepower – Nobody ‘Cept You
Há qualquer coisa aqui. Os 16 Horsepower a fazerem uma versão do Dylan e a transformarem uma música de amor romântico numa música de amor religioso, é obra. E a voz do David Eugene Edwards que parece um chamamento religioso vindo da Idade Média.

The Act-Ups – Friendzone
Faz parte do próximo disco que ainda não saiu mas eu já tenho porque a malta da música é assim, toda muito amiga. Normalmente quando se fala de bandas portuguesas, pomo-las a jogar todas no mesmo campeonato: o das outras bandas portuguesas. Ora, se esta música não é das melhores que eu já ouvi na minha vida (de Portugal, dos EUA, de Inglaterra ou da China), que eu seja fuzilado por um relâmpago.

Reigning Sound – Falling Rain
Se se proporcionasse, beijaria o chão que o Greg Cartwright pisa.

Elvis – An American Trilogy
É a primeira recordação musical que tenho. Ouvir isto de uma compilação de discos (em vinil, claro) do Elvis editada pela Reader’s Digest. De vez em quando volto lá e surpreende-me sempre tanto como da primeira vez.

Escolhas de Samuel Silva (Los Saguaros):

Ty Segall

Ty Segall – Tall man and the skinny lady
O Ty deve ser o tipo mais irritante do mundo. É um puto (mais novo do que eu!) e não deve existir neste momento gajo mais talentoso do que ele nesta arte de fazer rock’n’roll. Para além disso, enquanto esfreguei os olhos e me deliciava com o último álbum (Manipulator) o puto vai e edita mais dois (’tá bem que um é uma compilação de singles e o outro um álbum ao vivo, mas ainda assim!)! Não há paciência! A “Tall Man…” passou-me pelos ouvidos pela primeira vez no último Primavera Sound e, caramba, é um temaço: solos à séria e uma melodia vocal que fica no ouvido (da forma certa).

Bob Dylan & The Band – Goin’ to Acapulco
Tema das Basement Tapes que tenho ouvido compulsivamente após a edição do último álbum das Bootleg Series do tio Zimmerman. Não há muito a dizer aqui… ambiente lo-fi e uma canção do tamanho do mundo… até a mim me apetece ir para Acapulco. É impressionante a quantidade de canções que o Dylan não editou de forma convencial e que “fariam” a carreira de qualquer outro escritor de canções.

Velvet Underground – Sister Ray
O melhor tema de todos os tempos acerca de “sucking ding-dongs”. Riffs do catano, tudo gravado no vermelho, sujidade, caos, improviso, gente que não sabe o que está a tocar ou porque o está a tocar: obra-prima!

The Dirty Coal Train – Malasuerte / The Act-Ups – Friendzone
É batota, eu sei, mas há que dizer que em Portugal se faz rock’n’roll do caraças. Malasuerte é um temaço de voodoo rock’n’roll lo-fi e a Friendzone (sim, vocês ainda não a ouviram mas eu já!) abre o horizonte e é a banda-sonora perfeita para uma viagem springsteeniana.

Miles Davis – On The Corner – Take 4
E agora algo completamente diferente! O que anda um gajo do rock’n’roll a fazer a ouvir jazz? Pois, não faço a mínima ideia… Vim aqui parar por causa dos Blues Explosion que, de vez em quando, na página deles, destacam uma música que têm andado a ouvir e caraças, pá! Isto tem groove e rock e é marado e é psicadélico e sei lá mais o quê! Se o jazz fosse todo assim deixava o rock’n’roll!

Escolhas de Andreia Vieira da Silva:

Palma Violets

Palma Violets – Best of Friends
Dos melhores concertos que pude ver no Mexefest, o destes moços. Diria que são herdeiros directos dos Libertines (não houvesse também uma dupla de vocalistas nos PV e outras semelhanças). Esta faixa é a mais bonita do ábum 180 (o único que têm ainda). Para a curta carreira que têm, este registo é uma boa promessa. Veremos se continuam a manter a fasquia a esta altura.

Wild Beasts – Mecca
Depois da passagem pelo Vodafone Mexefest, e da exímia performance, o mote foi ideal para voltar a ouvir o álbum de 2014, Present Tense. Uma das faixas mais orelhudas, é sem dúvida esta. Com uma vocalização perfeita, é impossível não tentar cantar “We moooove iiiin feaaaarrr”.

Iggy Azalea – Iggy SZN
A rapariga controversa que tem dividido opiniões no mundo do hip-hop, tem sem dúvida um dos álbuns mais interessantes do ano para mim. The New Classic mostra uma Iggy sem papas na língua e uma mulher que não tem vergonha de falar seja do que for, só porque lhe pode “ficar mal” por ser mulher. Há muitas faixas que ouço sem parar, mas esta é completamente viciante. O pior é conseguir cantar a letra toda ao mesmo tempo. Um dia, um dia.

Capricorns – A Savage Race by Shipwrecks Fed
Um tenebroso sludge misturado com post-metal. Bom.

Selfish Cunt – Born From a Mother
Descobri Selfish Cunt há muito pouco tempo e fui incapaz de parar de ouvir o álbum English Chamber Music, de 2008. Vão beber muito de Dead Kennedys e Sex Pistols, sem sombra de dúvida, e  ao ouvirmos este registo sentimos que isto foi feito há muito mais tempo atrás do que 2008.

Escolhas de Cláudia Andrade:

Mamiffer

Mamiffer – Mercy
Chegou aquela altura do ano em que toda a gente faz listas dos melhores álbuns. Acabei por ter de criar uma a muito custo, que ficou com muitos bons álbuns de fora, demasiados. Foi um bom ano para a música e alguns dos melhores chegaram mesmo no fim, como é o caso deste fantástico Statu Nascendi dos Mamiffer, que tem sido a banda sonora das minhas viagens diárias durante toda a semana. Esta Mercy destaca-se pela maravilhosa melodia de piano/voz, melancólica, sonhadora, esperançosa, um pouco como eu. Não me tem saído da cabeça e da voz.

Sunn o))) & Ulver – Let There Be Light
Ao contrário do Statu Nascendi, este Terrestrials chegou no início do ano e arrebatou logo um lugar no top 10 dos melhores álbuns de 2014, sem mais de metade deles terem sido editados. Voltei a ouvi-lo esta semana e voltou a marcar.

Mono – Kanata
Depois do For My Parents, álbum indispensável na minha vida e que não consigo contar quantas vezes ouvi porque não tem conta, surgiu este ano o seu sucessor The Last Dawn/Rays of Darkness, que me acompanhou durante todo o dia de hoje enquanto dava os primeiros passos no tricot. Mais um álbum apaixonante. Estou desejosa de voltar a vê-los.

Bohren & Der Club Of Gore – Ganz Leise Kommt Die Nacht
Mais um que faz parte da lista dos que chegaram bem cedo e marcaram logo o seu lugar no pódio, o Piano Nights dos maravilhosos Bohren & Der Club Of Gore.

Emma Ruth Rundle – Arms I Know So Well
Porque voltar a publicar Marissa Nadler seria demasiado óbvio, uma vez que é o número 1 do top 10 com o seu maravilhoso July, escolho a Emma Ruth Rundle que também fez um brilhante trabalho este ano e tem estado presente praticamente todas as semanas. Esta semana não foi exceção.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

Cult of Luna

Cult Of Luna – Passing Through
Sempre que oiço o Vertikal e chego a este tema lembro-me do combo brutal que é a música e este vídeo, gravado num porto em Helsínquia para uma sessão Off The Record. Pura perfeição.

Marvins Revolt – Multiple Fractures
Continuando no norte da Europa, depois de uns suecos, vêm uns dinamarqueses que deixaram saudades. Esta semana rodaram por aqui os dois discos que os Marvins Revolt editaram, e apesar de ter optado pela Multiple Fractures, qualquer uma das músicas presentes nesses álbuns podia estar aqui.

City And Colour – Two Coins
Esta semana revisitei um dos meus discos preferidos do ano passado (The Hurry And The Harm) e por arrasto uma das minhas músicas preferidas de 2013.

Head Automatica – The Razor
Ouvir, fazê-lo de novo. Não há como escapar às audições repetidas do Decadence e em particular a esta The Razor.

Azevedo Silva – Idiotas
Ontem foi dia de apresentação ao vivo do novo disco de Azevedo Silva, e durante a semana deu-se a preparação para a data. O single é talvez a música mais mexida que ouvimos do cantautor nacional e, como diria a pessoa aí acima destas escolhas, “Ninguém escapa!”.

Arte-Factos

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